FRATERNIZAR – Desta vez, a sua viagem foi pelas Américas – O QUE FICA DO SHOW PAPA FRANCISCO? – por Mário de Oliveira

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Por tudo o que os media portugueses seleccionaram-divulgaram sobre a longa viagem do papa Francisco pelas Américas, com destaque para Cuba, a de Fidel-Raul, e para EUA, o império de Obama, o que fica na memória cordial das populações desses países e do mundo em geral, é pouco mais do que o já habitual show papa Francisco. Poucos dias depois de ter sido concluído este prolongado show papa Francisco, bem se pode dizer que tudo o vento levou. Os problemas reais das populações visitadas, e das populações do mundo real continuam todos lá, depois deste show, e, porventura, ainda mais agravados. As vítimas dos poderes continuam a crescer em número e em requinte de selvajaria, que os holofotes têm esse pérfido condão de deixar as populações ainda mais perdidas, mais encandeadas, mais cegas, mais às apalpadelas, mais alienadas delas próprias, mais dependentes, mais reduzidas à sua insignificância. As consciências dos povos não foram minimamente tocadas-mudadas, a não ser para pior.

O que conta, neste tipo de iniciativas, onde são investidos muitos milhões de euro/dólares, é que o papa e o Vaticano se afirmem e as populações mais sofridas fiquem com a ilusão de que ele e o seu sistema eclesiástico se preocupam com elas. Na realidade, não se preocupam, a não ser no sentido de mantê-las dentro das suas fileiras eclesiásticas e, se possível, atrair ao rebanho as que ele e o sistema eclesiástico têm como tresmalhadas. Os chefes das nações e do império, anfitriões do papa, também saem a ganhar, e muito, com este tipo de visitas, pois vêem o seu poder político sobre as populações muito mais reforçado, graças à bênção do papa e do seu deus, o mesmo da bíblia judeo-cristã e do Alcorão. Nos antípodas do Deus de Jesus que não tem papas nem chefes de estado, nem sacerdotes, nem forças armadas, nem bombas atómicas. Apenas filhas muito amadas, filhos muito amados, o primogénito dos quais é Jesus, crucificado pelos sacerdotes do templo e pelo império, para, desse modo, se continuar a cumprir a Escritura (Bíblia-Alcorão) do idolátrico deus-poder.

O show papa Francisco, ainda mais do que o show João Paulo II tem em mira desviar as atenções dos povos das nações dos escândalos da Cúria roimana, do Banco do Vaticano e dos crimes da pedofilia do clero. Neste particular, tem de se reconhecer que está a dar um resultadão. Até certos agnósticos e ateus, bem falantes, em busca de fama e de proveito, assim como partidos políticos de direita e de esquerda, embarcam habilmente na onda e fazem questão de reproduzir uma ou outra frase mais bombástica, proferida pelo papa Francisco. Com isso, retiram-lhe qualquer dimensão de incomodidade que essas palavras pudessem ter. Reproduzem-nas, na expectativa de se reforçarem perante as populações, e às suas ambições de mais poder, mais domínio, mais votos nas múltiplas eleições com que as democracias ocidentais mascaram as ditaduras financeiras que efectivamente são. O papa é o poder. Pelo que não há volta a dar, uma vez que o poder é mau, intrinsecamente mau. Rotule-se de democrático ou de ditatorial. Com uma diferença: O ditatorial mostra-se em toda a sua crueza, crueldade. Sem fingimento. O democrático não lhe fica atrás, em crueza, crueldade, mas leva as populações a pensar que todas as medidas duras, cruéis, sádicas que tomam, são inevitáveis. E não são!

Há ainda outra qualitativa diferença a ter em conta: Nas ditaduras, há sempre quem clandestinamente se organize, reúna, converse, tome decisões e entre em arriscada acção política no terreno, o que leva a gerar abnegados militantes, capazes de actos nobres, de notável grandeza humana-moral. Por outro lado, o mal sabe-se bem onde está, uma vez que o respectivo tecido social é quase todo a preto-e-branco. Já nas democracias, os mais corruptos são os respectivos chefes dos governos das nações, e os seus ministros. Reunem regularmente à porta fechada, longe das populações e, no final, chamam os jornalistas ao seu serviço, lêem-lhes comunicados ou entregam-lhos já digitalizados, para eles reproduzirem as partes que mais lhes interessarem. Acresce ainda que, se há populações domesticadas, anestesiadas, alienadas de si próprias e dos problemas colectivos, perdidas em futilidades e em revistas cor de rosa, é precisamente nas democracias. As democracias no todo-poderros mundo financeiro, têm o terrível condão de tornar pequenas as almas das populações, preocupadas com os enredos das novelas diárias e com os resultados dos jogos do futebol dos milhões, servido por montanhas de comentadores residentes, um por cada uma das SADs, disfarçadas de Clubes de futebol!!!

O show papa Francisco pelas Américas teve momentos aparentemente interessantes, quase a roçar o perturbador, em certas mentes conservadoras, como são as mentes católicas das hierarquias episcopais-paroquiais e das elites leigas instaladas nos seus privilégios. Inserem-se neste âmbito, toda a viagem a Cuba, com o pormenor de ser a terceira viagem papal em poucos anos. Três papas seguidos em Cuba, num reduzido número de anos, dizem bem do empenho da Cúria romana em voltar a ser a dona, senhora das mentes-consciências das populações, depois do prolongado interregno iniciado com o triunfo da Revolução Sierra Maestra e continuado sob o regime de Fidel, ultimamente, de Raul-Fidel, dois irmãos, a mesma luta. O prolongado interregno está praticamente encerrado. Sem que a generalidade dos cubanos de aperceba. Para seu mal.

Os três últimos papas que protagonizaram as três viagens sabem bem o que fazem. As ordens da Cúria romana foram acatadas e executadas com manifesto sucesso. Pelo que os respectivos executores papais merecem ser premiados em máximo grau. A verdade é que João Paulo II já foi canonizado e é santo de altar. Bento XVI vai a caminho, depois de aparentemente ter abdicado para dar lugar a outro, uma abdicação acompanhada de uma farisaica declaração ao mundo de que iria recolher-se em oração. Mas no coração do Vaticano, com todas as regalias de papa emérito e toda a segurança, não à intempérie, na sua Alemanha natal. E o papa Francisco já está a ser aclamado e tratado como messias salvador da igreja, em tudo quanto é grande media do poder financeiro. Tudo o que diz e faz provoca riso, histeria, palmas, ruído, muito ruído. Basta aparecer com aquelas inconfundíveis vestes brancas sob a quais se escondem sinistros objectivos de domínio ideológico-teológico universal, que é o que quer dizer o conceito católico. Frutos de vida de qualidade, no ser-viver dos povos dos países visitados, ninguém os vê. O que se vê é o poder de Roma mais e mais reforçado, inclusive, no império USA, sofisticadamente armádo.

Três papas seguidos em Cuba já liquidaram de vez a Revolução. É hora do império USA voltar a ocupar o país e impor o viver à americana às populações. Sinal de que nem a Revolução Sierra Maestra conseguiu mudar o ser-viver das populações cubanas, embora tivesse dado importantes passos nesse sentido, nomeadamente, na geração que viveu o entusiasmo da Revolução. Já no império USA, foi o previsível apresionamento do papa, sob o disfarce de decisões nunca antes tidas com outros chefes de Estado. Nem mesmo com nenhum outro papa. O ego do papa Francisco foi ao mais alto de todos os céus, mas os efeitos práticos de tudo o que disse e fez, são menos do que zero. Os clérigos do topo do império rejubilaram com a chegada e a despedida do papa, porque, depois deste show papal, eles continuam reis senhores naquele chão imperial, nos antípodas do chão de Jesus, que é o mesmo das vítimas, por isso, um crucificado como elas. Não um aplaudido e engrandecido como o papa Francisco. Acordemos.

1 Comment

  1. Segundo os dicionários e a wikipedia, Papa é um nome carinhoso para Pai.
    Atente-se então a Mateus 23:9

    “E a ninguém na terra chameis vosso pai, porque um só é o vosso Pai, o qual está nos céus.”

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