Após a tomada de posse do novo governo, ocorrida anteontem, mais de mês e meio depois do dia das eleições, há pessoas de vários quadrantes a dizer de que entrámos num novo ciclo. Claro que nem todas terão a mesma opinião sobre o que deverá ser o tal novo ciclo.
A demora havida até à constituição e entrada de funções do novo governo não foi em nada benéfica para o país. Demorou-se este tempo todo por responsabilidade do presidente da república, que só contrafeito chamou o líder do segundo partido mais votado para constituir governo, após a assembleia da república ter rejeitado o programa apresentado pela força política que recebeu o maior número de votos a 4 de Outubro último, mas não a maioria absoluta.
Uma das figuras que falou em novo ciclo foi Marcelo Rebelo de Sousa. O ex-comentador da TVI vai sem dúvida ser protagonista destacado nas eleições presidenciais que estão à porta. Obviamente que pretende demarcar-se do seu antecessor, até porque tem a preocupação de conquistar votos à esquerda, para poder vencer logo à primeira volta. Entretanto propomos a leitura atenta do discurso de Cavaco Silva na tomada de posse do governo de António Costa. Não será exagerado prever que até à tomada de posse do novo presidente da república ainda poderemos vir a assistir (e a sofrer na pele) problemas derivados da pouca simpatia que o actual parece sentir pelo novo governo. Será que Marcelo Rebelo de Sousa tem temores fundamentados de ainda vir a ter de remediar os estragos que vai encontrar? Ele e Cavaco Silva pertencem à mesma força política, há que ter presente. O que pode querer dizer alguma coisa, ou não, conforme as circunstâncias, é verdade.
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