O cronista regressa, hoje, à crónica para fazer um agradecimento.
Um agradecimento ao menino de Montalegre, que pouco depois das 20 horas, adocicou o seu dia.
Conto: Montalegre, em pleno Barroso, acordou coberta por um manto branco de neve pelo que as autoridades locais decidiram encerrar as escolas. Foi o primeiro nevão do ano e os jornalistas ali ocorreram para dar a notícia.
À porta da Escola Bento da Cruz1 um repórter da TVI fala com quatro crianças, que brincam com a neve. Uma delas, um menino com os seus nove, dez, anitos, corpo arredondado por grossas camisolas, interrompe a brincadeira, puxa ligeiramente o gorro para trás, e explica:
– Foi o senhor director que mandou fechar a escola. Assim, protegemos os meninos das aldeias…
Eu que já estou farto de ouvir tantos palhaços travestidos de professores/doutores, o Jesus e o Lopetegui, pequenos e grandes malandros, surpreendo-me com o dito bonito, feliz, sincero, solidário do menino de Montalegre.
E disso aqui dou público registo.
Com a esperança de que a sua frase, aqui “impressa” em letra de forma, não se perca na espuma dos dias.
Obrigado, menino de Montalegre.
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1 Bento da Cruz, que faleceu no dia 25 de Agosto de 2015, foi escritor e médico. Seus pais, pequenos proprietários rurais, queriam que ele fosse padre e Bento da Cruz chegou a ingressar na Escola Claustral de Singeverga, dirigida por monges Beneditinos. Findo o noviciado optou por abandonar a ordem. Cursou Medicina em Coimbra e acabou por regressar ao Barroso onde exerceu durante largos anos. A sua obra é constituída por romances, crónicas e contos. Entre outros prémios, ganhou, em 1999, o Prémio Eixo Atlântico de Narrativa Galega e Portuguesa .

