CAROLINA ÂNGELO por Luísa Lobão Moniz

olhem para  mim

Neste momento estão a decorrer as eleições para a Assembleia da República.

 Mulheres candidatam-se e votam livremente.

Nas primeiras eleições, depois de implantação da República, as mulheres estavam proibidas de votar.

Só podiam votar os chefes de família que, inquestionavelmente, era Homem e tinha que saber ler.

Tão inquestionável era esta proibição que a lei não precisava de mencionar o género do votante, se era para decidir era Ele e não Ela, era o Ele que soubesse ler.

A lei não precisava de ter a palavra  proibido. Esta proibição estava inscrita na sociedade.  Nesta brecha da legislação que não nomeava o género de quem podia votar, Carolina Beatriz Ângelo aproveitou a falta de precisão, para poder votar.

Carolina foi a primeira Mulher a votar em Portugal.

Era médica, sabia ler, era viúva, tinha filhos, por isso, chefe de família, logo votante.

Quem disse que o chefe de família era só e apenas o Homem?

 Depois de um longo processo de lutas e batalhas, no dia 5 de Outubro de 1910 é proclamada a República Portuguesa, da varanda, da actual Câmara Municipal de Lisboa.

É este dia, tão importante para a História de Portugal, que o Partido Social Democrata e o CDS/ Partido Popular retiraram da História de Portugal porque os mercados apreciariam que os Portugueses trabalhassem no feriado da Implantação da República.

Nunca ninguém explicou aos Portugueses qual tinha sido o resultado desse dia de trabalho forçado.

 Aguardemos que devolvam ao Povo a dignidade desse dia.

Foi aprovado na Assembleia da República o fim deste feriado Nacional.

A Voz do Povo não se fez ouvir colectivamente, mas em cada local de trabalho ficou a indignação, ficou o sentimento de que o voto, às vezes, não traduz o sentimento popular.

Os boletins de voto continuam a entrar na urna…democraticamente.

Durante a escolaridade, as nossas crianças e jovens ouvem falar e lêem sobre Democracia. O que é afinal? É os meus pais irem votar?

Uma sociedade só é democrática se viver em democracia. A organização escolar não contempla uma gestão democrática. Nem todos os professores, que integram a Direcção do seu Agrupamento, foram eleitos pelos seus pares, foram sim nomeados.

Na sala de aula, são tantos os alunos que Nuno Crato mandou inscrever numa só turma, nada é democrático. Não há co-responsabilidade, há o grito, há a indisciplina, há as sanções ditadas pelo processo disciplinar. Os alunos não fazem parte do poder de avaliar o comportamento do colega… a “culpa” é da família, porque não se pode recuar mais na vida de ninguém.

A Escola tem muita dificuldade em gerir conflitos porque a regulação dos comportamentos indisciplinados não se resolve com sanções cada vez “mais fortes”, onde está o regulamento democrático das escolas, senhor ministro? Porque é que não é dado às escolas mais tempo, menos alunos por turma, para que em primeiro lugar os alunos vivessem em democracia?

Se as crianças vivessem nas escolas, com regras democraticamente elaboradas por todos, quando adultas, estas, saberiam que não se vota naquele que mais promete, mas naquele com quem se tem afinidades ideológicas.

É o povo que ganha ou perde através do seu boletim de voto.

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