A COMISSÃO EUROPEIA A PREPARAR UMA NOVA CRISE – 11. AVISO DE DESREGULAÇÃO FINANCEIRA NA EUROPA – II

logo_pt da comissão europeia

Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

attac - france logo

Aviso de desregulação financeira na Europa

Fréderic Lemaire, Avis de dérégulation financière en Europe

ATTAC, 1 de Outubro de  2015

Fréderic Lemaire

Oito anos apenas depois da crise financeira, nunca o tempo nunca foi  tão  favorável à finança e aos bancos na União Europeia. As tímidas  reformas financeiras avançadas após a crise  são já postas  em causa. E as novas iniciativas de desregulação financeira preparam-se para aparecerem à luz do dia, no âmbito do projecto de União dos mercados de capitais, apresentado esta quarta-feira pela Comissão Europeia. O objectivo: aumentar o papel dos mercados no financiamento da economia europeia. Com o risco de se prepararem assim  as catástrofes financeiras de amanhã.

Comissão Europeiacrise - XX

Na Europa assim como na França, as reformas financeiras não têm decididamente boa reputação.  Sabia-se que o governo francês, sob a influência dos bancos franceses, tinha trabalhado nos  bastidores  a desfazer  o projecto de taxa europeia sobre as transacções financeiras (TTF). Depois de ele próprio  ter adoptado uma reforma bancária minimalista, contribui, neste momento, para enterrar o projecto europeu de separação bancária. Este último projecto preconizava inicialmente obrigar os bancos a separar substancialmente as suas actividades especulativas das suas actividades de retalho, contrariamente às reformas bancárias de pura  cosmética  postas em prática  pela França e pela Alemanha. É finalmente uma reforma “à la carte” que parece estar a desenhar-se no Parlamento europeu, como no Conselho, apesar dos riscos consideráveis que fazem pesar as actividades especulativas dos bancos.

Os lóbis financeiros já  não se satisfazem em  bloquear, com a ajuda de governos complacentes, as tímidas  reformas efectuadas sob a égide do antigo Comissário Michel Barnier: trata-se agora   de retomar  a marcha em  frente na desregulação financeira. Trata-se agora de se poder contar sobre a nova Comissão e sobre  o seu presidente Jean-Claude Juncker, antigo Primeiro ministro do Luxemburgo, um  paraíso fiscal notório; e sobre o seu Comissário para os serviços financeiros Jonathan Hill e   fundador de uma empresa de lobing  financeiro, Quiller Consultores. Durante a sua actividade profissional, Hill trabalhou nomeadamente para o banco HSBC e para o centro financeiro da  City [1]. A Comissão já  anunciou  que uma das suas prioridades será a de pôr em marcha  “ uma União dos mercados de capitais” (UMC), cujo plano de acção foi apresentado esta quarta-feira pela Comissão.

Sob pretexto do refluxo dos empréstimos bancários para os investimentos de longo termo e as pequenas e médias empresas, a Comissão deseja aumentar o papel dos mercados no financiamento da economia europeia. Com uma proposta como referência: a titularização   dos empréstimos bancários. Esta técnica permite aos bancos revender os seus créditos sob a forma de títulos financeiros sobre os mercados de capitais. Permite-lhes emprestar libertando-se dos seus riscos, embolsando ao mesmo tempo as despesas bancárias.

Se a titularização  abre aos  bancos e investidores  novas oportunidades de lucro,  esta representa também um verdadeiro perigo: é esta técnica que contribuiu largamente para a crise financeira de 2008, incitando os bancos a adoptar comportamentos arriscados na concessão dos créditos. Participou no desenvolvimento de um sistema financeiro paralelo não controlado (shadow banking system), que favorece a criação de bolhas financeiras de crédito.

A Comissão Juncker está ao pé de guerra para reforçar o controlo que a finança tem  sobre a economia europeia e para desfazer  as reformas financeiras. Em nome do crescimento e de  considerações de curto prazo, prepara as catástrofes financeiras de amanhã. Na  hora da crise ecológica, investimentos importantes são certamente necessários para assegurar a transição das economias europeias para modelos mais sustentáveis. Mas estes não podem ser julgados sobre o critério da rentabilidade. É por isso que a alternativa às falsas soluções de mercado formula-se simplesmente: é necessário pôr o sector financeiro sob controlo democrático em vez de querer colocar a Democracia sob o controlo financeiro

Frédéric Lemaire (@fredlemr)

Frédéric Lemaire,  Avis de dérégulation financière en Europe Texto disponível em:

https://france.attac.org/actus-et-medias/le-flux/article/avis-de-deregulation-financiere-en-europe

Leave a Reply