EDITORIAL – As palavras e os actos

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Há no conceito generalizado  na linguagem política dos cidadãos, na própria interpretação sobre o funcionamento do democracia, uma série de ideias que desvalorizam e diminuem o poder que, neste sistema de democracia representativa, reduzem a participação dos eleitores, que no fundo, se limita a depositar na urna o seu voto, havendo uma elevada percentagem que nem sequer esse pequeno poder exercem. Do que não abdicam é de atacar os governantes nas conversas que mantêm entre si. Neste campo, verificam-se dois curiosos fenómenos – muitos dos que atacam verbalmente um determinado executivo, votaram nele; uma ampla parte dos que se sentem mal governados, não exerceu o direito de voto.

Na sua mensagem de Natal, António Costa afirma que a mudança já começou: «Uma mudança que permitirá virar a página da austeridade e colocar Portugal no caminho do crescimento. Uma mudança que permite quebrar o ciclo de empobrecimento e que devolve a esperança num futuro melhor». E anuncia um pacote de medidas, tais como a devolução do que, violando abertamente a Constituição, o anterior executivo roubou aos contribuintes para resolver problemas provocados por falcatruas de gente que aumentou ou criou fortunas â nossa custa.

Há entre nós militantes socialistas, mas a maioria não concorda com o PS – a maioria de nós não acredita que a mudança seja tão grande que rectifique tantos disparates, irregularidades e atentados aos interesses nacionais, cometidos pelo governo de Passos Coelho. Palavras são palavras e não podemos acreditar que do bordel onde Salgados e quejandos roubaram à tripa-forra se vai transformar num presépio onde, desde o São José ao burro e do Baltazar à vaca, todos se vão portar bem. Mas o axioma popular de que «os políticos são todos iguais» destrói a essência da democracia representativa, já de si imbuída de vícios de base que a convertem em dócil instrumento da ladroagem. Costa não é igual a Coelho. Pelo menos nas palavras. Vamos a ver nos actos.

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