Poema de Eugénio de Andrade (in “O Sal da Língua”, Porto: Fundação Eugénio de Andrade, 1995; “Poesia”, 2.ª edição, org. Arnaldo Saraiva, Porto: Fundação Eugénio de Andrade, 2005 – p. 541-542)
Recitado por José Manuel Mendes* (poeta) (in CD “Vozes Poéticas da Lusofonia por Timor: Festa da Língua Portuguesa”, Gravisom, 1999)
Escuta, escuta: tenho ainda
uma coisa a dizer.
Não é importante, eu sei, não vai
salvar o mundo, não mudará
a vida de ninguém — mas quem
é hoje capaz de salvar o mundo
ou apenas mudar o sentido
da vida de alguém?
Escuta-me, não te demoro.
É coisa pouca, como a chuvinha
que vem vindo devagar.
São três, quatro palavras, pouco
mais. Palavras que te quero confiar,
para que não se extinga o seu lume,
o seu lume breve.
Palavras que muito amei,
que talvez ame ainda.
Elas são a casa, o sal da língua.
* Gravado nos estúdios da RDP, Lisboa, a 22 de Junho de 1999
Produção digital – José M. Gouveia (RDP)
Masterização – João Oliveira, nos Estúdios Gravisom, Lisboa
Nota prévia:
Para ouvir os poemas de Eugénio de Andrade (os ditos/recitados e os cantados), há que aceder à página