Inesperadamente, o reitor do santuário de Fátima aproveitou o 13 de Outubro deste ano, para acusar forte e feio o poder político de Portugal. Concretamente, acusa-o de “continuar a envergonhar-se de Fátima”. Tem toda a razão em acusar o poder político, como todo o poder, também e antes de mais o poder religioso, com destaque para o eclesiástico católico romano. Mas acusar o poder político do país, por este motivo, é um espanto. Mais do que espanto, é um escândalo! Porque carga de água o poder poítico tem de crer em Fátima? Quer, porventura, o reitor que os agentes principais do poder politico de Portugal peregrinem também para Fátima e contribuam com avultadas ofertas, isentas de impostos? Já não basta ao santuário de Fátima e à igreja católica romana em geral os inúmeros privilégios de que desfruta do poder político? Ainda quer mais? Que outra instituição no país, sobretudo, que outra multinacional religiosa goza de tantos privilégios como o Santuário de Fátima? Mas então o Estado português não é constitucionalmente laico? Aquela cabecinha do Pe. Carlos Cabecinhas, reitor do Santuário, ainda acha pouco a sem-vergonhice do poder político do Estado português casado com o Estado do Vaticano, via Concordata que já remonta a 1940, os anos de treva do salazarismo, o mesmo que tornou possível a mentira e o crime de Fátima, a de 1917 a 1930 (Fátima 1) e a de 1935 até aos nossos dias (Fátima 2)? O que hão-de dizer então as outras igrejas-religiões implantadas em Portugal que não beneficiam duma Concordata como a igreja católica?
As portuguesas, os portugueses desconheciam, até agora, este pecado do poder político de Portugal que a cabecinha do Pe. Carlos Cabecinhas foi capaz de engendrar. Pois se desconhecam, esse pecado acaba de ser agora confessado, não pelo próprio poder político, mas pelo reitor do Santuário. Como quem diz, Queixem-se, depois, de que as coisas por cá vão de mal a pior. Pois vão, que a senhora de Fátima, deusa cruel e vingativa, como todas as deusas, todos os deuses, não perdoa a quem se envergonha dela. A Agência Lusa é que no-lo garante e divulga. Ouviu-o directamente da boca do próprio, à margem das cerimónias rituais de todos os dias 13 de Maio a Outubro (em Agosto, deveria ser no dia 19, que foi quando, segundo garante o meu Livro FÁTIMA S.A., fundamentado na Documentação Crítica de Fátima, se deu a “aparição”). O profissional que ouviu o reitor sair-se com esta, nem queria acreditar no que ouvia. Não no-lo diz, mas subentende-se, na forma como articula a notícia. Naquele momento, deve ter pensado, entre o patético e o sério, Como andará a regular a cabecinha do Padre Carlos Cabecinhas?
Melhor fora que o actual reitor do santuário tivesse estado calado e recusasse conversar com a Lusa. Mas, certamente, agastado por ver que todo o protagonismo, nestes dias 13, de Maio a Outubro de cada ano, vai, inteiro, para o bispo de Leiria-Fátima, por sinal, com intervenções aos jornalistas e aos “peregrinos” todas a roçar o infantil e o rasca, quando, afinal, ele, e não o bispo, é que é o reitor do santuário, aproveitou esta oportunidade para gritar ao país e ao mundo que o reitor da multinacional Santuário de Fátima S.A é ele, não o bispo. Mais. Que o país e o mundo fiquem a saber, igualmente, que, se esta multinacional católica não arrasta ainda mais turistas e mais divisas para o Santuário e para o país, a culpa não é dele, é dos sucessivos governos, aos quais acusa de “envergonhar-se de Fátima” e de não fazerem o que é devido, no tocante à sua divulgação-promoção nos países da Europa e do mundo.
É pena que o jornalista da Lusa não lhe tenha perguntado o que, no seu douto entender, como reitor do Santuário, podem-devem os sucessivos governos fazer em concreto. Se o tivesse feito, provavelmente, teria ficado a saber que a cabecinha do Pe. Carlos Cabecinhas acalentará a ideia de passar a vir a ser regularmente convidado pelos agentes-mor do poder político de turno a integrar as diversas comitivas nas suas frequentes viagens ao estrangeiro. Enquanto os empresários de calçado e de outros ramos da indústria fazem os seus negócios e assinam novos contratos com empresários dos países visitados, o reitor do santuário, mai-los seus assessores, passarão a fazer também os negócios da sua empresa multinacional FATIMA $. A. e a assinar novos contratos de venda de terços de prata e de ouro, de imagens da senhora de fátima, de organização de procissões com o andor da “verdadeira” imagem ida directamente de Fátima para esse fim.
Deste modo, não serão só as praias do Algarve, a cozinha portuguesa e os diversos produtos portugueses a trazer milhares, milhões de novos turistas estrangeiros a Portugal. Também o Santuário de Fátima, conduzido pela cabecinha do seu reitor, Pe. Carlos Cabecinhas, fará outro tanto e até ultrapassará, e muito, todas as outras empresas sediadas no nosso país, em número de turistas e em entrada de divisas, camufladas de “donativos” para o Santuário, todos isentos de impostos, como mandam as boas regras do cristiansimo S.A. E quem diz divisas de “donativos”, diz divisas de dinheiro sujo que a senhora vestida de branco, mais brilhante que o sol miraculosamente lava. E, uma vez limpo, esse dinheiro que era sujo entra directamente nos bancos do país que, como se sabe, estão bem precisados dele. Nomeadamente, a CGD e o Banco de Portugal. Se bem que o Banco dos bancos em Portugal continue a ser o Santuário de Fátima S.A.
No decurso da conversa com a Lusa, o reitor teria desejado ir ainda mais longe. E só não foi, porque notou a cara de espanto do jornalista. No entender da sua cabecinha, o Santuário de Fátima está situado no centro do território nacional, servido já por auto-estradas com portagem. Por sinal, todas pagas pelo estado português, do qual emana o poder político. O reitor nem se lembrou desse benefício. E se se lembrou, dá-o por coisa óbvia e mais do que merecida. O que ele sonha, embora não o tenha explicitado, é que, para lá das auto-estradas, o poder político tenha a audácia de construir um aeroporto em Fátima. E vá ainda muito mais longe e escolha a cidade de Fátima para capital do país, em detrimento de Lisboa, porque, afinal, foi em Fátima que a senhora vinda do céu “apareceu”, não foi em Lisboa. E com a cidade de Fátima como capital do país, até os órgãos máximos do país são transferidos psra as proximidades do Santuário. O que o poder político gastará em construções de novos palácios, a rivalizar com a basílica da SS. Trindade, poupará em viagens pelo interior do país, porque Fátima está mais perto do norte e do sul do que Lisboa.. E, se em vez de continuar a envergonhar-se de Fátima, o poder político fizer do próprio Santuário S. A. a sede do governo da República, então acabaremos os campeões em todos os empreendimentos em que nos metermos, a começar pelo Futebol dos milhões.
A senhora de Fátima a presidir ao conselho de ministros, ao parlamento, à presidência da República, é ouro sobre azul. Nunca mais haverá crise que nos deprima, nem fome, nem desemprego, nem emigrantes à força. Seremos o país da senhora de Fátima, um milagre permanente, imbatíveis em tudo. Que também para isso o famigerado anjo de Portugal andou por Fátima, em 1916 – é Fátima 2 que no-lo garante e dele vão as populações ouvir falar muito, agora, nas comemorações dos 100 anos das “aparições” – a preparar as três crianças.Para quê? Ora, para quê.
Para duas delas, irmãos entre si, morrerem pouco depois daquele teatrinho montado pelo clero de Ourém, respectivamente, em 1919 e 1920, e a mais velhita, vir a ser retirada à força à mãe, aos 14 anos de idade para ser feita freira à força, primeiro, doroteia, na Galiza, por fim, carmelita de clausura perpétua, em Coimbra, Portugal! Sem nunca mais poder tugir nem mugir. É mesmo de loucos. Não loucos de juízo. Loucos por dinheiro, o único deus que se cultua no santuário de Fátima, reitorado pela cabecinha do Pe. Carlos Cabecinhas. Com a cobertura de toda a Conferência Episcopal Portuguesa e da Cúria romana. Para vergonha de todos eles, clérigos celibatários, por força da Lei eclesiástica do celibato!