O ESTADO ISLÂMICO, CANCRO DO CAPITALISMO MODERNO, POR NAFEEZ AHMED – I

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Ver legendas em: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Greater_Middle_East_(orthographic_projection).svg

Selecção, introdução, tradução e notas por Júlio Marques Mota

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Fonte: Nafeez Ahmed, de Middle East Eye, a 27 Março de 2015.

O Estado islâmico, cancro do capitalismo moderno, por  Nafeez Ahmed

nafeez ahmed - IIRecordemos  que Nafeez Ahmed  é um politólogo  britânico e jornalista de investigação, que trabalha com a BBC e o Guardian. É o director do Institute for Policy Research and Development  de Brighton, e ensina na  universidade do Sussex. Foi nomeado em 2003 para o prémio  Napoli, equivalente do Goncourt francês.

Nafeez Ahmed, Islamic State is the cancer of modern capitalism

Les Crises.fr, 15 de Novembro de 2015

O “ Estado islâmico” é um sintoma brutal do agravamento de uma crise de civilização fundada sobre a dependência nos combustíveis fósseis, o que fere a  hegemonia ocidental e põe em dificuldade o poder dos Estados no mundo muçulmano.

O debate sobre as origens do Estado islâmico oscilou largamente entre dois pontos de vista extremos. Alguns acusam o Ocidente: o Estado islâmico não é mais nada que uma reacção previsível à ocupação do Iraque, um outro contra-golpe da política estrangeira ocidental. Outros atribuem pura  e simplesmente a emergência do Estado islâmico à crueldade histórica ou cultural do mundo muçulmano, de que as crenças e os valores medievais antiquados  são um incubador natural deste tipo de extremismo violento.

Enquanto que este debate banal se prossegue em tom bem   monótono, a maior  evidência que  ninguém quer ver refere-se às infra-estruturas materiais. Toda gente pode alimentar maus pensamentos,  horríveis ou desagradáveis.  Mas continuam a ser  simples fantasmas a menos que se encontre  um meio de os   manifestar  concretamente no mundo que nos cerca.

Assim, para compreender como a ideologia que anima o Estado islâmico teve êxito a reunir os recursos materiais necessários para conquistar um espaço bem maior  que o Reino Unido, devemos inspeccionar mais de  perto o seu contexto material.

Sigam o dinheiro

Os fundamentos da ideologia de al-Qaeda nasceram nos anos 1970. Abdallah Azzam, mentor palestino de Oussama ben Laden, formulou então uma nova teoria que justifica a continuação de uma guerra contínua e de fraca intensidade por células dos moudjahidines desencadeada em prol de um Estado panislamista. As doutrinas islamitas violentas de Abdallah Azzam foram popularizadas no contexto da invasão do Afeganistão pelos Soviéticos.

Como se sabe as redes moudjahidines afegãs foram formadas e financiadas sob a supervisão da CIA, do MI6 e do Pentágono. Os Estados do Golfo contribuíram  com  enormes somas de dinheiro, enquanto os serviços de informação do Paquistão  (l’Inter-Services Intelligence-ISI)  asseguraram a ligação sobre o terreno com as redes militantes coordenadas por Azzam, bin Laden e outros.

A administração Reagan por exemplo forneceu 2 mil milhões de dólares aos moudjahidines afegãos, completados por um contributo de 2 mil milhões de dólares da Arábia Saudita.

No Afeganistão, USAID investiu dos milhões de dólares para fornecer aos alunos “manuais cheios  de imagens violentas e ensinos islâmicos militantes”, de acordo com o jornal Washington Post. A teologia que justifica o Djihad violento era aí entrecruzada  “de desenhos de espingardas,  de balas, de soldados e de minas”. Os manuais elogiavam mesmo as recompensas divinas oferecidas às crianças que “arrancassem os  olhos do inimigo soviético e lhes cortassem as pernas”.

De acordo com a crença popular, esta configuração desastrosa de uma colaboração entre o Ocidente e o mundo muçulmano no financiamento dos extremistas islamitas teria acabado com o desmoronamento da União soviética. Como o expliquei  aquando de um testemunho ao Congresso um ano depois após a saída do relatório da Comissão do 11 de Setembro, esta crença popular é errada.

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Nafeez Ahmed, Islamic State is the cancer of modern capitalism. Texto disponível em:

http://www.middleeasteye.net/columns/cancer-modern-capitalism-1323585268

Este texto foi publicado em Middle East Eye e encontra-se disponível na versão francesa em Les-crises.fr  com o título L’Etat islamique, cancer du capitalisme moderne, no seguinte endereço :

https://www.les-crises.fr/letat-islamique-cancer-du-capitalisme-moderne-par-nafeez-ahmed/

 

Biografia de Nafeez Ahmed

Nafeez Ahmed, PhD, is an investigative journalist, international security scholar and best-selling author who tracks what he calls the ‘crisis of civilization’. He is a winner of the Project Censored Award for Outstanding Investigative Journalism for his Guardian reporting on the intersection of global ecological, energy and economic crises with regional geopolitics and conflicts. He has also written for The Independent, Sydney Morning Herald, The Age, The Scotsman, Foreign Policy, The Atlantic, Quartz, Prospect, New Statesman, Le Monde diplomatique, New Internationalist. His work on the root causes and covert operations linked to international terrorism officially contributed to the 9/11 Commission and the 7/7 Coroner’s Inquest.

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