EDITORIAL – OS DONOS DISTO TUDO QUEREM NOVAS ELEIÇÕES

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Os resultados das eleições de 4 de Outubro não foram do agrado de algumas pessoas que se consideram importantes em Portugal. Querem novas eleições, obviamente para ver se o novo resultado lhes é mais agradável/favorável. Acreditam portanto que os portugueses são capazes de mudar de opinião rapidamente, depois de levarem com umas ameaças em cima. E invocam que a  coligação à esquerda não foi previamente a votos, por isso não vale. Para alcançarem os seus objectivos, nomeadamente conservarem o poder que detêm sobre a sociedade portuguesa, tantos anos depois do 25 de Abril de 1974, saltam por cima de dois pontos essenciais.

O primeiro é que a radicalização ocorrida na sociedade portuguesa nos últimos anos, é da responsabilidade do governo Passos/Portas, com o apoio do presidente Cavaco Silva. Nunca será demais recordar que este governo usou a muleta da troika, esta já de si com objectivos muito extremados e exagerados, para agravar a relação entre o trabalho e o capital, de um modo totalmente favorável ao segundo. Embora Passos/Portas o neguem, os apoios aos bancos, a insistência nas PPP, as privatizações (assim chamadas, mesmo quando a favor de empresas públicas de outros estados) não favoreceram em nada o nosso país, e prejudicaram a sua economia. Usaram o apoio das instituições europeias, elas também dominadas por uma ideologia neoliberal e, no caso da comissão europeia, por um correligionário de partido, para desenvolverem políticas centradas unicamente no barateamento do custo do trabalho, e na precarização das condições laborais. Poderão invocar os maus governos de José Sócrates, mas isso só reforça o erro nas suas apostas. O extremar de posições, fazendo com que recaísse sobre o conjunto dos portugueses o custo da incompetência e do abuso dos principais responsáveis pela sua economia, públicos e privados, sem quaisquer rectificações que pusessem cobro a essa incompetência e a esse abuso, é que levaram a que as forças que se perfilam à esquerda do espectro político se tentassem entender, ao que parece, com êxito.

O segundo ponto essencial é que no regime político em que vivemos são perfeitamente legítimos os acordos entre os partidos que têm representação no parlamento, para formarem governo. Aliás, em 2011, o acordo entre o PSD e o CDS foi firmado depois das eleições legislativas ocorridas a 5 de Junho desse ano. Mas mesmo sem esse antecedente, não teria qualquer legitimidade invocar não ter sido prometido na campanha eleitoral uma eventual aliança à esquerda ou à direita. Num regime parlamentar, semipresidencialista ou não, de democracia representativa, goste-se ou não, os deputados têm poderes para negociarem acordos e alianças.

Propomos que acedam aos links seguintes:

http://www.tvi24.iol.pt/politica/confederacao-dos-agricultores/cap-defende-eleicoes-o-mais-rapidamente-possivel

http://www.tsf.pt/economia/interior/ferraz-da-costa-pede-eleicoes-clarificadoras–4883639.html

http://www.dn.pt/portugal/interior/passos-pede-revisao-constitucional-extraordinaria-para-dissolver-assembleia-4882577.html

http://economico.sapo.pt/noticias/leia-o-acordo-do-psd-e-cdspp-na-integra_120741.html

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