A Liberdade, a cultura, a democracia e a justiça social são as nossas paixões.
O que conta, neste tipo de iniciativas, onde são investidos muitos milhões de euro/dólares, é que o papa e o Vaticano se afirmem e as populações mais sofridas fiquem com a ilusão de que ele e o seu sistema eclesiástico se preocupam com elas. Na realidade, não se preocupam, a não ser no sentido de mantê-las dentro das suas fileiras eclesiásticas e, se possível, atrair ao rebanho as que ele e o sistema eclesiástico têm como tresmalhadas. Os chefes das nações e do império, anfitriões do papa, também saem a ganhar, e muito, com este tipo de visitas, pois vêem o seu poder político sobre as populações muito mais reforçado, graças à bênção do papa e do seu deus, o mesmo da bíblia judeo-cristã e do Alcorão. Nos antípodas do Deus de Jesus que não tem papas nem chefes de estado, nem sacerdotes, nem forças armadas, nem bombas atómicas. Apenas filhas muito amadas, filhos muito amados, o primogénito dos quais é Jesus, crucificado pelos sacerdotes do templo e pelo império, para, desse modo, se continuar a cumprir a Escritura (Bíblia-Alcorão) do idolátrico deus-poder.
O show papa Francisco, ainda mais do que o show João Paulo II tem em mira desviar as atenções dos povos das nações dos escândalos da Cúria roimana, do Banco do Vaticano e dos crimes da pedofilia do clero. Neste particular, tem de se reconhecer que está a dar um resultadão. Até certos agnósticos e ateus, bem falantes, em busca de fama e de proveito, assim como partidos políticos de direita e de esquerda, embarcam habilmente na onda e fazem questão de reproduzir uma ou outra frase mais bombástica, proferida pelo papa Francisco. Com isso, retiram-lhe qualquer dimensão de incomodidade que essas palavras pudessem ter. Reproduzem-nas, na expectativa de se reforçarem perante as populações, e às suas ambições de mais poder, mais domínio, mais votos nas múltiplas eleições com que as democracias ocidentais mascaram as ditaduras financeiras que efectivamente são. O papa é o poder. Pelo que não há volta a dar, uma vez que o poder é mau, intrinsecamente mau. Rotule-se de democrático ou de ditatorial. Com uma diferença: O ditatorial mostra-se em toda a sua crueza, crueldade. Sem fingimento. O democrático não lhe fica atrás, em crueza, crueldade, mas leva as populações a pensar que todas as medidas duras, cruéis, sádicas que tomam, são inevitáveis. E não são!
Há ainda outra qualitativa diferença a ter em conta: Nas ditaduras, há sempre quem clandestinamente se organize, reúna, converse, tome decisões e entre em arriscada acção política no terreno, o que leva a gerar abnegados militantes, capazes de actos nobres, de notável grandeza humana-moral. Por outro lado, o mal sabe-se bem onde está, uma vez que o respectivo tecido social é quase todo a preto-e-branco. Já nas democracias, os mais corruptos são os respectivos chefes dos governos das nações, e os seus ministros. Reunem regularmente à porta fechada, longe das populações e, no final, chamam os jornalistas ao seu serviço, lêem-lhes comunicados ou entregam-lhos já digitalizados, para eles reproduzirem as partes que mais lhes interessarem. Acresce ainda que, se há populações domesticadas, anestesiadas, alienadas de si próprias e dos problemas colectivos, perdidas em futilidades e em revistas cor de rosa, é precisamente nas democracias. As democracias no todo-poderros mundo financeiro, têm o terrível condão de tornar pequenas as almas das populações, preocupadas com os enredos das novelas diárias e com os resultados dos jogos do futebol dos milhões, servido por montanhas de comentadores residentes, um por cada uma das SADs, disfarçadas de Clubes de futebol!!!
O show papa Francisco pelas Américas teve momentos aparentemente interessantes, quase a roçar o perturbador, em certas mentes conservadoras, como são as mentes católicas das hierarquias episcopais-paroquiais e das elites leigas instaladas nos seus privilégios. Inserem-se neste âmbito, toda a viagem a Cuba, com o pormenor de ser a terceira viagem papal em poucos anos. Três papas seguidos em Cuba, num reduzido número de anos, dizem bem do empenho da Cúria romana em voltar a ser a dona, senhora das mentes-consciências das populações, depois do prolongado interregno iniciado com o triunfo da Revolução Sierra Maestra e continuado sob o regime de Fidel, ultimamente, de Raul-Fidel, dois irmãos, a mesma luta. O prolongado interregno está praticamente encerrado. Sem que a generalidade dos cubanos de aperceba. Para seu mal.
Os três últimos papas que protagonizaram as três viagens sabem bem o que fazem. As ordens da Cúria romana foram acatadas e executadas com manifesto sucesso. Pelo que os respectivos executores papais merecem ser premiados em máximo grau. A verdade é que João Paulo II já foi canonizado e é santo de altar. Bento XVI vai a caminho, depois de aparentemente ter abdicado para dar lugar a outro, uma abdicação acompanhada de uma farisaica declaração ao mundo de que iria recolher-se em oração. Mas no coração do Vaticano, com todas as regalias de papa emérito e toda a segurança, não à intempérie, na sua Alemanha natal. E o papa Francisco já está a ser aclamado e tratado como messias salvador da igreja, em tudo quanto é grande media do poder financeiro. Tudo o que diz e faz provoca riso, histeria, palmas, ruído, muito ruído. Basta aparecer com aquelas inconfundíveis vestes brancas sob a quais se escondem sinistros objectivos de domínio ideológico-teológico universal, que é o que quer dizer o conceito católico. Frutos de vida de qualidade, no ser-viver dos povos dos países visitados, ninguém os vê. O que se vê é o poder de Roma mais e mais reforçado, inclusive, no império USA, sofisticadamente armádo.
Três papas seguidos em Cuba já liquidaram de vez a Revolução. É hora do império USA voltar a ocupar o país e impor o viver à americana às populações. Sinal de que nem a Revolução Sierra Maestra conseguiu mudar o ser-viver das populações cubanas, embora tivesse dado importantes passos nesse sentido, nomeadamente, na geração que viveu o entusiasmo da Revolução. Já no império USA, foi o previsível apresionamento do papa, sob o disfarce de decisões nunca antes tidas com outros chefes de Estado. Nem mesmo com nenhum outro papa. O ego do papa Francisco foi ao mais alto de todos os céus, mas os efeitos práticos de tudo o que disse e fez, são menos do que zero. Os clérigos do topo do império rejubilaram com a chegada e a despedida do papa, porque, depois deste show papal, eles continuam reis senhores naquele chão imperial, nos antípodas do chão de Jesus, que é o mesmo das vítimas, por isso, um crucificado como elas. Não um aplaudido e engrandecido como o papa Francisco. Acordemos.
Segundo os dicionários e a wikipedia, Papa é um nome carinhoso para Pai.
Atente-se então a Mateus 23:9
“E a ninguém na terra chameis vosso pai, porque um só é o vosso Pai, o qual está nos céus.”