A França hoje – Que politica económica? por Michel Lhomme

Falareconomia1

Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

 

Nota introdutória ao texto A França Hoje

Iremos publicar uma série   de artigos menos cómodos sobre a questão dos migrantes. Como introdução um muito bom texto que nos ajudar a reflectir quando lermos   os textos seguintes, os tais textos incómodos. Em paralelo iremos passar em breve a publicar a série espantosa de Um caderno de notas de um etnólogo na Grécia de que já editámos um texto.

Coimbra , 21 de Setembro de 2015

Júlio Marques Mota

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A França hoje

Que politica económica?

Michel Lhomme. Revista Metamag

 

Enquanto que a nossa dívida é de 2 milhões de milhões de euros, enquanto que a França desmorona sob os impostos e os encargos da dívida, enquanto que o desemprego é massivo e conhece recordes históricos, enquanto que o crescimento é nulo, François Hollande não encontrou nada melhor do que de anunciar o acolhimento de 24.000 imigrantes suplementares rebaptizados agora de refugiados desde há dois anos.

Na realidade, trata-se aqui de um número mínimo e oficial, mas é evidente que com este número irreal dado que é oficial, deveremos acrescentar-lhe um bom pequeno zero! O Secours Populaire publicou esta terça-feira o seu barómetro sobre a percepção da pobreza em França. De acordo com estes números, 35% das pessoas interrogadas afirmam ter vivido já algum tempo na pobreza. O Secours Populaire tira a sua conclusão: “uma vaga de miséria” atinge o país. É uma constatação bem sombria. Em cada 10 pessoas questionadas, 4 têm dificuldades em pagar as suas despesas médicas, 33% têm dificuldades em pagar o aluguer da sua casa. Mais inquietante ainda, mais de 1 em cada 3 das pessoas questionadas declaram ter dificuldade em assegurar as 3 refeições por dia ou em pagar a cantina escolar dos seus filhos. Todas as categorias de população são atingidas e o medo de cair na precariedade generaliza-se. Esta angústia atinge também as crianças. Nos 8-14 anos (faixa etária retida para a sondagem), são quase 6 em cada 10 a temerem ficar pobres. 66% pensam que ser-lhes-á difícil encontrar trabalho. No entanto, nos meios de comunicação social, a França é opulenta e generosa como se nenhum jornalista ou comentador tenha descido à rua e sentido o contexto económico a degradar-se consideravelmente, e em que assim se pode doravante falar do regresso das favelas no nosso país, do regresso dos bairros de lata mas sem dispensários, sem casa de apoio à infância, sem medicina escolar (todos os serviços públicos deste tipo foram desmantelados na década precedente).

A situação do emprego é catastrófica

Gabam-se de uma retoma do crescimento económico com o número modesto de 0,6% de crescimento anual. Se o crescimento económico, medido pelo PIB real, parece ter retomado ligeiramente, a um ritmo muitíssimo lento e preocupante, isso não se traduz no entanto nas estatísticas dos assalariados. Este verão, o jornal Le Monde mostrava-se satisfeito com um desemprego francês que estaria na média europeia. É o último argumento[1] da esquerda para esconder a dura realidade: três milhões de desempregados nas estimativas oficiais mais baixas quanto ao desemprego. Não se acredita no entanto que a queda tenha sido já travada quando se sabe que há postos de trabalhos a serem continuamente a ser suprimidos por todo o lado e que sobretudo um número importante de jovens vai inflacionar os efectivos dos requerentes de emprego sem estar a contar com os nossos “refugiados”, possibilidades da França para os franco-maçons[2], os políticos e os europeístas, aos quais será bem necessário dar que fazer mesmo assim!

Todos sabem que para reabsorver o desemprego actual seria necessário um crescimento estável de 3% por ano, sobre vários anos. Seria necessário por conseguinte uma retoma forte e duradoura da actividade económica, única forma capaz de criar empregos sobre o longo prazo. Estamos bem longe mas exactamente o que é que se faz ?

A política pública, mesmo que ela não se saiba substituir-se ao mercado, pode ajudar a criar um clima favorável ao nascimento e ao desenvolvimento das empresas inovadoras e eficazes. A política pública deve poder tomar uma posição face ao deferir dos grandes investimentos das indústrias de alta tecnologia mas além disso, é um quadro geral propício à expressão do espírito de empresa e de inovação que é necessário pôr em lugar. Ora, este governo como todos os governos que o precederam tenta sempre dar prioridade à resposta às coisas mais urgentes pondo em marcha – o que sobretudo não é necessário fazer – políticas de ajuda às pessoas desempregadas e às empresas susceptíveis de contratarem gente. O governo jura apenas pelos empregos subvencionados.

No entanto, um emprego subsidiado é um imposto a mais e é uma reforma a menos.

Vemos assim desfilar uma antologia inteira de políticas públicas consideradas activas e que podem assumir formas muito variadas, tais como auxílios à formação e à aprendizagem, à assistência à procura de emprego, à criação de emprego subsidiado, no sector público ou no sector privado, a nível nacional ou regional. Os eleitos estão contentes: podem ser fotografados com os jovens em estágio de inserção, mas toda essa política é uma verdadeira farsa. Estas acções são dispendiosas para os contribuintes sem que os seus resultados sejam realmente garantidos. Um estudo recente[3] que resume a pesquisa sobre os impactos das diferentes políticas de ajuda para o emprego em todo o mundo, mostra que os efeitos são muitas vezes muito baixos. Eles não são positivos senão depois de alguns anos, quando as economias estão em situação prolongada de recessão e quando as medidas contribuem para a acumulação de capital humano (formação, aprendizagem).

Os vários contratos de apoio ao emprego são um dos avatares dessas políticas activas de emprego, que não são outra coisa senão assistência social disfarçada de estágios mal remunerados, mas são sempre lucros para os patrões que, além disso, estão sempre e com muita frequência a pedir mais ao governo. Mesmo se estas fórmulas podem conhecer um êxito claro, isto não é o que pode ser chamado de política económica, mas sim de um remendo conveniente que não serve nem os empregados nem os empregadores, porque apenas os conforta, a ambos, nessa mentalidade de não obter do Estado senão formas de não pagar impostos, de escapar aos encargos ou de se fazer sustentar.. Para os municípios ou regiões, pode oferecer cada vez mais uma solução cómoda para agradar a alguns eleitores. No lado das empresas, é sempre uma boa oportunidade de obter mão-de-obra barata. Mas, na realidade, esses estágios não levam a nada, raramente geram empregos estáveis ​​ excepto, e é o cúmulo, no caso dos funcionários nacionais ou territoriais, em que, por hábeis pressões sindicais, muitas vezes se consegue perpetuar empregos contudo inúteis.

É necessário por conseguinte acabar com os estágios e as políticas de ajuda ao emprego. É necessário decidir que nunca se deve recorrer a este tipo de subsídios.

É necessário substituir aos empregos ajudados uma política de financiamento dos empréstimos às empresas criativas ou que preservam os postos de trabalho. Não é necessário continuar a ajudar a criar empregos fictícios que nunca teriam sido criados ou salvos sem as ajudas estatais mas sim orientar os recursos para a criação de empregos reais e novos. É necessário inscrever-se este comportamento numa verdadeira dinâmica económica de mercado. A urgência não é a de criar empregos em sectores protegidos mas sim a de criar um ambiente propício à inovação e ao dinamismo dos empresários, e estes são os verdadeiros soldados da economia.

É necessário suprimir todas as ajudas sociais, incluindo a indemnização de desemprego para as substituir e definir o rendimento universal francês [4]. É necessário completar o rendimento universal “por uma flexi-segurança ” ou seja uma protecção bem concebida das pessoas que perdem o seu emprego e uma redução dos regulamentos vinculativos sobre o mercado do trabalho.

 

Michel Lhomme, Revista Metamag, LA FRANCE AUJOURD’HUI – Quelle politique économique ? Texto disponível em :

http://www.metamag.fr/metamag-3179-LA-FRANCE-AUJOURD-HUI.html

 

[1] Veja-se Le Monde : Le taux de chômage en France est bien dans la moyenne européenne

En savoir plus sur http://www.lemonde.fr/les-decodeurs/article/2015/07/28/le-taux-de-chomage-en-france-dans-la-moyenne-europeenne_4702487_4355770.html#3cvgmpXAZg3yywK6.99.

[2] Veja-se « Migrants »: les francs-maçons en appellent aux gouvernements.

[3] Veja-se Active Labor Market Policy Evaluations:A Meta-Analysis, de David Card,

Jochen Kluve e Andrea Weber

[4] Significa que o Estado garante a cada cidadão um rendimento individual, sem condições de recursos nem de contrapartidas, a todos os cidadãos (muito frequentemente   desde os 18 anos e até à morte ), para lhes permitir viver decentemente se bem que modestamente do ponto de vista material. Alguns autores, no caso francês, propõem uma quantia entre 450 e 1000 euros. .

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