CRÓNICAS DO QUOTIDIANO – ATÉ QUE SERMOS OPOSIÇÃO NOS SEPARE?! -por Mário de Oliveira

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Chegou ao fim a coligação de poder, Portugal à frente. A ambição do poder os uniu, a desconfortável situação de Oposição no Parlamento os separou. As juras de amizade e de entendimento político que os dois agora se fazem, são isso mesmo, juras. Sobre elas, adverte o velho ditado, Quem mais jura mais mente. Mentir é, aliás, a especialidade do poder. Até nos casamentos canónicos ou pela igreja é assim. O Ritual bem diz, “O que Deus uniu, não o separe o homem”. Só não diz que o Deus que uniu é o mesmo do Credo de Niceia-Constantinopla. O Todo-poderoso, gerador de milhões e milhões de súbditos e de elites todo-poderosas, suas representantes na terra. Logo que aparece um outro mais poderoso, o anterior fica só. Os que ele tinha por mais fiéis são os primeiros a abandoná-lo. Passam-se, com armas a bagagens, para o novo vencedor. As fidelidades e os contratos, no reino do poder, duram, enquanto há privilégios em crescendo a distribuir. Acabam, quando estes se esvaem. Os dois chefes da defunta PAF, PauloPortas e PassosCoelho, são hoje os grandes derrotados no Parlamento. Cada vez mais sós e com o chão a fugir-lhes debaixo dos pés. Durante os séculos de domínio absoluto dos papas e da Cristandade Ocidental, os casamentos canónicos, obrigatoriamente realizados nas igrejas paroquiais foram os únicos casamentos válidos. O divórcio institucional foi sempre impensável, por mais numerosos que fossem os divórcios reais, verdadeiras tragédias com sabor a inferno e a morte lenta, mantidas em nome da sacrossanta indissolubilidade do matrimónio. Só mesmo a Cristandade foi capaz de tão numerosa destruição de milhões de seres humanos, unidos por um Ritual cristão católico romano, sem um pingo de racionalidade cordial. A prova provada de que uma e outro têm tudo de anti-Deus que nunca ninguém viu e se nos dá, finalmente, a conhecer em Jesus, o filho de Maria. Não passam duma maquiavélica criação do poder monárquico absoluto do papa de Roma e da sua hierarquia, para cúmulo, celibatária à força. CDS e PSD acabam de divorciar-se. O poder os uniu. A perda do poder os divorciou. Aos seus chefes, espera-os, agora, o ódio político que os trucidará sem piedade. Já estão afiadas as facas dos que vão derrubá-los.

18 Dezembro 2015

 

 

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