EDITORIAL – Uma semana «normal»

Mais uma semana que chega ao fim e nos obriga a um balanço negativo – internamente, há a lamentar a morte do argonauta Joaquim Palminha logo editorialSilva, um valioso colaborador deste blogue, um lutador contra a ditadura, um escritor que, como é costume, foi ignorado. Na área política, em Portugal, continua a novela da constituição do novo governo, com Passos Coelho a sugerir novas eleições, revelando que o seu desprezo pela Constituição é doença incurável, como bom herdeiro do salazarismo que infecta a raiz da União Nacional renovada que o seu PSD constiui; Cavaco Silva, comportando-se como membro do mesmo partido e esquecendo os deveres de imparcialidade que o exercício da mais elevada magistratura da Nação lhe impõe, usa o cargo como descarado apoiante da mesma cáfila. Neste capítulo, registamos com satisfação moderada o comportamnto dos partidos que irão, segundo tudo o indica, formar a nova coligação governamental.

Nomeadamente o discurso de Jerónimo de Sousa, prometendo contenção nos propósitos historicamente controladores e integristas do PCP, bem como as ponderadas  declarações do Bloco de Esquerda. António Costa tem tido também uma posição que nos parece indiciar pragmatismo – o PS  tem uma quantidade muito maior de deputados, mas sem o apoio dos outros três partidos perderá a capacidade de governar. Pela primeira vez, aquilo a que optimisticamente se chama «esquerda» parece disposta a deixar que objectivos de interesse comum se sobreponham aos interesses partidários, coisa que PSD e CDS sempre fizeram, Os fins comuns postos adiante de princípios de política partidária – Mas há nuvens acastelando-se no horizonte,uma vitória de um Marcelo histriónico, manipulador e mentiroso, mais inteligente do que um Cavaco primário e igualmente mentiroso, poderá prejudicar as decisões que o Governo de uma «esquerda»periclitante, tomar. Uma «coabitação» complicada – quatro inquilinos que não se dão bem e um senhorio que explorará as divergências. A eleição de Marcelo sará um factor negativo e impedirá  que haja harmonia. Internacionalmente, é óbvia a dominância do massacre de Paris. Os Estados Unidos continuam a apostar no cavalo que lhes convém e a matar à nascença qualquer hipótese de de paz. Um bando de fanáticos, corruptos, ninho de assassinos acéfalos, continua a manter a tensão que tanto favorece quem os cria e lhes alimenta o ódio. Para terminar uma efeméride – Francisco Bahamonte Franco, uma das personagens mais  sinistras do século XX, morreu faz hoje 40 anos – mas deixou tudo bien atado, ou seja os «democratas» que sucederam ao homem de Ferrol, mantiveram o que de pior existia na ditadura do velho bandalho.

Uma semana normal.

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