EDITORIAL – O OCIDENTE CONTRA O ORIENTE

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O afluxo dos refugiados à Europa tem merecido muitas reflexões, mas nem assim melhora a atitude dos estados europeus e da União Europeia, em relação a quem lhe pede asilo, e sobretudo em relação às nações de onde eles são originários. É verdade que as relações entre o Ocidente e o Oriente, desde há séculos, que são imperiais, isto é, de domínio de uma parte sobre a outra. E tem sido o Ocidente que tem procurado que a outra parte, o Oriente (e todo o resto do mundo) se subordine ao seu poder e aos seus interesses. A globalização (use-se esta designação para o que se tem passado desde a Segunda Guerra Mundial) acentuou esta tendência. Os poderes ocidentais têm procurado camuflar/justificar (a camuflagem e a justificação confundem-se constantemente) a situação com uma enorme barragem de propaganda, veiculada através da grande comunicação social de uma maneira perfeitamente aterradora.

Dirão que se o Oriente (ou qualquer outra parte do mundo) tivesse conseguido alguma vez alcançar um poderio militar e económico semelhante ao das potências ocidentais, não seria menos implacável e hipócrita que os poderes que actualmente dominam o mundo. Isso é uma afirmação incontestável. A China, a Índia, ou outro país, não seriam com certeza melhores “imperialistas”. Mas tem de se reflectir sobre o que existe actualmente. E constatar a recusa de proceder de uma maneira diferente. Nem que fosse um pouco diferente.

A crise dos refugiados foi causada pelo esmagamento dos seus países de origem. Os casos da Síria, da Líbia, mesmo do Iémen são claros, como os de outros países. Dirão que esses países têm sido dirigidos por ditadores, e por cliques corruptas e incompetentes. É verdade. Mas na génese dessas ditaduras, desses governos corruptos e sanguinários não é difícil descobrir, de uma maneira ou outra, a actuação de poderes ocidentais, políticos e económicos. A exposição ao poder económico multinacional, a prioridade ao combate às ideologias igualitárias, o apoio dissimulado ao ressurgimento do fanatismo religioso, o negócio das armas, o petróleo, formaram um caldo no qual se formaram os problemas que estão na origem da situação actual. A visão, por vezes idílica, do que se passa nos países ocidentais, em contraste com a vida duríssima nos países de onde provêm, completou o cenário que fez despertar em milhões de pessoas o desejo de emigrar para paragens mais acolhedoras. É nisto, e na necessidade de pôr em prática o que tanto se tem preconizado em direitos humanos. Não será com respostas passageiras ou oportunistas, com barreiras de arame farpado e materiais semelhantes, ou discursos para encantar plateias para fazer esquecer o que se fez com a Grécia e os outros países periféricos da Europa, que poderá responder dignamente aos refugiados e às populações que estão na miséria, no Ocidente e no Oriente, como em todo o mundo.

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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