França: algumas medidazinhas contra um desemprego e um défice recorde – por Michel Lhomme

Falareconomia1

Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

 

França: algumas medidazinhas contra um desemprego e um défice recorde

Michel Lhomme, Revista Metamag

Com uma montagem de Júlio Marques Mota

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França: algumas medidazinhas contra um desemprego e um défice recorde

Isto ultrapassaria com efeito as previsões mais pessimistas de Bruxelas: o estado económico do nosso país é catastrófico.

Com a política inalterada e a irresponsabilidade constante dos seus líderes, a França apresenta neste fim de ano 2015 o défice mais elevado de toda a zona euro. Todas as medidas de restrições programadas desde há meses, medidas todas elas dirigidas contra as classes médias, as famílias, a segurança, a Defesa nacional, os proprietários, os reformados, os automobilistas, os desempregados, os professores, todas estas medidas não terão servido para nada a não ser para dar garantias ao centro de decisão que é Bruxelas de que se pratica a austeridade e pedir a sua indulgência. De acordo com uma engrenagem perversa e infinita, o desbaratar das ajudas sociais aos ilegais, os sem papéis, com a ajuda médica de Estado, o escândalo dos empregos ajudados como a única solução ao enorme desemprego de massa que não pára de crescer, apesar de promessas repetidas de investimento e de relançamento da economia, tudo isto condena inelutavelmente a França à pobreza.

Com cerca de 700.000 desempregados desde maio de 2012, e ainda 40.000 suplementares no mês de Outubro, o governo francês tem de assumir toda responsabilidade deste falhanço, privando pela sua ideologia socializante o país de toda e qualquer margem de operação e de iniciativas económicas ambiciosas como o fim dos nichos fiscais, o sistema das ajudas sociais estatizadas e a desfiscalização das regiões ultramarinas.

O executivo europeu previa 4,4% de défice em 2014, 4,5% em 2015 e 4,7% em 2016. O resultado corre o risco de se aproximar dos 5% enquanto que o governo previa no início do ano 4,3%. Estes números não correspondem completamente aos números oficiais mas correspondem aos números europeus rectificados pelo crescimento importante da dívida pública do país. Está-se bem distante em todo caso do regresso ao objectivo de 3% em 2017, a famosa a regra de ouro prometida como por milagre para o ano eleitoral.

Com efeito, as economias propostas visam sempre a mesma coisa enquanto que o governo não faz nada contra a má despesa pública: a AME (Ajuda médica gratuita), o CMU (a cobertura médica universal), o muito grande número de funcionários, de deputados, o aumento constante das despesas do Estado, as transferências financeiras maciças para a União europeia, o apoio dado ao euro, o custo crescente da imigração, os alojamentos gratuitos nos hotéis para os pseudo-refugiados jihadistas, a fraude social e fiscal. Se a dívida pública ainda se tornou mais pesada e passou de 95,5% do PIB em 2014 para 98,1% este ano e roçará os 100% (99,8% exactamente) em 2016.

A França no início do ano será outra vez examinada por Bruxelas porque permanece na sua mira. Os atentados de 13 de Novembro, as eleições de 6 de Dezembro permitiram-lhe ter um pouco de sossego mas as agências de notação não são trouxas. A França deveria segundo toda a lógica receber sanções financeiras por não ter tido cumprido com os seus compromissos e as suas promessas. Seriam multas e outras penalidades que poderiam ascender a vários milhares de milhões de euros. Sem soberania orçamental, a França brinca com o fogo, digamos com uma União europeia da qual se tornou o pior aluno. Mas com a Alemanha à cabeça, a União europeia felicita-se também de manter a França com a cabeça debaixo de água, assinará ainda mais rapidamente sem mesma ler todos os parágrafos do Tratado Transatlântico.

Quanto aos anúncios do Presidente da República em matéria de emprego, deixam-nos cada vez mais cépticos quanto ao seu realismo e à sua eficácia, a menos que sirvam somente para retirar pelo seu plano de formação 500.000 desempregados das estatísticas do ANPE a fim de fazer acreditar aos eleitores que o Presidente manteve as suas promessas. Com efeito, não há procura de empregos e, de resto, o mesmo para o prémio à contratação de 2000 euros, as PME não contratarão se não houver encomendas. Então, que fazer?

A França sofre de maneira drástica de uma falta catastrófica de investimentos e não há que andar à volta do pote: para investir é necessário alterar as regras macroeconómicas sobre o plano interno e sobre o plano europeu.

É necessário em especial alterar as regras do Banco Central Europeu que realmente “engorda” ainda hoje os bancos privados, enquanto que estes , não emprestam às empresas. É necessário reencontrar o Banco de França.

 

Dados oficiais :

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Dados de Eurostat.

Desemprego:

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Défice:

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Em 2014, a França esteve sempre acima do limiar de 3%, com um défice público igual à 4% do PIB. Entre 2013 e 2014 o défice público francês reduziu apenas do 0,1 ponto de PIB. Isto corresponde à tendência europeia. Com efeito, entre 2013 e 2014, sobre o conjunto da União europeia, a parte do défice reduziu-se apenas de 0,3 ponto. Na zona euro a baixa foi de 0,5 ponto.
A redução quase geral dos défices públicos na Europa deve ser temperada pelo crescimento importante dos níveis de dívida pública dos Estados-Membros.

Divida pública:

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Michel Lhomme, Revista Metamag, France: quelques mesurettes pour un chômage et un déficit record Texto disponível em : http://metamag.fr/2016/01/21/france-quelques-mesurettes-pour-un-chomage-et-un-deficit-record/

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