5. Depois de Colónia, a cantilena de Ângela Merkel

Falareconomia1

Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

O silêncio na Alemanha – que aconteceu em Colónia ?

5. Depois de Colónia, a cantilena de Ângela Merkel
Nem todos os beijos de passagem do Ano são simpáticos …

Luc Rosenzweig, revista Causeur

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O que se passou na noite de 31 de Dezembro em frente à estação de Colónia chocou toda a Alemanha . A esplanada da estação, vizinha da Praça da Catedral, o mais imponente edifício gótico europeu, é o lugar habitual dos grandes ajuntamentos festivos da metrópole renana. Vêem-se sempre para aqui, nas grandes ocasiões, na passagem de ano certamente, mas também no fim do maior grande desfile carnavalesco existente na Europa, e para festejar as proezas da equipa de futebol local, FC Köln. Colónia passa por ser a mais feliz, a menos bloqueada das cidades germânicas, adepta de uma moral libertário-libertina sob a direcção de um catolicismo permissivo e jovial.

As alegrias de passagem de fim de ano viraram em pesadelo quando um bando de várias centena de jovens machos, sofrivelmente alcoólicos e visivelmente cheios de cio, atacaram sexualmente e roubaram os seus objectos pessoais de valor várias dezenas de mulheres jovens, três das quais pelo menos foram vítimas de violação no sentido jurídico do termo, de acordo com a polícia. Esta última não tinha imaginado dar-se este golpe e tinha posto em prática o dispositivo mínimo destinado a prevenir os excessos de passagem de ano de uma multidão dopada pelo Sekt, o espumante local. Os polícias, pouco numerosos e mal equipados, são totalmente ultrapassados : os agressores cercam as vítimas, desafiam as forças da ordem e chegando mesmo a argumentar com o seu estatuto de requerentes de asilo, e para alguns entre eles da sua nacionalidade síria que lhes dá todos os direitos. Estes testemunhos da polícias só serão divulgados na imprensa quatro dias após os factos, enquanto que os responsáveis da polícia da cidade tinham decidido colocar em silêncio estes graves incidentes… Um vigia, empregado para a noite da consoada de um hotel de luxo situado sobre a esplanada, testemunha sobre a aflição de mulheres perseguidas, das roupas em desordem, a rogar que as deixassem entrar no hall do Hotel . Este segurança de origem sérvia, campeão de desporto de combate, mandará vários dos agressores ao tapete. No dia 1 de Janeiro , na aurira descorada e mergulhada em nevoeiro de uma manhã de inverno à beira do Reno, é um poderoso golpe : as queixas afluem ao comissariado central, relativas aos incidentes da noite que, além disso, inflamam as redes sociais. O porta-voz da polícia deixa caír então uma bomba: os autores destas agressões, de acordo com os testemunhos das vítimas, são homens jovens “de origem norte-africana ou árabe”. Observar-se-á que para além do Reno não se embaraçam de perífrases complicadas para dizer que um gato é um gato, e delinquentes de uma origem étnica precisa, agindo em bando organizado, não se tornam jovens procedentes dos bairros populares por uma prestidigitação semântica.

Na França, ter-se-ia imediatamente denunciado a intolerável estigmatização de que teria sido vítima uma qualquer comunidade devido à má condução de alguns maus sujeitos autores “de incivismos” deploráveis, certamente, mas compreensíveis devido às humilhações que sofrem diariamente. É necessário no entanto ler esta declaração policial face à situação alemã: designando nomeadamente “os norte-africanos e os árabes”, a polícia de Colónia exonerava a mais importante comunidade alógena da cidade, as várias dezenas de milhares de Turcos instalados desde há décadas na cidade natal de Jacques Offenbach, das torpezas cometidas por outros estrangeiros. Nunca os turcos puseram à sociedade alemã como um todo os problemas que outros países, como a França ou a Bélgica, encontram com uma imigração procedente das suas antigas colónias. Solidamente estruturados nas suas organizações políticas autónomas, os turcos causam preocupações às autoridades do país hóspede apenas quando regulam, sobre o solo alemão, contas violentas ligadas aos conflitos étnicos e políticos do seu país de origem, nomeadamente com os Curdos…O afluxo recente, na Alemanha, de uma nova imigração, do Médio Oriente e do Magrebe, altera notavelmente os dados . Na sua maioria , são homens jovens que vêm sozinhos, enquanto que a imigração turca é na sua maior parte familiar. Deixados a si mesmos e sem enquadramento político ou associativo, encontram-se abruptamente mergulhados numa sociedade permissiva, onde as mulheres não têm frio nos olhos nem noutros lugares, sentem-se ao abrigo do código de boa conduta implícita em vigor nas relações homens-mulheres made in Germany …. O macho alemão, sendo sobretudo difícil de se descontrair em relações francas não é inadequado, além Reno, para as jovens mulheres, apresentarem um rosto afável nos lugares públicos, responderem amavelmente a um desconhecido que as felicita sobre a sua beleza , sem que isso seja visto como um convite para ir fornicar depois.

Vindos de sociedades onde a frustração sexual das pessoas jovens é a regra, devido ao estatuto das mulheres nas sociedades tradicionais, os violadores de Colónia (e de algumas outras cidades da Alemanha onde factos similares foram revelados a seguir ) levaram à letra as afirmações de Angela Merkel que pede aos cidadãos alemães que acolham de braços abertos os refugiados. A satisfação do seu desejo sexual, fazia, para eles, parte dos direitos abertos pelo estatuto de refugiado que a Alemanha lhes atribuía , assim como o alojamento e o pecúlio atribuído aos requerentes de asilo. Resultado: Não se age de excessos individuais, nem isolados, como se pôde constatar na França e no mesmo período. Na Alemanha, são motins sexuais de massa, planificados nos lares de alojamento e nos quais participaram até duas mil pessoas nas lugares mais quentes.
É por isso que a questão de Colónia produziu o mesmo efeito, salvaguardadas todas as proporções que as rajadas de metralhadora Kalach sobre os que bebiam os seus mojitos nas esplanadas de Boboland parisiense: um atentado gravíssimo aos modos de vida e aos comportamento dos aborígenes, os Alemães e e as Alemães de cepa.

Compreende-se então o disparar de críticas que se abateu sobre a Presidente da Câmara de Colónia, Henriette Reker, que não encontrou nada melhor, para prevenir novos incidentes deste tipo, que de convidar as mulheres da sua cidade a adoptar uma atitude menos afável no que diz respeito aos desconhecidos, “ manter estes últimos à distância pelo menos de um braço esticado”, deslocarem-se em grupo e outros conselhos dignos de alguém que aluga cadeiras junto da catedral. Refiram-se igualmente as circulares difundidas pelos directores dos liceus e colégios situados perto dos lares de refugiado, pedindo aos pais para olharem pelas suas filhas para que estas tenham comportamentos “discretos” para virem às aulas, a fim de não tentarem o diabo!

Para a chanceler Angela Merkel, a nova ídolo do Libération, do Le Monde e de Médiapart, a questão não pode ter caído pior. Esta talvez tenha salvo a honra da Europa na questão dos migrantes, mas sem estar a imaginar as consequências da sua generosidade sobre “o deutsche Gemütlichkeit”, esta arte alemã de viver e deixar viver cada um e cada uma com a sua ideia da sociabilidade convivial. Os partidos políticos, esquerda e direita em uníssono, estão firmemente a tentar uma corrente fortemente contrária: pedem o fim imediato da política de porta aberta aos migrantes, e a expulsão não menos imediata dos requerentes de asilo culpados de actuações do estilo da noite de Colónia. A “ Schadenfreude “, esta alegria maldosa de ver o outro em má situação, submerge hoje em alguns vizinhos da Alemanha, em Praga, em Budapeste ou em Varsóvia, que recentemente tinha sido seriamente criticado por Mutter Angela devido às suas reservas em aceitar, neles, a sua quota de pessoas jovens e cheios de força e ardor. Mas tal poderia transformar-se rapidamente em angústia: a de ver doravante as multidões de novos migrantes a tomarem o caminho das suas cidades, caso a Alemanha – não se sabe porque obscura razão – não mostrar, a partir de agora, disponibilidade para acolher todos os que vierem.

Luc Rosenzweig, Revista Causeur, Après Cologne, la gueule de bois d’Angela Merkel-Les bises de nouvel an ne sont pas toutes sympa…
Texto disponível em: http://www.causeur.fr/cologne-migrants-viols-allemagne-merkel-36164.html

*Photo : SIPA.AP21841244_000002.

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