Selecção e tradução de Júlio Marques Mota
Hoje, A Itália. Amanhã se verá quem se segue
6. Bad bank, a enésima palhaçada, a enésima burla da União Europeia
O BAD bank não resolve nenhum dos problemas fundamentais do sistema bancário italiano. Ainda uma vez mais venceu Bruxelas.
Thomas Fazi, Bad bank, l’ennesima beffa
Eunews, 29 de Janeiro de 2016
(conclusão)
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Com base nas informações (ainda bastante vagas) de que dispomos no momento no momento, de facto, podemos assumir que os preços de venda dos créditos degradados será muito menor. A agência de notícias Reuters informou que o preço de venda será de aproximadamente 20-30 por cento do seu valor nominal. Isso pode-se comparar com os níveis médios de cobertura de 56,5 por cento para empréstimos degradados no sector: 40-50 por cento para os pequenos bancos italianos e 60-65 por cento para Intesa Sanpaolo, Unicredit e MPS. Isto significa que os bancos – com ou sem a bad bank – terão de enfrentar novas perdas e também vão precisar de novas e massivas injecções de capital nos próximos anos. E estamos a falar de dezenas de milhares de milhões. Isto foi explicado também, entre outras pessoas, por Silvia Merler do instituto Bruegel. Enquanto isso, o sistema bancário italiano continua a permanecer sentado sobre uma bomba pronta a explodir. Tudo isso é muito claro para o mercado: apenas conhecidos os extremos do acordo europeu, os títulos bancários italianos registaram perdas pesadas, com Unicredit por exemplo, a perder 3 por cento.
Em suma, a utilização do resgate interno, para muitos bancos italianos, vem só um pouco atrasado . Isto também parece que o governo o sabe, e ao que parece agora está disposto a querer renegociar a norma. O seixo nas águas paradas da lagoa, foi atirado pelo Banco da Itália. O vice-director geral do instituto da Via Nazionale, Fabio Panetta, não utilizou meias palavras: “É desejável pela parte do legislador italiano e europeu uma revisão cuidadosa das modalidades e do seu timing.” Um apelo à Itália e à Europa, que relança a perplexidade de via Nazionale sobre o sistema entrado em vigor no início deste ano. Para o Banco da Itália, de facto, seria necessário ter de esperar até 2018, porque, explica, este mecanismo “pode aumentar os riscos de instabilidade sistémica causada pela crise de bancos individuais”. Um elemento, sobre todos os outros, preocupa Bankitalia: pôr em perigo a confiança, considerada a pedra angular sobre a qual assenta a actividade bancária .
Por detrás da vontade de rever os tempos e as condições do bail-in está também o apoio do governo, como transparece nos ambientes dos seus executivos. Mesmo o centro de estudos da Confindustria afirma gravemente : as novas regras penalizam a Itália e constituem “um sério obstáculo ao aumento da actividade económica.
A classe política dominante felicita-se por estes pensamentos, embora nos pensamos interrogar sobre o que pensavam os nossos políticos – e particularmente os representantes do partido no poder – quando votaram quase por unanimidade em 2013-4, tanto no Senado como no Parlamento Europeu, a união bancária (bail-in, incluido, é claro). Torna-se, então, simplesmente grotesco, se pensarmos que apenas há algumas semanas atrás – embora Renzi tenha protestado contra Bruxelas – na sessão plenária em Estrasburgo, o Parlamento Europeu, com os votos do Grupo Socialista, votava o “Relatório sobre o orçamento e os desafios em matéria de regulamentação da UE em matéria dos serviços financeiros “, onde não só elogiaram a bondade do bail-in (no parágrafo 14, para quem esteja «interessado em ler ), mas também salientaram a sua necessidade (parágrafo 24) para resolver as interdependências entre riscos bancários e risco soberano “através da acção conjunta”, de facto aprovando a solução preconizada pela Alemanha para a reestruturação da dívida pública: obrigar as instituições a considerar os títulos do governo que eles têm na sua carteira de títulos como não estando livres de risco. Uma solução que efectivamente força os bancos a desfazerem-se dos seus títulos do governo e vendê-los massivamente nos mercados, criando assim um círculo vicioso que levaria rapidamente o sistema para o colapso. Numa coisa podemos estar certos: o pior ainda está por vir.
Thomas Fazi, La bad bank non risolve nessuno dei problemi di fondo del sistema bancario italiano. Ancora una volta ha vinto Bruxelles. Texto disponível em:
http://www.eunews.it/2016/01/29/bad-bank-lennesima-beffa/49394





O Mundo está ser gerido como se de um casino se tratasse ,a vida e dignidade das pessoas, não conta para este Capitalismo Selvagem, por isso é necessário utilizar todos os mecanismos reguladores para evitar nova crise, que afundará os países mais pobres e por isso mais vulneráveis.