Temos de novo o FMI a falar em erros passados. Há uns dois anos atrás, foi o erro no cálculo do efeito multiplicador dos cortes na despesa pública, cortes esses que incidiram sobretudo nos salários e pensões. O resultado foi que a quebra no PIB foi muito superior ao previsto. Agora falam em que devia ter havido uma reestruturação na dívida portuguesa, antes de se começar com os chamados programas de resgate, vulgo troika, de modo a avaliar melhor a sustentabilidade da dívida.
Estes actos de “arrependimento”, já toda a gente sabe, mas é preciso dizer bem alto, que não adiantam nada à situação do cidadão comum, obrigado a pagar e que não querem sequer que “bufe”, pedindo-vos perdão do plebeísmo. E pior, feitos a posteriori, bastante a posteriori, não levarão a qualquer alteração significativa no estado de coisas. É sabido que o problema da dívida, seja ela pública, privada ou conjunta, está a estrangular a vida de muitos países, entre eles alguns da União Europeia. O caso da Grécia é por demais conhecido. O Syriza talvez tenha cometido o erro de subestimar a voracidade do sistema financeiro e avaliado mal a arrogância e o carácter despótico dos dirigentes da União Europeia, a começar pelos alemães. Contudo, é difícil imaginar que Tsipras e os seus camaradas tivessem uma alternativa séria à cedência perante o ultimato que receberam a 13 de Julho passado, sem verem o seu povo arrastado para uma crise ainda maior. Em Portugal, o governo de bons alunos, não deixou o país em melhor situação, ao que se consegue perceber olhando para os indicadores sociais e económicos. Não haverá conflitos sociais e políticos tão grandes, devido à forte emigração, e a que a situação geopolítica do nosso país é muito diferente.
A reestruturação da dívida, feita em termos sérios, que acautelem os interesses dos cidadãos, contribuiria certamente para melhor a situação de Portugal, da Grécia e de outros países endividados. Contudo, o grande obstáculo é que os chamados “credores” não estão interessados. Sabem melhor do que ninguém que a “dívida” é impagável, por países em crise, com economias anémicas, asfixiadas pela concorrência com outras economias muito mais poderosas, como é a alemã. Contudo, impagável será, mas tem rendido bons juros, que nalguns já somaram montantes superiores ao capital que lhes deu origem. E a ”dívida” não pára de crescer. Alguém que nos diga qual o contributo do BANIF para esse crescimento.
” E a ”dívida” não para de crescer. Alguém que nos diga qual o contributo do BANIF para esse crescimento.”E quem ?Maria
Parabéns pelo editorial. Sucinto e claro. Vamos a ver se 2016 traz alteração à relação de forças dentro da UE.