TEXTOS DE REFLEXÃO SOBRE A CRISE NA EUROPA E OS MIGRANTES – 7. MAS O QUE É QUE FAZ RECUAR ANGELA MERKEL? ERROS E CONSEQUÊNCIAS PODEM-LHE CUSTAR CARO – por JEAN BONNEVEY

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Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

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7. Mas o que é que faz recuar ANGELA MERKEL?

Erros e consequências podem-lhe custar caro

Jean Bonnevey, MAIS QU’EST-CE QUI FAIT RECULER ANGELA MERKEL? Erreurs et conséquences peuvent lui coûter cher

Revista Metamag, 14 de Setembro de 2015  

 

Tínhamo-lo  sublinhado desde o princípio da crise dos migrantes, a CSU bávara, ala direita  da coligação de Angéla Merkel, aos lados da CDU não podia aceitar a submersão de Munique por uma migração incontrolada. Ultrapassada pelo afluxo recorde de refugiados às suas fronteiras, a Alemanha mudou  repentinamente e no sentido oposto a sua  posição, neste  Domingo. Enquanto que 63.000 migrantes chegaram à Munique, no Sul do país, no espaço de 15 dias, e 13.000 só  num só dia, o de sábado, o país decidiu  restabelecer os controlos nas suas  fronteiras, nomeadamente com a Áustria, no domingo, suspendendo assim as modalidades do acordo de Schengen sobre a livre circulação.

As imagens da Baviera invadida traumatizaram os outros landers alemães. As sondagens não publicadas manifestaram uma  inversão  da opinião pública. A emoção solidária deixou lugar à apreensão humana étnica e religiosa tal como nos países do leste.

As manifestações de oposição à política da porta aberta multiplicam-se, mesmo não mediatizadas, e uma vaga de xenofobia proporcional à da chegada dos estrangeiros começa a disparar .

Por último a possibilidade da penetração terrorista, enquanto que não há nenhum  controlo, tornou-se uma realidade indiscutível com o recrutamento salafista  dos migrantes. Os serviços de segurança avisaram a chanceler  que poderia ser responsável da impossibilidade de controlar os novos djihadistes. Com efeito Merkel, a generosa, tornou-se para muito, Merkel a  irresponsável.

Ela tenta  por conseguinte uma marcha atrás e  a toda a  velocidade para influenciar os outros países europeus e deixar  de estar a  apresentar a Alemanha  como a mãe alimentadora dos  refugiados e clandestinos. À Berlim ouvem-se as  risadas dos  húngaros e polacos e o mau humor austríaco. Uma  nova viragem  decisiva  para a Europa  uma vez que  o famoso acordo de Schengen, vaca   sagrada da livre circulação no interior  da Europa  em que seria impossível  mexer,   é suspenso por decisão unilateral  de  Angela Merkel e possivelmente até que se siga a sua morte.

O acordo de Schengen , assinado  em Junho de 1985, entrou em vigor a  26 de Março de 1995, prevê a livre circulação dos bens e as pessoas, o que implica a eliminação dos controlos transfronteiriços entre os países signatários, encarregados além disso de reforçar a vigilância das fronteiras externas do  espaço Schengen, que conta actualmente 26 Estados-Membros.

Mas os textos autorizam efectivamente  a suspensão excepcional destas regras. O artigo 2 da Convenção de aplicação do acordo de Schengen prevê assim no seu segundo parágrafo o restabelecimento dos controlos às fronteiras internas, no caso de necessidade. “Quando a ordem pública ou a segurança nacional o exigem…..”

Assim a  chanceler  dos migrantes reconhece que a sua política perturba a ordem pública e põe em perigo a segurança nacional. Se é ela que o diz .

Ver o original em:

http://www.metamag.fr/metamag-3181-MAIS-QU%E2%80%99EST-CE-QUI-FAIT-RECULER-ANGELA-MERKEL-.html

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