
Um Nome
Poema: Eugénio de Andrade (in “Mar de Setembro”, Porto: Imprensa Portuguesa, 1961; “Poesia”, 2.ª edição, org. Arnaldo Saraiva, Porto: Fundação Eugénio de Andrade, 2005 – p. 112)
Música: Fernando Lopes-Graça (ciclo “Mar de Setembro”, 1962)
Intérpretes: Fernando Serafim & Fernando Lopes-Graça* (in 10CD “Centenário Fernando Lopes-Graça (1906-1994) – Arquivos da RDP”: CD8, RDP-Radiodifusão Portuguesa, 2006)
Di-lo-ei pela cor dos teus olhos,
pela luz
onde me deito;
di-lo-ei, Deus de perdoe, pelo ódio,
pelo amor
com que toquei as pedras nuas,
por uns passos verdes de ternura,
pelas adelfas,
quando as adelfas nestas ruas
podem saber a morte;
pelo mar
azul,
azul-cantábrico, azul-bilbau,
quando amanhece;
di-lo-ei pelo sangue
violado
e limpo e inocente;
por uma árvore,
uma só árvore, di-lo-ei:
Guernica!
Nota: O trecho “di-lo-ei, Deus de perdoe, pelo ódio,/ pelo amor” foi posteriormente modificado pelo autor surgindo na edição canónica da poesia reunida (“Poesia”, Fundação Eugénio de Andrade, 2005) com a forma “di-lo-ei pelo ódio, pelo amor”.
