CRÓNICAS DO QUOTIDIANO – DEMOCRACIA OU ÓDIO ENTRE PARTIDOS E SEUS APOIANTES? – por Mário de Oliveira

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Tudo indica que as eleições legislativas de 4 de Outubro conduziram o país a mais um beco sem saída. Oficialmente, as eleições legislativas visam eleger deputados para o Parlamento. Na prática partidária, visam escolher um primeiro-ministro que, por sua vez, escolhe o governo, segundo a ideologia por que se rege, não segundo a sua consciência de ser humano religado aos demais seres humanos, e, logo depois, apresenta-o como o governo do país. Na realidade, é o governo do primeiro-ministro e dos deputados que o apoiam, a troco das regalias que o cargo lhes garante, se, também eles trocarem a própria consciência pela chamada disciplina de voto. As populações votem ou não votem, não são tidas nem achadas, no que respeita à formação do governo. Chamar a este processo, democracia, é reduzi-la aos partidos ou coligações de partidos, com as populações completamente a leste. O que, entretanto, se passa no Parlamento pode ser privilegiado modo de vida para os deputados, não é, de modo algum, vida de qualidade para as populações. A luta partidária pelo poder político, nas campanhas eleitorais e no Parlamento, é cada vez mais feroz. Só ainda não é armada. Por enquanto. Mas as palavras que saem da boca dos deputados são tão assassinas como as balas. Com a diferença de que não corre sangue dos deputados atingidos, de uma e de outra facção. O mesmo já não se pode dizer das populações que, com o seu trabalho e os impostos que os sucessivos governos partidários lhes impõem, são forçadas a sustentar aquela arena chamada Parlamento. Estas sangram de verdade. Governos partidários são, fatalmente, governos de facção. Estranhos ao conjunto das populações e contra elas. Agradam à facção que apoia cada governo e reduzem a facção vencida ao papel de Oposição-Ódio político. Como, ao final de cada mês, as regalias são iguais para todos, os deputados de cada facção limitam-se a assumir o seu papel. Cabe, por isso, perguntar: Democracia, ou ódio entre partidos e seus apoiantes?

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