O ódio ao estrangeiro e à diferença tende a manifestar-se de forma muito viva em alturas de crise. Estamos a verificá-lo mais uma vez, nesta segunda década do século XXI. Desde sempre, desde os primórdios da humanidade, se calhar mesmo anteriormente, que, em situações de maior pressão, o sentimento de insegurança que cresce nos indivíduos os faz procurar apoio contra perigos reais ou imaginários de uma maneira urgente, diferente da que adoptam em alturas julgadas normais. As associações que se formam nas mentes entre as ideias sobre o desconhecido, a diferença, o que vem de fora e os perigos que eventualmente podem sobrevir tornam-nos mais vulneráveis a manipulações por parte de bosses, führers, caciques, régulos e outros da mesma igualha.
Com efeito, nessas situações de maior pressão, as pessoas acentuam a tendência a dar ouvidos a líderes, ou candidatos a líderes de verbo fácil, que propõem soluções simples e imediatas, e aparentam serem capazes de pôr força por detrás das suas propostas, para transformar estas em imposições. E os indivíduos, mergulhados nas convulsões da crise, mostram-se mais receptivos a aceitar estas propostas, mesmo quando contrariam regras anteriormente aceites e tidas como básicas. Os recentes atentados de Paris, e outros que têm ocorrido por todo o mundo, têm ajudado alguns dos líderes, ou candidatos a líderes, que se integram no modelo acima referido, a progredirem nas suas carreiras. É o caso de Donald Trump, o milionário norte-americano que encabeça as sondagens quanto à nomeação pelo partido republicano para candidato à presidência da república. Quer expulsões em massa de imigrantes, proibir a entrada de muçulmanos no país, por aí fora. Contudo, parece gozar de grande popularidade.
Os atentados têm também contribuído para o progresso da carreira política de Marine Le Pen, e para o avanço da Frente Nacional na cena política francesa. É verdade que os franceses, apesar da sua história gloriosa, nunca foram propriamente muito amigos dos estrangeiros. Contudo, por serem um dos países mais desenvolvidos do mundo (não seriam melhor dizer “ainda serem”?) receberam muitos imigrantes, boa parte deles provenientes de colónias que entretanto se tornaram independentes, e os restantes de países vizinhos menos desenvolvidos. A decadência que o país tem tido, depois dos governos de Charles de Gaulle, a concorrência de outros países, a ascensão do imperialismo financeiro, o desfazer da ilusão da União Europeia, as regras discriminatórias próprias de uma sociedade burguesa, a violência da precariedade e o trauma do desemprego, fizeram com que no país se formasse um enorme proletariado, predominantemente nos subúrbios das grandes cidades, em que os imigrantes predominam. Os progressos do islamismo e do fervor religioso, que se constituíram como alternativa aos ideais políticos, as frustrações da descolonização e dos conflitos do Próximo e do Médio Oriente, levaram à formação de um caldo de cultura para a violência e o terrorismo. Daí que um nacionalismo exacerbado, que dá prioridade a medidas de defesa imediatas contra uma ameaça que tem um rosto, progrida fulgurantemente.
Propomos que acedam aos links abaixo:
http://www.lavie.fr/debats/edito/face-au-front-national-08-12-2015-68813_429.php
http://www.theguardian.com/commentisfree/2015/dec/11/lessons-donald-trump-marie-le-pen


A Le Pen nunca quis a UE e é por isso que lhe chamam direitista. Parece que não tem o direito de não querer os boches a mandar no seu País. Este IVº Reich é tâo mau como o IIIº. A tinta é que parece outra.CLV