Selecção e tradução de Júlio Marques Mota
FC Sochaux: o accionista não suporta os adeptos do clube
David Desgouilles
Relembro regularmente a situação de FC Sochaux, não somente porque este clube de futebol é aquele que tenho no caro ao meu coração mas sobretudo porque a sua situação está em relação directa com as problemáticas da mundialização e com a identidade frequentemente analisada na revista Causeur. Neste caso, a identidade de um clube histórico do futebol francês, a sua venda a uma empresa de Hong-Kong por uma jóia da indústria francesa constitui uma metáfora do que vive o nosso país desde há duas boas dezenas de anos.
Em 17 de Dezembro passado, pessoalmente pressentia que Wing-Sang-Li, proprietário FC Sochaux não sabia ainda o que podia significar uma crise com os adeptos de um clube de futebol profissional. No momento em que escrevo esta nota breve, uma moção da totalidade das associações de adeptos foi tornada pública. É extremamente raro, no mundo do futebol, à fortiori em França, que as associações de adeptos de um clube façam causa comum. Estão, na maior parte das vezes, divididos e ciumentos das suas prerrogativas. Isto dá uma ideia da amplitude de mal-estar que gestão a gestão praticada por Ledus no F.C. Sochaux.. A moção, que pudemos consultar, chama a atenção sobre dois pontos. Em primeiro lugar, é a síntese de uma grande “dúvida sobre a existência de um projecto económico e desportivo”. “Por falta de uma visão clara que o accionista deseja para o FC Sochaux e o seu desenvolvimento, a confiança é impossível”, acrescentam os signatários, que citam a entrevista do Sr. Li ao jornal L’Equipe de 13 de Janeiro passado onde o proprietário dispara o número alucinante de 100 milhões de euros de investimento, enquanto que é incapaz de pôr imediatamente 2 milhões sobre a mesa para assegurar a manutenção do clube na segunda liga 2. A célula de recrutamento acaba mesmo de ser fechada, com surpresa geral. O segundo “motivo de desconfiança” refere-se “à governança do FCSM”.
As associações de adeptos preocupam-se unanimemente com o papel desempenhado por “certos intermediários declarados da retoma do FCSM por Ledus”. Interrogam-se sobre “as competências e as atribuições destas pessoas a quem são confiados as decisões capitais para a gestão e a estruturação do clube”.
As associações de adeptos concluem, ameaçadoras: “esperamos uma resposta rápida do accionista Ledus para eliminar as dúvidas e os equívocos. Seremos mais do que nunca vigilantes e determinados. Encaramos todas as acções necessárias se as nossas inquietações não forem eliminadas. FC Sochaux Montbéliard é a nossa casa comum. Um clube de futebol não é nada sem os seus adeptos.” Enquanto a situação desportiva do clube não anda melhor que a da sua gestão, como é referido na moção, o senhor LI deverá dar outras respostas que não aquelas que deu na sua entrevista ao L’Equipe. Sem o que, ele se tornará o detentor de uma proeza pouco invejada: consumir seis meses com a retoma de um clube, o divórcio com os seus adeptos . Um baptismo do fogo pouco invejável.
David Desgouilles, Revista Causeur, FC Sochaux: l’actionnaire insupporte les supporteurs. Texto disponível em : http://www.causeur.fr/fc-sochaux-football-36302.html



