A nomeação, ontem anunciada, do argonauta Ernesto V. Souza como director do Portal Galego da Língua, leva-nos hoje a tecer algumas considerações sobre uma questão que é ignorada pela maioria dos portugueses – e, infelizmente, muitos são os galegos que também a parecem ignorar – a da criação de um Estado galego independente.
O PGL é uma instituição importante e com um papel relevante no complexo mosaico de problemas que constituem a razão de ser do (s) movimento (s) independentista(s).
Nas conversas com galegos de diversas tendências, encontra-se gente com as mais diversas opiniões – os que pugnam pela integração do galego no universo do português (há mesmo quem defenda a união politica com Portugal), os que propugnam a independência pura e simples –disseram-nos ser de 30% apenas os que defendem esta posição mais radical, e os que entendem ser suficiente a autonomia concedida por Madrid. Ouve-se o linguarejar, o híbrido castrapo, dialecto do castelhano. Numa deslocação que há anos fizemos à Universidade de Compostela, foi um encanto ouvir galegos falando como nós, ou seja, morfológica e sintacticamente como nós e com o desvio fonético que a aculturação centralista provoca. Professores compostelanos sentiram o mesmo numa esplanada de Braga – ouvindo uma roda de crianças cantando, um professor exclamou: «tão pequenos e falam tão bem galego!»
É um problema a resolver pelos galegos – que futuro desejam para o seu idioma – a integração num grandioso universo linguístico –a margem de progressão demográfica de Angola e de Moçambique – podem colocar o galego-português no segundo lugar das línguas ocidentais com maior número de falantes – ou o uso do castrapo – dialecto do castelhano, sem prestígio, falado por labregos.
A nomeação de Ernesto Souza como coordenador do PGL, talvez nos permita dar uma ajuda aos que querem o galego como idioma autónomo, variante de um universo linguistico que dentro de poucas décadas terá 300 milhões de falantes.