EDITORIAL  –  AS MUDANÇAS DEMORAM TEMPO

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Ouve-se muitas vezes falar sobre como é melhor fazer uma revolução, que poderá conduzir a uma mudança mais generalizada e profunda da política e da sociedade em vez de  reformas que, na melhor das hipóteses possíveis, apenas poderão levar a mudanças sectoriais, facilmente anuladas pelos defensores do statu quo ante. Mas também ouvimos dizer exactamente o contrário, que é melhor optar por reformas, em vez de procurar fazer uma revolução, cujos resultados não são frequentemente os pretendidos pelos seus mentores, e levarão facilmente a conflitos e desastres, rejeitados pela generalidade das pessoas, mas que serão extremamente difíceis de sanar.

Não será preciso ir buscar o pensamento ou a vida de Rosa Luxemburgo ou de outros  grandes pensadores e activistas para se compreender porque é que qualquer mudança, sobretudo quando disser respeito a partes consideráveis da sociedade levará sempre muito tempo a preparar e a consolidar. E que essa mudança tem de se reflectir em todos os sectores, não apenas numa parte. Veja-se o que aconteceu em Portugal pós 25 de Abril: houve mudanças muito significativas e importantes, sobretudo nos aspectos sociais e políticos, mas como falharam as mudanças mais necessárias no campo económico e financeiro, estamos em risco de ver tudo, ou pelo menos quase tudo, voltar atrás.

Este arrazoado, com algumas adaptações, poderá aplicar-se à situação que atravessamos neste momento, em finais de 2015, em Portugal. Um governo feito em moldes inovadores, ao qual ninguém prevê um futuro fácil, ainda por cima tendo de lidar com instituições europeias nada facilitadoras no que respeita ao cumprimento de regras, sobretudo de regras sobre as quais já se viu terem pouco a ver com os interesses dos cidadãos, tem pela frente uma missão muito complexa. O reconhecimento deste facto não significa que os portugueses devam dar-lhe rédea livre, e ainda menos fazerem como no passado, descurarem o acompanhamento diário da vida política. Essa é uma das condições indispensáveis para podermos vir a ter uma mudança para melhor.

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