Angela Merkel tomou uma posição forte contra as manifestações de extrema-direita, pelas declarações que fez ao visitar um centro de refugiados na semana passada. Esta semana fez um apelo à Europa, para que actuasse segundo os seus ideais. Esta atitude é interessante porque até à data a chanceler alemã tinha sido bastante discreta sobre este assunto. Adoptou uma postura contrária à de David Cameron neste capítulo. Entretanto outros países europeus tomam posições bastante diferentes. A Polónia, um país de quase 40 milhões de habitantes, vizinho de leste da Alemanha, e que parece ter resistido relativamente bem à crise financeira, porventura por não ter integrado a zona euro, declarou, pela voz de Andrzej Duda, seu novo presidente, não estar em condição de receber mais de 60 refugiados, e com a condição de serem cristãos, segundo informava Teresa de Sousa, no Público de domingo passado, 30 de Agosto, no Sem Fronteiras – O Mérito de Merkel e o Demérito dos Outros.
Claro que a Europa tem de tratar condignamente os migrantes/refugiados que a ela acorrem. Temos vindo a adoptar a designação de migrantes/refugiados, para cobrir as diferentes situações das pessoas que acorrem ao continente em que vivemos. Entre elas há pessoas que fogem da guerra e de regimes políticos brutais, outras da pobreza extrema causada pela seca, por outros desastres naturais e pela crise económica. Será bom ter conta que durante muito tempo os próprios organismos internacionais consideraram de modo diferente os que fugiam de perseguições políticas, e os chamados migrantes económicos, dispostos a correr grandes riscos para encontrarem uma vida melhor para si e para os seus. A situação que se vive em grande parte do Próximo e do Médio Oriente e de África fez com que as diferenças no tratamento das situações se esbatessem. Por outro lado, também há quem reconheça o contributo que os refugiados (passando por comodidade a usar esta designação, mais simples) podem trazer aos países europeus mais envelhecidos, sob o ponto de vista demográfico, e mesmo no campo socioeconómico. É tendo em conta estes factos que se pode analisar a discussão que neste momento se trava na Europa sob o tratamento a dar aos refugiados. Entretanto, Angela Merkel procura também melhorar a imagem da Alemanha (e a sua e do seu governo) no resto da Europa e do mundo, bastante abalada pela política de austeridade, e sobretudo após as imposições feitas à Grécia.