Editorial – A Europa contra Portugal

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EDITORIAL – A EUROPA CONTRA PORTUGAL

Amanhã, domingo, 4 de Outubro, temos eleições em Portugal. Uma coisa é certa: qualquer que seja o resultado das eleições, o nosso país vai continuar a ter problemas com a União Europeia (UE). É do conhecimento geral que a política de austeridade veio para ficar, embora todos, incluindo os que a puseram em prática, declarem estar contra ela, ou que ela já terminou. A dívida pública, sobre a qual continua a não ser feito um grande esclarecimento nacional, vai muito provavelmente crescer e reforçar o seu peso negativo na vida (da maioria) de todos nós. A economia portuguesa vai continuar a desaparecer e o desemprego a aumentar. E Bruxelas é o maior obstáculo à alteração da situação. As duas forças políticas do chamado arco da governação, desde sempre próximas da oligarquia europeia, procuram esconder que, caso ganhem, vão puramente e simplesmente seguir as directrizes de Bruxelas, melhor dito, de Berlim. As restantes forças que estão no terreno, com poucas hipóteses, procuram tecer cenários alternativos, incluindo procurar alianças com forças políticas de outros países europeus, mas têm um longo caminho a percorrer.

Ao nível da Europa, as peripécias que vão ocorrendo põem cada vez mais em evidência o domínio alemão. O escândalo da Volkswagen é um abalo forte, por pôr em causa a imagem de rigor e seriedade que os germânicos gostam de impor ao mundo, mas não deve ser suficiente para fazer perigar o seu domínio sobre os outros países da zona euro. O referendo sobre a permanência do Reino Unido na UE produziria algum impacto, até porque a Escócia poderia tentar outra vez sair do domínio de Londres, com o pretexto de regressar ao de Berlim (não vão pôr o problema assim, claro), e haver um recrudescimento da agitação na Irlanda do Norte, mas é cedo para saber se o prometido referendo vai avante, ainda por cima com as hostes conservadoras e financeiras britânicas em pânico por Jeremy Corbyn, que consideram um perigoso  esquerdista, ter sido eleito líder do partido trabalhista. Enquanto não o derrubarem é duvidoso que queiram forçar a saída da UE. E de qualquer modo, o reino de Isabel II vai continuar a ser uma carta fora do baralho europeu, mas sem que isso traga vantagens para as nações vítimas do euro e da austeridade. A Alemanha assim vai ter as mãos livres para reforçar o seu domínio sobre os restantes países da zona euro, até mesmo sobre a França. Nem uma eventual aprovação do TTIP/TAFTA, ou o aumento das tensões com a Rússia o porão em risco, até porque, no caso do primeiro, a Alemanha está muito bem preparada para enfrentar a competição das firmas norte-americanas (mesmo após o caso Volkswagen), e a política de austeridade põe-na ao abrigo da concorrência das outras nações europeias, que são quem vai suportar os custos do tratado transatlântico. Com Putin, ou quem estiver à frente da Rússia, também não será difícil negociar, pois a Alemanha, para os russos, será sempre um interlocutor melhor do que os Estados-Unidos, sem necessidade de nenhum novo pacto Brest-Litosk, ou Molotov- Ribbentrop, conforme os cenários, à moda do século XXI.

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