BISCATES – A GRÃ-BRETANHA E A SAÍDA DA “EUROPA”- OS DELÍRIOS DO CAMARADA ABEL – por Carlos de Matos Gomes

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“Espero que o povo inglês, que é pragmático e tem ‘common sense’, senso comum, no final pense que não há razões para mudar”. O antigo presidente da Comissão Europeia Durão Barroso considerou esta segunda-feira que, se o Reino Unido sair da União Europeia, “em primeiro lugar festejaria Moscovo”, “Putin seria o primeiro a comemorar” e defendeu a permanência britânica. “É preciso perguntar quem festejaria, e em primeiro lugar festejaria Moscovo, o senhor Putin seria o primeiro a festejar”, a Rússia, disse Barroso, está “a apoiar tudo o que seja movimentos antieuropeus e eurocépticos.”

Durão Barroso tem feito pela vida, toda a vida, a fazer propaganda às ideias mais convenientes aos poderosos que lhe têm estendido a passadeira para ele estar assim gordo e anafado. Durão Barroso não faz análises, faz propaganda. É um facilitador avençado. Um vendedor de porta a porta.

O que está em causa é a saída de Inglaterra da União Europeia. Não é a saída da Grã-Bretanha da Europa. Se a Grã-Bretanha sair da União, a Escócia ao que dizem os seus dirigentes convoca novo referendo, sai do Reino Unido e permanece na União. De fora da União ficarão a Inglaterra, o País de Gales e a Irlanda do Norte. O problema que Barroso anda a agitar por onde o mandam pregar – ontem na RTP – não é a saída da Inglaterra da União Europeia. É a saída da City – um grande casino – do sistema financeiro europeu e a correspondente a perda da Wall Street – um casino-mãe do sistema – das vantagens de ter um cavalo de Tróia no sistema financeiro europeu.

A questão da saída da Inglaterra da União Europeia é um jogo de bolsas e de perda de posições vantajosas no casino mundial. Quando tipos como o Barroso e os jornalistas que copiam as notícias das grandes agências fazem comparações com vantagens e inconvenientes económicos da permanência, ou da saída, estão a mistificar. A questão é puramente financeira.

As questões dos apoios sociais a emigrantes é mera areia para os olhos de donas de casa e funcionários públicos ingleses reformados. A Inglaterra não pode viver sem emigrantes. Serviços essenciais como os transportes, o sistema de saúde, municipalizados, construção civil, hotelaria, comércio de proximidade são assegurados maioritariamente por emigrantes. Mais ainda, por emigrantes extra-comunitários (indianos, paquistaneses, chineses). Daí que a redução dos apoios sociais apresentado como a grande vitória de Cameron sejam uma aldrabice.

Haveria algumas pessoas que interessaria ouvir sobre o assunto, que não Durão Barroso, ou Guterres. O primeiro deles seria o presidente do Banco Central Europeu. Outro seria o presidente da Bolsa de Frankfurt, por exemplo. Outro ainda seria o especulador Soros. Aqui à mão, em Portugal, a melhor escolha seria Ricardo Espirito Santo Salgado, de quem Barroso foi empregado triste e menor.

Depois, a que título terá Durão Barroso chamado Putin à colação? Só se for por reflexo MRPP. O velho papão do revisionismo do camarada Abel. Parece que era esse o nome de código do agente que chegou a Comissário-chefe. Ter lido alguma História  ajudava o comissário a não fazer figuras tristes em público. O Guterres aceitou-o como co-celebrante desta triste missa de que soube pelo DN. É com ele, que é religioso praticante. De facto a Rússia nunca teve problemas com os ingleses, nem quando estes eram uma grande potência e não o apêndice dos Estados Unidos que hoje são. Mais, Putin não tem nenhum problema com a União Europeia, e Durão Barroso ajudou a que não tivesse, ao fazer da União Europeia um mercado de capitais e não uma potência, o que implicaria ter economia e força militar para intervir. A União Europeia não é uma ameaça para nenhuma potência mundial, logo não é uma ameaça para a Rússia. A União Europeia de Barroso é, em termos de capacidade para intervir no mundo, uma turma de rufias, que causam perturbações sem estratégia. Do género dos que, no final do jogo ficam sem pau nem bola. Assim ficaram depois das esclarecidas intervenções na Líbia e na Síria. Como arruaceiros menores, foram atrás do chefe do gang, os Estados Unidos, para o Afeganistão, o Iraque e a Ucrânia. Putin, para onde dorme melhor, é para a saída ou a permanência da Inglaterra, essa meia ilha da Grã-Bretanha de uma União que nem sequer é capaz de tratar dos refugiados da guerra que os estarolas colegas de pensamento e de acção de Barroso geraram. Acredito que Putin esteja interessado com a ligação da Turquia à NATO, ou com a aliança entre a Síria e o Irão. Acredito que Putin olhe todos os dias para o mapa do Médio Oriente, mas não acredito que Putin perca cinco minutos, mesmo enquanto faz ginástica de manutenção no tapete rolante do Kremlin, a preocupar-se com a entrada ou a saída da Inglaterra do sistema financeiro da União Europeia. Acredito que, depois de um bom jantar, o senhor Putin se lembre de Durão Barroso com um sorriso de complacência. Foi este pequeno homem que ajudou os Estados Unidos a fazerem da União Europeia um anão.

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