Os refugiados da Síria fogem da guerra, da fome, da falta de escolas, da escassez de recursos médicos, fogem desesperadamente como todos os refugiados…preferem morrer a voltar para trás, mas voltam para trás em troca da entrega dos seus filhos a estranhos que mais facilmente garantam a entrada na Europa.
Avançam pela Europa onde as fronteiras tinham sido abolidas e os muros derrubados, mas as fronteiras e os muros ergueram-se de novo. Para quê?
Como já se tem provado ao longo dos tempos, não são fronteiras nem muros que impedem as pessoas de lutarem por uma vida melhor.
As fronteiras e os muros ergueram-se para mostrar que não aprendemos com a História dos factos e das ideologias. Quem os manda erguer são os tiranos “civilizados” que põem em forma de letra a autoridade totalitária e as regras que vão selecionar quem recebe quem…
Uma vida melhor todos a vão ter, pois já não estão dentro da guerra.
Antes de chegarem aos muros, ao arame farpado, ao corpo da polícia bem armada, são recebidos por pessoas que espontaneamente lhes estendem os braços, lhes sorriem e deixam escapar uma lágrima que tinham ao canto do olho. Pessoas que estão dispostas a facultar habitação e emprego.
Não tenho dúvidas de que a humanidade é generosa, mas a generosidade não permite guerras, não admite que os mercados sejam mais valiosos do que as pessoas.
Quantas e quantas vezes já os povos se levantaram para proteger outros povos…A generosidade contém em si a liberdade, a fraternidade e a igualdade.
Os cidadãos europeus reconhecem-lhes o direito à fuga, reprovam a guerra…e novamente uma imagem de um jovem pai, com o filho exausto ao colo, a fugir da morte…e outra vez a imagem de uma mulher desesperada que se perdeu da família…
E mais uma imagem de vagas de multidões a dirigirem-se para os comboios que os levarão até ao campo de refugiados que os espera.
E o nosso coração, que tem memória, bate forte.
E o nosso Eu fica pequenino, pequenino à espera…
Mas o Mundo não é feito só de pessoas com o coração, com memória, a bater muito, e com os seus Eus pequeninos.
Os mandadores sem lei não chegaram a acordo quanto ao auxílio que a europa pode dar aos refugiados. Estes mandadores sem lei vendem armas a quem faz a guerra, fazem as páginas negras da História.