Encarapuçados de mar
com exposições aos pontapés
andam empalhados no ar
entulhando as marés.
Brincam gaivotas nas espadas
dos figurões entediados
arqueologia desce as escadas
dos arquitectos contratados.
Há mercenários nos campos
e cruzados nas secretarias
o triunfo nas estica os arcos
poucos sabem da pontaria.
Olham esfarrapados a terra
feridas que vão surgir
ninguém sabe que encerra
esta vontade de fugir.
Batalham papéis à solta
saem textos sensacionais
o mundo deu uma volta
Portugal nunca mais.
Carimbos gloriosos
avançam na auto-estrada
com lusíadas ociosos
em grande cilindrada.
Quando o sol de põe
lá vai o burocrata
cobrar a Pedro Sem
o preço da gravata.
Nunca mais sob a Lua
poetou Pedro Sem
a terra que foi sua
é outro que a tem…
De manhã há quem espreite
e à tarde não sei o quê
à noite há quem se deite
aconchegado num porquê

