REVISTA DA SEMANA por Luís Rocha

revista semana

Revista da semana

De 15/11 a 21/11/2015

Como na semana anterior e dado a continuidade de atentados terroristas verificados, a comunicação social deu o maior destaque a essas notícias. Sobre o tema registaram-se vários debates e artigos de opinião.

Também a situação politica e económica do país mereceu a atenção dos “media”, com particular destaque para a decisão pendente do Presidente da República, de uma solução governativa para Portugal.

Seguem-se os artigos que entendi melhor contribuírem para uma informação sobre as principais notícias da semana.

Começo por um vídeo que tem circulado pelas redes sociais

CONFLITO DA SIRIA/POLITICA

Veja as imagens de 8 ataques terroristas que nunca mais vamos esquecer.

O atentado de 11 de Setembro em Nova Iorque, Londres, a maratona de Boston, as bombas na estação de Atocha em Madrid, a violência no Egito, na Tunísia, os dois atentados deste ano em Paris, tragédias que fizeram milhares de vítimas.

Luís Cáceres Monteiro/Visão (21/11/2015)

Foto 96 de 100 – Atentados de 13 de Novembro de 2015 em Paris (Reuters)

Os ataques terroristas ganharam uma dimensão global ao longo da última década e meia. Após o dia 11 de Setembro de 2001, os atentados aconteceram em diferentes países e comunidades.

A luta contra o terrorismo é agora uma prioridade. Rapidamente, governos de diversos países reuniram-se na procura de soluções de prevenção e medidas conjuntas para evitar tragédias como aquelas a que temos assistido, constantemente, ao longo dos últimos anos. A memória conjunta é fundamental para que as novas gerações fiquem alerta, saibam como agir, e, claro, para que possam contribuir para erradicar um dos principais problemas da sociedade atual.

O ataque ao World Trade Center

O atentado mais mortífero da história aconteceu no dia 11 de Setembro de 2001, nos Estados Unidos da América.[…] Quase três mil pessoas morreram durante os ataques, incluindo os 227 civis e os 19 sequestradores a bordo dos aviões. A esmagadora maioria das vítimas eram civis, incluindo cidadãos de mais de 70 países.

Os atentados ao metro de Londres

Os ataques de Londres, também conhecidos como atentados ao metro da capital britânica referem-se a uma série de explosões que atingiram o sistema de transportes públicos durante a manhã de quinta-feira, 7 de julho de 2005,[…] Os números oficiais dão conta de 52 mortes e cerca de 700 pessoas feridas confirmadas.

Atentados de 11 de Março, na estação de Atocha, em Madrid

Os atentados na estação de caminhos-de-ferro de Atocha, também conhecidos como 11-M […]As explosões mataram 191 pessoas e feriram 2.050.[…]

Atentados em Sharm el-Sheij, Egito

Vários atentados terroristas aconteceram em Sharm el-Sheij, no Egito, durante a noite de 22 para 23 de Julho de 2005.[…] fizeram 90 vitimas mortais e 150 feridos.[…]

O terror dos irmaõs Tsarnaev

O atentado na maratona de Boston, nos Estados Unidos da América, aconteceu no dia 15 de Abril de 2013.[…] As bombas de fabrico artesanal explodiram causando três mortes e ferindo 282 pessoas.[…]

Terrorismo em resorts turisticos

No dia 26 de Junho de 2015, dois resorts na Tunísia foram alvo de um atentado que fez 39 mortos e 36 feridos.[…]

Ataque em Charlie Hebdo

O ano teve início da pior forma com o ataque que atingiu o jornal satírico francês Charlie Hebdo, no dia 7 de janeiro de 2015, em Paris, resultando em doze pessoas mortas e cinco feridas com gravidade.[…]

Os recentes ataques de 13 de Novembro em Paris

Os últimos ataques terroristas na capital francesa ainda estão bem frescos na memória de todos. De qualquer forma, para memória futura, fica o registo destes atentados realizados em Paris e Saint-Denis. Ao todo, ocorreram três explosões separadas e seis fuzilamentos em massa, incluindo bombardeios perto do Stade de France no subúrbio ao norte de Saint-Denis.O ataque mais mortal foi no teatro Bataclan. Pelo menos 132 pessoas foram mortas e 350 pessoas ficaram feridas pelos ataques, incluindo 99 pessoas em estado grave.

A terminar a semana, no dia 20 de Novembro, mais um ataque terrorista, desta vez no Mali, no hotel Radisson Blu de Bamaco. As últimas notícias dão conta de 27 mortes. […]

Ler o artigo e ver as imagens em: http://visao.sapo.pt/actualidade/mundo/2015-11-21-Atentados-terroristas-que-jamais-vamos-esquecer

Estado Islâmico: um erro de cálculo que está a sair caro a todos

Nuno André Martins/Observador (21/11/2015)

Subestimado pelas maiores potências, armado pelos (indiretamente) EUA e (diretamente) aliados árabes, cresce com a guerra na Síria e a falta de entendimento sobre o futuro de Assad. A culpa? De todos.

Quando na sexta-feira, dia 13 de novembro, um grupo de terroristas afiliados ao Estado Islâmico levou a cabo seis ataques coordenados na capital francesa, e provocou a morte a 130 pessoas, muitos viram este dia como o ’11 de setembro’ francês. A reação imediata foi uma caça ao homem, uma declaração de guerra inequívoca da parte do Presidente francês e ataques aéreos, menos de dois dias depois, à “capital” do movimento terrorista na Síria, Raqqa.

Mas a guerra não começou a 13 de novembro. Há mais de um ano que França atacava posições do Estado Islâmico no Iraque e há dois meses começou a fazê-lo na Síria. Os Estados Unidos estão no terreno há anos. Os aviões russos fazem ataques aéreos desde outubro e a Turquia intensificou a ofensiva, depois de um atentado suicida imputado ao Estado Islâmico ter provocado a morte a 102 pessoas.[…]

De protestos adolescentes à guerra civil

Depois de um grupo de adolescentes ter sido detido e torturado pelas forças do regime sírio, grandes manifestações pró-democracia invadiram a cidade de Deraa, no sul da Síria, em março de 2011. O resultado foi o pior possível: as forças de segurança abriram fogo contra os manifestantes.[…]

Os protestos tinham virado guerra civil e, em junho de 2013, as Nações Unidas já estimavam que mais de 90 mil pessoas tivessem morrido no conflito. Em 2014, este número saltou para 250 mil.

Mas no centro da disputa — e na ausência de resolução do problema — estão dois conflitos de maior dimensão, um mais local, outro quase mundial: uma disputa religiosa que remonta às origens do Islão, entre sunitas e xiitas, e uma luta pela influência no Médio Oriente, que envolve quase todas as maiores potências do mundo.

Os erros no Iraque

Os erros que permitiram o crescimento do grupo terrorista Estado Islâmico não podem ser imputados a uma parte apenas. E não começaram na Síria. Sucessor da resistência à guerra no Iraque como braço da Al-Qaeda na região, o grupo foi não apenas subestimado, como alimentado pela estratégia norte-americana neste país após a invasão de 2003, que levou à queda de Saddam Hussein.[…]

Com um regime de origem xiita, também ele repressivo, no poder, e ao sentirem-se excluídos de uma solução a que se juntou a violência na região, os sunitas começaram a juntar-se à resistência e tornaram-se um grupo fértil para os esforços de recrutamento do Estado Islâmico.

Em segundo lugar, o novo exército iraquiano, para além de treinado, foi também equipado pelos norte-americanos. Quando os Estados Unidos achavam que tinham reduzido o grupo a uma presença residual na região (ainda como Al-Qaeda do Iraque), uma ofensiva do grupo venceu um mal preparado e frágil exército iraquiano e tomou posse do armamento norte-americano, o que permitiu dar um poder de fogo às suas tropas de incomparável dimensão e obter artilharia pesada.

A Rússia tem sido o principal obstáculo à saída de Assad e a sua intervenção contra o Estado islâmico pode ser a chave para que Assad se consiga manter no poder[…]

Estado Islâmico consolida o seu poder

Depois das derrotas que sofreu em 2006 e 2007, o Estado Islâmico acabou por ganhar força nos conturbados territórios do norte e leste da Síria, que caíram nas mãos dos rebeldes que lutavam contra Bashar al-Assad. A partir de 2013 essa força cresceu ainda mais, em especial com a tomada de Raqqa, a cidade considerada como capital do entretanto autoproclamado Estado Islâmico. Como parte da coligação de grupos rebeldes mais radicais que combatiam o regime sírio, o Estado Islâmico começou aos poucos a dominar os restantes grupos rebeldes e a executar todos os que lhe fizessem frente.[…]

EUA começam intervenção militar

A expansão considerável do EI no Iraque e a pressão pública dos vídeos divulgados da decapitação dos reféns norte-americanos, levou à intervenção norte-americana contra o Estado Islâmico no Iraque apenas em setembro de 2014.[…]

A falta de disciplina do grupo e as suas guerras internas levaram a uma quase desintegração do grupo. A tentativa de criar uma nova força armada dentro da Síria falhou, e parte do seu equipamento militar, fornecido por norte-americanos, foi parar às mãos de grupos extremistas, como a Frente al-Nusra, afiliada da Al-Qaeda.

Durante este período, o Estado Islâmico continuou a crescer, e só os grupos extremistas como a Al-Qaeda eram eficazes a combater o entretanto autoproclamado califado. A estratégia norte-americana mudou recentemente, com Obama a anunciar que ia deixar de tentar criar uma nova força no terreno e passar a apoiar os grupos rebeldes já no terreno.

Um dos ataques levados a cabo pelo regime sírio enquanto os inspetores das Nações Unidas se encontravam em Damasco para investigar alegações de uso de armas químicas.

A disputa Irão – Arábia Saudita pelo controlo da região

Não eram só os Estados Unidos que estavam envolvidos na contenda. No meio da disputa sobre o poder na Síria, desenvolveu-se uma luta pelo poder na região que acabou por ajudar o Estado Islâmico.

A balança do poder no Médio Oriente estava mais equilibrada que nunca. Alguns dos aliados dos Estados Unidos, como a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e a Turquia, queriam a saída de Assad, Assad era apoiado pelo Irão, que por sua vez encabeçava o grupo de países com liderança xiita e financiava os grupos xiitas na região.[…]

O papel da Turquia

Acusada de ser muito permissiva no que diz respeito às suas fronteiras com a Síria — por onde as autoridades internacionais acreditam que passam grande parte dos estrangeiros que se juntam ao Estado Islâmico e por onde passarão também alguns dos alegados jihadistas que terão mão nos atentados na Europa — a Turquia decidiu também atacar o Estado Islâmico, em especial depois do atentado imputado ao movimento que provocou a morte a mais de 100 pessoas em Ancara no mês passado.

No entanto, o presidente Reçep Tayip Erdogan tem reavivado uma longa disputa contra os curdos e no meio dos ataques aéreos, os rebeldes curdos, que têm sido dos mais eficazes a combater o Estado Islâmico, estarão a ser também visados.

Segundo os rebeldes curdos, Erdogan estará a aproveitar o Estado Islâmico como desculpa para atacar os curdos, que são de maioria sunita, mas não se identificam com o restante povo árabe. Os curdos, que controlam parcelas de território na Síria e no Iraque, e têm milícias bem treinadas e equipadas, com apoio norte-americano, têm sido uma das mais eficazes frentes no combate ao Estado Islâmico.

E depois de Paris?

Os atentados de Paris levaram a uma mudança na estratégia de alguns países. A França, que começou a realizar ataques aéreos mais frequentes em Raqqa no domingo — depois de pedir informação sobre alvos do Estado Islâmico aos norte-americanos — começa a mostrar disponibilidade para cooperar com a Rússia, a quem se recusou a vender dois navios de guerra já encomendados pelo regime de Putin na sequência da crise ucraniana.

Curdos lutam para recuperar Kobane do controlo do Estado Islâmico.

As forças russas, já no terreno, começaram pela primeira vez a comunicar antecipadamente aos norte-americanos que alvos do Estado Islâmico estão a pensar atacar. O Irão, que tem cooperado com os Estados Unidos sobre o seu programa militar, já colocou as suas forças à disposição no terreno, mas para combater ao lado dos russos e favor da liderança xiita de Assad.[…]

Apesar de terem um inimigo em comum, as grandes potências mundiais continuam a travar uma disputa pelo poder e influência na região, o que tem permitido ao Estado Islâmico ganhar tempo, poder e armamento para crescer nas sombras e tornar-se cada vez mais mortífero. Agora, mesmo com o que parece um renovado empenho, a estratégia para derrotar o Estado Islâmico continua dependente do mesmo ponto: o futuro de Bashar al-Assad na presidência da Síria.

Ler todo o artigo em: http://observador.pt/especiais/estado-islamico-um-erro-de-calculo-que-esta-a-sair-caro-a-todos/

Quanto custa o terrorismo à economia global?

Elsa Araújo Rodrigues/Observador (17/11/2015)

Em 2014, o terrorismo custou mais cerca de dois mil milhões de euros à economia global que o 11 de setembro de 2001. No ano passado, os ataques terroristas causaram 32.658 mortes.

O estudo ainda não contabiliza os danos causados pelos ataques terroristas de 13 de novembro, em Paris – foto de RAMINDER PAL SINGH/EPA

Qual o preço a pagar pelo terror? Um relatório publicado pelo Institute for Economics and Peace (IEP), refere que, em 2014, o terrorismo custou quase 50 mil milhões de euros em termos globais. Em 2001, no pós-11 de setembro, o valor das perdas foi de cerca de 48 mil milhões de euros.[…]

Os cinco países do mundo onde se registaram mais ataques terroristas em 2014

O Iraque registou, em 2014, o maior número de ataques terroristas e o mais elevado número de mortes.

qunato custa o terrorismo

Fonte: Global Terrorism Index Report, 2015 – Institute for Economics and Peace (IEP)

“A maioria das mortes por ataques terroristas não ocorrem no Ocidente. Excluindo 11 de setembro de 2001, apenas 0,5% de todas as mortes causadas pelo terrorismo ocorreram em países ocidentais nos últimos 15 anos,” pode ler-se no relatório. Segundo o Independent, o número de mortes relacionadas com atos terroristas subiu desde a invasão do Iraque pelos Estados Unidos da América, em 2003.[…]

Na contabilidade geral, o IEP estimou que o impacto da violência do mundo sobre a economia global em 2014 foi equivalente 13,4% do produto interno bruto mundial. O valor é equivalente à soma da produção anual das economias do Brasil, Canadá, França, Alemanha, Espanha e Reino Unido.

Ler o artigo em: http://observador.pt/2015/11/17/preco-do-terrorismo/

O GOVERNO DE PORTUGAL

Cavaco: “Estive cinco meses em gestão como primeiro-ministro” – Lusa/Observador (16.11.2015)

Foto de MARCOS BORGA

O Presidente da República, durante a visita à ilha da Madeira, aconselhou a que se verifique o que aconteceu nos dois casos de crises políticas anteriores, em 1987 e 2004

O Presidente da República recordou esta segunda-feira que enquanto primeiro-ministro esteve cinco meses em gestão e aconselhou a que se verifique o que aconteceu nos dois casos de crises políticas anteriores, em 1987 e 2004.[…]

“O que tenho feito e vou continuar a fazer é, cada passo que dou para resolver a crise, eu informo os portugueses”, referiu.[…]

Ler o artigo em: http://expresso.sapo.pt/politica/2015-11-16-Cavaco-Estive-cinco-meses-em-gestao-como-primeiro-ministro-

A fronda cavaquista

Artigo de Nicolau Santos no expresso (20/11/2015)

E cá vai o bom povo português para mais um merecido fim-de-semana na santa ignorância do que vai decidir o Presidente da República sobre o Governo do país. Uma coisa é certa: que o Presidente se esforçou imenso para receber apenas quem já sabia que lhe ia dizer o que ele queria ouvir, disso não há nenhuma dúvida. Por isso, deve ser ser-lhe muito fácil decidir.

Vejamos. No dia 12, Cavaco Silva recebeu os presidentes da CIP, CCP, CAP e Confederação do Turismo de Portugal. No dia 13 foi a vez da Associação das Empresas Familiares (foi a primeira vez que tal aconteceu, a que não deve ser alheio o facto do presidente ser Peter Villax, líder da Hovione e próximo do CDS), Fórum para a Competitividade (presidido por Pedro Ferraz da Costa, ex-presidente da CIP e próximo do CDS), as centrais sindicais CGTP e UGT, e o presidente do Conselho Económico e Social, Luís Filipe Pereira, ex-ministro de Cavaco e militante do PSD.

Depois de um fim-de semana revigorante e de mais dois dias para o Roteiro para uma Economia Dinâmica, na ilha da Madeira, o presidente ouviu os presidentes dos maiores bancos nacionais (BCP, Novo Banco, BPI, Santander, CGD, Montepio – outra estreia) e da Associação Portuguesa de Bancos, liderada por Faria de Oliveira, ex-ministro de Cavaco.

A 19 o presidente chamou a Belém os economistas Vítor Bento (membro do Conselho de Estado, escolhido por si, e que foi convidado para ser o ministro das Finanças do governo de Passos Coelho), Daniel Bessa (que vindo da área socialista é hoje um feroz crítico das opções do partido da rosa), João Salgueiro (ex-ministro de Francisco Pinto Balsemão e militante destacado do PSD), Luís Campos e Cunha (ministro de Sócrates por seis meses, tornando-se depois um violento opositor desse governo), Teixeira dos Santos (ministro de Sócrates, que também critica as opções de política económica contidas no programa do PS elaborado por Mário Centeno), Bagão Félix (ex-ministro de governos PSD/CDS e próximo dos democratas cristãos) e Augusto Mateus (outro ex-ministro socialista, que hoje defende teses económicas muito próximas das do PSD).

PARA QUEM QUER FORMAR UMA OPINIÃO OUVINDO DIFERENTES PONTOS DE VISTA DIGAMOS QUE A AMOSTRA ESTÁ CLARAMENTE ENVIESADA – EMBORA EXISTAM ECONOMISTAS E ASSOCIAÇÕES QUE NÃO PARTILHAM DE TODO DO PENSAMENTO DE CAVACO. MAS A ESSES, CLARO, O PRESIDENTE NÃO OS QUIS OUVIR. NEM AO CONSELHO DE ESTADO, O ÚNICO ÓRGÃO DE ACONSELHAMENTO FORMAL DE QUE DISPÕE

A cereja em cima do bolo no dia 19 foi a audição a Carlos Costa, governador do Banco de Portugal, que ao longo dos últimos quatro anos se tornou um claro apoiante das orientações económicas da coligação PSD/CDS, primeiro ao lado de Vítor Gaspar, depois com Maria Luís Albuquerque. É bom não esquecer ainda que Carlos Costa anulou um concurso para diretor do gabinete de estudos económicos do Banco de Portugal, ganho destacadamente por… Mário Centeno, o economista de Harvard que elaborou o programa económico do PS. E hoje Sua Excelência recebeu finalmente em audiência os representantes dos partidos políticos: PSD, PS, BE, CDS, PCP, Verdes e PAN.

Resumindo e concluindo, tudo somado o Presidente ouviu 31 personalidades, representando 7 partidos políticos, quatro associações patronais, duas confederações patronais, uma estrutura económicosocial, oito banqueiros, sete economistas e duas entidades que não se entende de todo a que propósito foram ouvidas (Associação de Empresas Familiares e Fórum para a Competitividade), a não ser para Cavaco Silva arranjar mais argumentos para as suas teses.

De todas as entidades escutadas, e tirando os partidos políticos, os parceiros sociais e as centrais sindicais, o Presidente seguramente que recebeu o apoio de todos os outros para as suas teses: Peter Villax, Pedro Ferraz da Costa, Luis Filipe Pereira, Vítor Bento, Daniel Bessa, João Salgueiro, Luis Campos e Cunha, Teixeira dos Santos, Bagão Félix, Augusto Mateus, Carlos Costa, Nuno Amado, Stock da Cunha, Fernando Ulrich, Vieira Monteiro, José de Matos, Faria de Oliveira e José Félix Morgado.

Ora para quem quer formar uma opinião ouvindo diferentes pontos de vista digamos que a amostra está clarissimamente enviesada – embora existam economistas no país que não partilham de todo do pensamento de Cavaco Silva e representantes de outras associações, ligados sobretudo às áreas sociais que não concordam manifestamente com o inquilino de Belém. Mas a esses, claro, Cavaco não os quis ouvir. E estranhamente, muito estranhamente mesmo, não ouviu o único órgão de aconselhamento formal de que o Presidente dispõe, o Conselho de Estado. Mas aí, claro, as opiniões estariam longe de ser unânimes.

Está, pois, montada a fronda de que Cavaco Silva precisa para tomar a sua ponderadíssima decisão. Aguardemos, pois, que Sua Excelência, o Presidente da República de Portugal, informe os seus concidadãos sobre o que pensa fazer relativamente ao Governo do país, passados que vão 47 dias das eleições de 4 de Outubro e após mais um fim-de-semana em que nada dirá.

Taxas da dívida portuguesa com a melhor semana desde as eleições

Texto de Rui Barroso/Ecinómico (20/11/2015) – Decisão da DBRS e efeito BCE levaram a um alívio nas taxas das obrigações portuguesas.

As obrigações portuguesas conseguiram a melhor semana desde as eleições, com uma descida da taxa a dez anos de 2,756% para 2,485%. A melhoria das condições de mercado foi vista como uma oportunidade para a agência que gere o crédito público, o IGCP, para anunciar um leilão de obrigações com maturidade em 2025 na próxima quarta-feira. Com esta operação, a entidade liderada por Cristina Casalinho conta encaixar entre 750 milhões e 1.000 milhões de euros.[…]

A juntar a isso, os responsáveis do BCE têm continuado a indicar que o banco central poderá aumentar o programa de compra de activos, o que teve um efeito positivo nas obrigações da zona euro. A taxa da dívida italiana e espanhola também caiu esta semana, no entanto numa menor proporção que as das obrigações portuguesa.

Isso permitiu um alívio nos prémios de risco. Face à dívida espanhola a dez anos, o diferencial baixou esta semana de 96,7 pontos base (0,967 pontos percentuais) para 84,7 pontos base. Já em relação às obrigações italianas a queda foi de 119 pontos base para 99 pontos base. Também face à Alemanha, tida como a referência no mercado europeu de dívida, o ‘spread’ baixou, neste caso de 219,7 pontos base para 200,6 pontos base.[…]

Ler o artigo em: http://economico.sapo.pt/noticias/taxas-da-divida-portuguesa-com-a-melhor-semana-desde-as-eleicoes_235456.html

Costa acusa Governo de “fingir” privatização da TAP, Catarina Martins fala em “nova PPP”

Económico com Lusa (20/11/2015) – A privatização da companhia aérea esteve este sábado sob fogo cruzado da esquerda.

O líder do PS e a porta-voz do Bloco de Esquerda lançaram hoje duras críticas ao negócio de privatização da TAP, feito pelo Governo de Passos Coelho, acusando o Executivo de favorecer os privados e de gerar uma nova Parceria Público-Privada (PPP), com encargos futuros para o Estado. O mote foi uma notícia do semanário Expresso que citava o documento que deu origem ao acordo entre a Parpública e os bancos, sob despacho do Governo, que estabelece que em caso de incumprimento por parte do comprador os bancos podem obrigar o Estado a recomprar a TAP.

António Costa acusou o Governo de “fingir” a privatização da TAP e de favorecer os privados, ao garantir que o Estado assume o risco de a dívida da empresa não ser paga aos bancos.

“Aquilo que este Governo fez foi fingir que privatizava a TAP toda, mas ficando o risco todo do lado de cá e toda a oportunidade do lado de lá”, disse o líder socialista.[…]

Citando o documento que deu origem ao acordo entre a Parpública e os bancos, sob despacho do Governo, que dá garantias às instituições bancárias, o Expresso escreve que “em caso de incumprimento ou desequilíbrio financeiro, os bancos têm o direito de obrigar a Parpública (‘holding’ do Estado que detinha a totalidade do capital da companhia aérea) a recomprar a TAP”.

“As negociações de última hora deram aos bancos a segurança de que, se for necessário, o Estado repõe a garantia pública à dívida bancária”, escreve o jornal, acrescentando que “em causa estão quase 770 milhões que euros, que incluem uma dívida bancária de 646,7 milhões e 120 milhões adicionais pedidos pelo consórcio comprador para o financiamento corrente”.

Ler o artigo em http://economico.sapo.pt/noticias/costa-acusa-governo-de-fingir-privatizacao-da-tap-catarina-martins-fala-em-nova-ppp_235480.html

Dívida pública volta a subir para 130,6% do PIB

Agência Lusa/Observador (19/11/2015) – A dívida das administrações públicas voltou a subir, passando para os 130,6% do Produto Interno Bruto (PIB) em setembro, acima do pico registado no final de 2014, de 130,2%, segundo o Banco de Portugal.

ANTONIO COTRIM/LUSA

A dívida das administrações públicas voltou a subir, passando para os 130,6% do Produto Interno Bruto (PIB) em setembro, acima do pico registado no final de 2014, de 130,2%, segundo o Banco de Portugal.

De acordo com o boletim estatístico hoje divulgado pelo Banco de Portugal, a dívida das administrações públicas, na ótica de Maastricht (a que conta para Bruxelas), atingiu os 231.952 milhões de euros em setembro deste ano, o equivalente a 130,6% do PIB.[…]

Ler o artigo em: http://observador.pt/2015/11/19/divida-publica-volta-a-subir-para-1306-do-pib/

Sindicato dos Impostos: Governo mentiu “descaradamente” acerca da sobretaxa

RR/sapo (18 Nov, 2015)  – Entre Agosto e Setembro deste ano, a estimativa do Governo para a devolução da sobretaxa de IRS 2015 caiu de 35,3% para 9,7%.

Paulo Ralha, do sindicato dos trabalhadores dos impostos. Foto: Lusa

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos (STI) acusou esta quarta-feira o Governo de “mentir descaradamente” aos portugueses se se confirmarem as novas previsões que apontam que não vai haver qualquer devolução da sobretaxa de IRS.

Os números oficiais das receitas fiscais até Outubro só vão ser conhecidos na próxima quarta-feira, mas o “Jornal de Negócios” antecipa, sem citar fonte, que se o ano fechasse agora não haveria qualquer devolução da sobretaxa de 2015 no próximo ano, tal como tinha sido[…]

Entre Agosto e Setembro deste ano, a estimativa do Governo para a devolução da sobretaxa de IRS 2015 caiu de 35,3% para 9,7%. Contactado pela Lusa, o Ministério das Finanças escusou-se a fazer comentários sobre a veracidade da notícia divulgada pelo “Jornal de Negócios”, recordando que os dados da execução orçamental serão apenas conhecidos no próximo dia 25.

A moção de rejeição do PS ao Programa do XX Governo Constitucional foi aprovada a 11 de Novembro com 123 votos favoráveis de socialistas, BE, PCP, PEV e PAN, o que, de acordo com a Constituição, implica a demissão do XX Governo Constitucional, suportado por PSD e CDS-PP, e liderado por Pedro Passos Coelho.

Ler o artigo em: http://rr.sapo.pt/noticia/39788/sindicato_dos_impostos_governo_mentiu_descaradamente_acerca_da_sobretaxa

Cavaco Silva marcou presidenciais para 24 de Janeiro 2016

MARIA LOPES e LUSA (19/11/2015) – Se for necessária, a segunda volta será a 14 de Fevereiro.

ENRIC VIVES RUBIO

A Presidência da República anunciou que o Chefe de Estado assinou esta quinta-feira o decreto que fixa a data das próximas eleições presidenciais, sendo a data escolhida o dia 24 de

Se for necessária uma segunda volta, ela terá de ocorrer três semanas depois, ou seja, a 14 de Fevereiro.

As próximas eleições presidenciais podem ultrapassar, em número de candidaturas, o ano de 2006, aquele que registou o maior número de candidatos (13), embora depois só tenham constado seis no boletim de voto.[…]

Ler o artigo em: http://www.publico.pt/n1714902

E ouviram-se muitas palmas na AR: adopção por casais do mesmo sexo aprovada

MARIA JOÃO LOPES e SOFIA RODRIGUES (20/11/2015) – Ainda não é a votação final, mas a esquerda já conseguiu o primeiro passo. E até na bancada do PSD houve quem aplaudisse de pé: Paula Teixeira da Cruz e Teresa Leal Coelho.

O presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, teve de lembrar que não é permitido às pessoas nas galerias manifestarem-se. Mas elas manifestaram-se. Depois de todos os projectos de lei, que têm em comum a possibilidade de casais do mesmo sexo poderem adoptar, terem sido aprovados, aplaudiu quem estava nas galerias, aplaudiu a esquerda no hemiciclo e até houve palmas na bancada do PSD. Para quem defende a causa, nesta sexta-feira de manhã fez-se “história” no Parlamento.

As galerias estiveram cheias. Não só de representantes de algumas associações de defesa dos direitos dos gays e lésbicas. Grande parte do público eram mesmo turmas de crianças. E elas foram referidas muitas vezes no plenário, constantemente, aliás. Os argumentos a favor e contra são já conhecidos, estão quase gastos, o tema já foi abordado antes pelos deputados no hemiciclo, tendo em conta debates anteriores sobre casamento entre pessoas do mesmo sexo, adopção e co-adopção.[…]

Foram todos aprovados por maioria: PS, BE, PCP, PAN e PEV votaram favoravelmente. O social-democrata Duarte Marques absteve-se, assim como a socialista Isabel Oneto. Mas a favor votaram também vários deputados sociais-democratas, entre os quais os vice-presidentes do partido Pedro Pinto e Teresa Leal Coelho, a ex-ministra da Justiça Paula Teixeira da Cruz e Leitão Amaro, Sérgio Azevedo, Berta Cabral, Cristóvão Norte, Simão Ribeiro, Ana Oliveira, entre outros (ao todo, 19). Depois do primeiro projecto do BE ter sido aprovado, as sociais-democratas Paula Teixeira da Cruz e Teresa Leal Coelho aplaudiram de pé.

Ler todo o artigo em: http://www.publico.pt/n1715031

HISTORIA

Quando a Espanha tinha um caudilho: Francisco Franco, 40 anos depois

Fernando Martins/Observador (20/11/2015) – Fernando Martins é professor do departamento de História da Universidade de Évora e coordenou a obra colectiva  “A Formação e a Consolidação Política do Salazarismo e do Franquismo. As décadas de 1930 e de 1940” (2012).

20 de Novembro de 1975. Francisco Franco morria após quatro décadas de poder. Mas quem foi este homem, e que regime foi este que saiu de uma sangrenta e cruel guerra civil, que ele mesmo desencadeou?

1 – Francisco Franco, o legalista pragmático

2 – A insurreição de 18 de Julho de 1936

3- Franco antes de Franco

4 – A ascensão de Franco

5 – Franco, el caudillo

6 – Franco e o franquismo: as circunstâncias históricas

7 – Natureza político-ideológica e princípios de legitimidade do franquismo

8 – Franquismo e “transição democrática”

Ler todo o artigo em: http://observador.pt/especiais/quando-a-espanha-tinha-um-caudilho-francisco-franco-40-anos-depois/

 

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