UMA CARTA DO PORTO – Por José Magalhães (edição especial)

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O JOÃO JOSÉ

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Tomei conhecimento da morte do JJC no Domingo de manhã, através de um “email” que o Ricardo me mandara no Sábado pelas 16h30, e a notícia bateu-me forte. Dizia simplesmente que o JJC tinha falecido durante a noite de Sábado. E uma dor imensa se abateu sobre mim.
O João José foi meu amigo, companheiro e confidente durante alguns anos. Por essa razão fui várias vezes a Coimbra só para falar com ele. Talvez por isso, quando nos afastamos, me doeu tanto. Nunca deixei de ser seu amigo, olhando-o de longe, com um olhar amargo.
O nosso afastamento foi provocado, em primeira instância, pela minha teimosia, e depois pelo seu brilhante e irritante mau feitio, e pela sua obstinação, que o levava a combater com convicção e por vezes com alguma violência, o que sentia ser errado, não aceitando meias medidas.
Estive com ele, pela última vez, este ano, no almoço de aniversário do Aventar (tínhamos sido dos primeiros que o Ricardo convidara para lá escrevermos). Teimosos, ele e eu, mal nos falámos. Durante o “nosso” período de afastamento, trocávamos mensagens através do telemóvel na passagem de ano. E nos dois últimos anos, ficamo-nos por aí.
Ia, no entanto, de vez em quando ler o que ele escrevia, e, apesar de sermos politicamente incompatíveis, muita coisa havia com a qual eu concordava.
O João José, tinha muitas mais qualidades do que defeitos. Para além de mais, era um bom homem, melhor, um Homem bom, generoso, trabalhador, com uma personalidade forte e indomável, e um lutador incansável.
A cada passo pensava que um dia destes haveria de ir a Coimbra procurá-lo e apagar aquele desentendimento. Já não vou a tempo, e disso muito me arrependo.
Não soube da doença, não soube do internamento, só soube deste desfecho.
Desapareceu a Alma do Aventar, mas o João José não desaparecerá nunca. Deverá o Aventar lutar para eternizar a sua memória.
Até sempre, meu Amigo.

Num almoço do Aventar, há alguns anos
Num almoço do Aventar, há alguns anos

José Magalhães

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