SINAIS DE FOGO – UMA EM CADA TRÊS CRIANÇAS PORTUGUESAS É POBRE – por Soares Novais

 

sinais de fogo

 

Poucas horas depois de ter sido empossado “ vice” do nado-morto governamental  liderado pelo  dr. Passos,  o dr. Portas foi a Santa Maria da Feira falar às hostes do seu PP.

Ali evocou  todos os  fantasmas que desde 4 de Outubro protagonizam  todas as intervenções presidenciais e governamentais. (Fantasmas bem conhecidos e que aqui não reproduzo por respeito intelectual aos tripulantes desta nau.)

Em terras de Santa Maria, o dr. Portas foi mesmo mais longe e proclamou:

– Estamos a viver um PREC2!

Dito isto, o dr. Portas – o bom  patriota que tão bem fez às finanças públicas ao ordenar a compra dos imprescindíveis submarinos… –  asseverou  que estará na linha da frente na defesa da tradição que há 40 anos enche os bolsos a cidadãos exemplares como os drs. Duarte Lima, Dias Loureiro, Oliveira e Costa, Arlindo Cunha, Ângelo Correia,  Miguel Relvas ou Jacinto Leite do Rego – aquele personagem que há algum tempo,  entre outros notáveis,  contribuiu para rechear os cofres do seu  PP, que hoje é um partido unipessoal e reduzido à condição de muleta do chefe Passos.

É evidente que o país não está a viver nenhum “PREC2”. Tal é mais um fantasma inventado pelo dr. Portas, o mesmo que em tempos idos chamou tudo e mais alguma coisa ao agora seu amigo e protector dr. Cavaco.

Uma coisa é certa: os portugueses têm muitas e  boas  razões para exigir, na rua, a ruptura que a situação impõe. Veja-se, por exemplo, o que diz o estudo da Eurostat, tornado público no Dia Internacional da Erradicação de Pobreza e ao qual a generalidade da Comunicação Social reduziu a rodapé televisivo ou a uma “breve” de jornal:

–  Uma em cada três crianças portuguesas é pobre;

– Um quarto das famílias com crianças vive abaixo do limiar da pobreza, sendo certo que no caso das famílias monoparentais a percentagem atinge os 40%.

–  Tal deve-se à manutenção do desemprego em níveis inadmissíveis e aos baixos salários dos pais;

– Em 2014 a taxa de risco de pobreza ou exclusão social manteve-se excepcionalmente alta, atingindo já 2,9 milhões pessoas, 27,5% da população.

– O maior aumento da taxa de pobreza ou exclusão social aconteceu junto das crianças e dos jovens menores de idade, sendo estes as mais vulneráveis;

– Também entre a população activa a taxa de pobreza ou exclusão aumentou substancialmente, entre os trabalhadores desempregados, registando-se já nos 60%;

– A redução dos salários, os salários em atraso, a utilização do trabalho a tempo parcial (mais de 800 mil trabalhadores, incluindo os que estão em subemprego) e a precariedade nas suas mais diversas formas – que atinge mais de 80% de todos os contratos de trabalho formados entre Outubro de 2013 e Agosto de 2015 – estão ainda na raiz da proliferação da pobreza entre os trabalhadores por conta de outrem (12,4% em 2014, que compara com 10,7% em 2010);

– Apesar do salário mínimo nacional ter aumentado para 505€ – perfazendo um salário líquido de 449€ – este continua muito perto do que é considerado o limiar da pobreza, sendo actualmente mais de 700 mil os trabalhadores a auferirem o SMN. Importa ainda referir que 1,2 milhões de trabalhadores ganham menos de 600€ líquidos por mês, situação que não os permite libertarem-se do ciclo de pobreza (sobretudo quando confrontamos este rendimento com despesas cada vez mais elevadas com a saúde, educação, habitação, serviços essenciais, etc);

– Os rendimentos dos idosos e dos pensionistas continuam a ser manifestamente insuficientes para garantir uma vida digna, estando 21% em situação de pobreza ou exclusão.

Tais números, que repito estão plasmados num estudo do Eurostat e não em qualquer folha de Excel  de um qualquer  protagonista do “PREC2”  agitado pelo dr. Portas em terras de Santa Maria, justificam por si só a ruptura que os mais de 2,700 milhões de cidadãos clamaram nas urnas eleitorais no dia 4 de Outubro.

O dr. Portas sabe, pois, que a sua condição de “vice” tem os dias contados e que o governo que integra é um nado-morto. Por isso evoca todos os fantasmas e refina na arte de mentir. Mas desta feita nem Santa Luzia lhe vai valer…

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