EDITORIAL – porquê Espanha?

logo editorialNum dos nossos últimos editoriais, qualificávamos como horrível o estado vizinho. Houve quem não gostasse e não nos custa reconhecer que, de certo modo, a qualificação  é exagerada e que Espanha, sob numerosos aspectos, é um bonito território, que os espanhóis são gente simpática, que paisagens, monumentos, gastronomia, são do melhor que há no mundo. A nossa antipatia situa-se no plano político – um português que conheça um pouco da história das relações entre os dois estados, dificilmente apreciará uma vizinhança que não deixa nunca de nos provocar problemas,

«São coisas passadas», dizem portugueses que pensam que estamos a falar de Aljubarrota. Um quadro cronológico dos nossos problemas politicos com os vizinhos, ocuparia umas boas centenas de páginas.- Aljubarrota foi uma batalha decisiva, pois além de resolver uma contenda que poderia pôr termo à nossa independência, resolveu questões de natureza interna, pondo termo a uma crise que vinha de dois anos antes e que incluíra um assédio a Lisboa pelas forças de João I de Trastâmara que com os seus projécteis destruiu uma parte do centro da cidade, nomeadamente a Rua da Madalena cujos prédios foram em grande parte incendiados. A política interna estava indissoluvelmente ligada à política global dos reinos peninsulares que, além dos laços políticos, envolvia questões de natureza familiar. Mas, separados do Reino da Galiza os nossos problemas com Leão e com Castela e com Espanha, foram quase permanentes desde que em 1143 a bula papal consagrou a nossa plena independência. Os tempos mudaram, mas a interdependência mantem-se. Há quem pense que estaríamos melhor integrados num todo peninsular. Por diversas vezes citámos a opinão de Saramago e a de Ricardo Salgado que, por razões diferentes aprovavam essa anexação – o escritor porque via essa integração como uma inevitável fatalidade; o banqueiro por ver nela uma margem de expansão do deu banco nas áreas metropolitanas de Madrid e Barcelona. Há ainda as meninas leitoras da Hola! que acham que ter um rei, é giro.

Quando falamos da independência da Catalunha, País Basco ou Galiza, fazemo-lo por entender que não é justo que uma nação oprima outras e vá ao ponto de suprimir as suas identidades culturais. Fazemo-lo por entender que a monarquia espanhola é ilegal e uma herança do «caudillo». Fazemo-lo por solidariedade para com os nossos irmãos galegos, bascos e catalães. Fazemo-lo também por sabermos que na nossa classe dirigente há quem despreze a independência nacional: vende-a à Alemanha, aos Estados Unidos… e que provavelmente o negócio poderá ser feito em Madrid…

Os traidores já não se escondem em armários. Vestem togas, usam becas e são tratados por «Excelência», Sentam-se nas cadeiras do poder e negoceiam o País embrulhando a traição em palavras (e em inglês). Miguel de Vasconcelos nasceu cedo demais. Hoje, seria considerado um salvador da Pátria.

Mudam-se os tempos…

 

 

 

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