EXPOSIÇÃO NA BIBLIOTECA NACIONAL – “A ARTE DE SER PORTUGUÊS”, ATÉ DIA 31 DE DEZEMBRO

Arte de ser português

MOSTRA | 1 out. – 31 dez. 2015  Entrada livre

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Assinalando o centenário da publicação da obra de Teixeira de Pascoaes, a Arte de ser português, a Biblioteca Nacional de Portugal e o Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (CLEPUL) realizam uma mostra bibliográfica que reúne correspondência de Teixeira de Pascoaes, exemplares das revistas A Águia e Seara Nova, entre outros documentos que espelham esta época áurea do pensamento e da cultura portugueses.

Teixeira de Pascoaes (1877-1952) foi, sobretudo na sua fase inicial, o principal inspirador e um dos representantes – juntamente com Álvaro Pinto, Jaime Cortesão, Leonardo Coimbra, António Sérgio e Raul Proença – do movimento designado por Renascença Portuguesa, cujo órgão representativo foi A Águia, Revista Mensal de Literatura, Arte, Ciência, Filosofia e Crítica Social, e um dos expoentes máximos do Saudosismo, movimento teorético que aponta para uma cisão originária e a possível restauração da condição decaída do ser humano. A sua obra, dividida por poesia, prosa e reflexão, reflete a experiência ontológica, metafísica e teleológica da saudade, em que, além de uma dimensão profético-messiânica está presente também um cunho pedagógico ligado à preservação da alma e do modo de ser português. O pensamento de Teixeira de Pascoaes assume ainda uma faceta místico-religiosa marcada pela presença-ausência (conceito bicéfalo comum na crítica pascoalina) de Deus e da Natureza.

Simultaneamente, decorrerá, entre 14 e 16 de outubro de 2015, o Colóquio Internacional Arte de ser português: no centenário da sua publicação, no qual se discutirão os princípios fundamentais da obra de Teixeira de Pascoaes e do pensamento português, se evocarão os primeiros anos do século XX, as controvérsias entre racionalismo e positivismo, o movimento da filosofia portuguesa, a predominância de um providencialismo messiânico, a urgência disruptiva do modernismo e, por fim, a presença de um projeto espiritual do pensamento português que cruza a totalidade do século.

Sublinhe-se que, além de a Arte de ser português, o ano de 1915 vê ainda surgir, pela mão de Fernando Pessoa, Almada Negreiros e Mário de Sá-Carneiro, a revista Orpheu, que está na origem da introdução do movimento modernista em Portugal, bem como a obra O pensamento criacionista, de Leonardo Coimbra, que alteraria radicalmente o pensamento português.

Recorde-se que, entre 29 e 31 de outubro de 2014, já se havia realizado o  1.º Congresso Internacional, dedicado ao género literário das biografias, e entre 15 de outubro e 31 de dezembro de 2014, mostra Biografias de Teixeira de Pascoaes.

Esta mostra e congresso inserem-se no Triénio Pascoalino, um conjunto de eventos que, entre 2014 e 2017, evocarão a figura de Teixeira de Pascoaes (1877-1952).

Cabeçalho: pormenor de anterrosto com dedicatória autógrafa de Teixeira de Pascoaes à mãe de «A arte de ser português» (Porto: Renascença Portuguesa, 1915. Biblioteca Municipal Albano Sardoeira, 9 PAS).

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