José Mujica, ex-presidente do Uruguai, deu mais uma entrevista que merece atenção. Tendo sido acusado (obviamente por pessoas que não terão muita estima por ele), de defender a pobreza, explicou claramente que preconiza a sobriedade, e não a pobreza. E mais, deixou claro como a falta de sobriedade tem grande influência nos problemas que nos afectam hoje em dia, não apenas ao nível do comportamento individual, mas sobretudo ao nível mais geral. Trata-se de uma questão que deve ser prioritária, começando pelos níveis mais altos da governação.
As ideias de José Mujica não são inteiramente originais, mas ele é sem dúvida o estadista mais proeminente que alguma vez defendeu a parcimónia nos gastos, de modo completamente diferente dos patronos da austeridade que têm defendido e aplicado o que se convencionou designar por austeridade. Esta não passa de um processo de acumulação de capital à custa das classes trabalhadoras, dos serviços públicos e dos estratos mais vulneráveis da sociedade, que dependem de prestações sociais para (sobre)viverem. A sobriedade na governação exclui obviamente a subsidiação a bancos mal geridos, a construção de redes de auto-estradas de que ninguém precisa, iniciativas como a plataforma logística de Lisboa Norte (na Castanheira do Ribatejo), ao nível nacional, ou da nova sede do Banco Central Europeu, ao nível Internacional. Requer uma defesa sem tréguas do meio ambiente (impedindo estragos como os causados pela exploração petrolífera), uma prioridade total no campo da saúde e do saneamento (tendo em conta situações como a do recrudescimento da epidemia de ébola na Serra Leoa) e da educação, de modo a que toda a gente saiba as implicações destes conceitos.
Propomos que acedam aos links abaixo:
http://brasil.elpais.com/brasil/2015/09/17/internacional/1442483934_276253.html
http://www.dn.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=4785538&page=-1

