O PODER DE UMA IMAGEM: ROLAND BARTHES EXPLICA A NOSSA REACÇÃO À FOTOGRAFIA DO MENINO SÍRIO MORTO NA PRAIA por clara castilho

Vivemos numa sociedade onde a informação e cultura têm um tratamento predominantemente visual. O poder evocativo de uma imagem não é o mesmo para todos. Mas o facto é que a imagem do menino sírio, Aylan Kurdi, corpo morto numa praia, foi reproduzida nas primeiras páginas de inúmeros jornais, um pouco por todo o mundo. Questionava-se “depois disto tudo fica igual?”

REFILE - CORRECTING BYLINEATTENTION EDITORS - VISUALS COVERAGE OF SCENES OF DEATH OR INJURYA young migrant, who drowned in a failed attempt to sail to the Greek island of Kos, lies on the shore in the Turkish coastal town of Bodrum, Turkey, September 2, 2015. At least 11 migrants believed to be Syrians drowned as two boats sank after leaving southwest Turkey for the Greek island of Kos, Turkey's Dogan news agency reported on Wednesday. It said a boat carrying 16 Syrian migrants had sunk after leaving the Akyarlar area of the Bodrum peninsula, and seven people had died. Four people were rescued and the coastguard was continuing its search for five people still missing. Separately, a boat carrying six Syrians sank after leaving Akyarlar on the same route. Three children and one woman drowned and two people survived after reaching the shore in life jackets. REUTERS/Nilufer Demir/DHAATTENTION EDITORS - NO SALES. NO ARCHIVES. FOR EDITORIAL USE ONLY. NOT FOR SALE FOR MARKETING OR ADVERTISING CAMPAIGNS. THIS IMAGE HAS BEEN SUPPLIED BY A THIRD PARTY. IT IS DISTRIBUTED, EXACTLY AS RECEIVED BY REUTERS, AS A SERVICE TO CLIENTS. TURKEY OUT. NO COMMERCIAL OR EDITORIAL SALES IN TURKEY. TEMPLATE OUT

No livro “A Câmara Clara”, Roland Barthes diz que  a imagem pode ser o objecto de três práticas: fazer, experimentar, olhar.

O Operatoré o fotógrafo; o Spectador somos todos nós; o Spectrum é o alvo; o referente; aquilo ou aquele que é fotografado.

Apenas uma fotografia diferente tem o poder de mexer com o Spectador. À atracção que essa foto faz sentir, Barthes classifica de animação, em contraponto ao monótono, à banalidade. Como Spectator, Barthes refere que, nas imagens, apenas se interessa por aquilo que emociona, o que fere.

O acaso explicará a presença do pormenor: o Punctum. Mas que não é colocado intencionalmente pelo fotógrafo. Está presente na imagem por acaso e é encontrado pelo Spectator: “O punctum de uma fotografia é esse acaso que nela me fere (mas também mortifica, me apunhala).”

 Roland Barthes diz-nos ainda:“Aquilo que a fotografia reproduz até ao infinito só aconteceu uma vez: ela repete mecanicamente o que nunca mais poderá repetir-se existencialmente.”

Todos nós enquanto espectadores reagimos assim. Esperemos que o Spectrum, os “alvos” – os refugiados sírios –  possam beneficiar do impacto que esta foto teve.

COAZzSSWUAAwf8E

 

Leave a Reply