EDITORIAL – NÃO É SÓ COM LEIS QUE SE PROTEGEM AS MULHERES DE SEREM ASSASSINADAS

A violência doméstica foi enquadrada enquanto crime público no início de logo editorial2000, por unanimidade de todos os partidos presentes na Assembleia da República e por proposta do Bloco de Esquerda. Depois disso vários avanços se deram, reconheçamos. No entanto, esta violência, no seu ponto mais alto – o assassínio – não tem tido limites: em 2014 foram 40 as mulheres que morreram em contexto de violência doméstica e em 2015 foram 29, a que se juntam 36 tentativas de homicídio, às mãos ( 80% ) de pessoas com quem estavam, ou estiveram, emocionalmente relacionadas. E muitos dos casos já eram conhecidos.

Novos programas vêm a caminho, segundo afirmações da secretária de Estado da Igualdade e da Cidadania, Catarina Marcelino, que esteve ontem no funeral da mulher decapitada pelo marido em Santa Marinha do Zêzere, medidas apoiadas pelas duas associações que mais têm lutado neste campo: a UMAR, a Associação Portuguesa de Mulheres Juristas.

Ora, não bastam as leis, tem que haver resposta em termos de apoio a essas mulheres, apoio diferente do que seja esconderem-se em casas abrigo. As respostas têm que ser mais rápidas e todos têm que se envolver. E é preciso não esquecer que, em casos que haja crianças elas são também vítimas, com repercussões para toda a vida.

 Estamos a falar de respostas na “crise”. Mas há que fazer com que se não chegue lá. Há que fazer com que se deixe de pensar que se pode ter poder sobre o outro, a ponto de o agredir (física e verbalmente) e de o matar! Sabemos que também há vítimas homens, mas a realidade é que é a mulher que é na sua grande maioria a vítima. Por todas as razões. Até porque ainda há a influência das religiões e dos que têm uma concepção em que a mulher tem culpa no crime, por “não aceitarem as exigências dos homens” ou “por pedirem o divórcio” (arcebispo de Toledo).

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