CARTA DE ÉVORA -Náuseas – por Joaquim Palminha Silva

carta de évora

Encarapuçados de mar

com exposições aos pontapés

andam empalhados no ar

entulhando as marés.

Brincam gaivotas nas espadas

dos figurões entediados

arqueologia desce as escadas

dos arquitectos contratados.

Há mercenários nos campos

e cruzados nas secretarias

o triunfo nas estica os arcos

poucos sabem da pontaria.

Olham esfarrapados a terra

feridas que vão surgir

ninguém sabe que encerra

esta vontade de fugir.

Batalham papéis à solta

saem textos sensacionais

o mundo deu uma volta

Portugal nunca mais.

Carimbos gloriosos

avançam na auto-estrada

com lusíadas ociosos

em grande cilindrada.

Quando o sol de põe

lá vai o burocrata

cobrar a Pedro Sem

o preço da gravata.

Nunca mais sob a Lua

poetou Pedro Sem

a terra que foi sua

é outro que a tem…

De manhã há quem espreite

e à tarde não sei o quê

à noite há quem se deite

aconchegado num porquê

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