Os atentados que vão amedrontar FRANÇOIS HOLLANDE – por Yves-Marie Laulan

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Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

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Sexta-feira 13, os atentados que vão amedrontar FRANÇOIS HOLLANDE

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Yves-Marie Laulan*, Revista Metamag

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Publicado a  25/11/2015

 

Sabia-se que François Hollande era um nulo em termos de crescimento económico e de luta contra o desemprego. Sabia-se também que era um coveiro da sociedade francesa com a sua lei sobre o casamento gay, ao mesmo tempo que reduziu de forma drástica os subsídios familiares para as famílias francesas médias, as que trabalham e que pagam os impostos, a favor das famílias numerosas imigradas, frequentemente muçulmanas, de prolífica fecundidade.

Mas o último prego espetado no seu caixão de presidente nulo serão os atentados que enlutaram Paris e por muito tempo. E isto ainda não acabou, muito provavelmente. A sua responsabilidade é enorme, colossal, gigantesca. E eis porque. Fez da França “o ventre frouxo” da Europa. Os terroristas de ontem, e os de amanhã, podem sentir-se felizes neste contexto . Porquê incomodarem-se?

1- Em primeiro lugar, recordemos que a esquerda que ele encarna sempre foi favorável à imigração, húmus do terrorismo, mas que fabrica também eleitores dóceis que votam tradicionalmente por uma esquerda portadora de subvenções e de ajudas de todos os tipos. Ele mesmo, recordar-se-á, foi eleito graças aos dois milhões de votos dados pelos eleitores imigrados e seus descendentes, muito maioritariamente muçulmanos. Este tipo de presente não se esquece. Mas é nada ao lado das borradas em série que ele cometeu durante o seu mandato, as quais nos conduziram à beira do abismo.

2- Com efeito, constatamos um gigantesco “fiasco” em termos de informações e de prevenção. Os atentados de Charlie Hebdo em Janeiro passado deveriam ter colocado r os poderes públicos em alerta vermelho. Mas não se fez nada de sério. Portanto, ou são negligentes, ou são incompetentes. Oh, certamente, houve alguns piquetes de soldados que fizeram uma guarda irrisória em frente das sinagogas e as lojas kacher. Sendo assim, as fronteiras da União Europeia, uma espécie de peneiras sem rede, permaneceram intocáveis e os terroristas passearam-se livremente sem nenhum controlo, com armas e bagagens, é caso para o dizer, de parte e outra das nossas fronteiras. Estes criminosos por conseguinte circularam livremente e sem obstáculos sobre todos os eixos, grandes e pequenos, do território nacional, até ao coração de Paris, onde puderam comodamente atacar. É-se levado a acreditar que se está a sonhar. Mas não se pode, de modo algum, tocar em Schengen., pedra angular da Europa em construção.

3- Mas há mais. Como não ver que François Hollande agiu como uma espécie de Tartarin de Tarascon nacional, acumulando as declarações guerreiras e as provocações sem ter mais o mais pequeno meio para manter os seus compromisso? Porque, enfim.

Era realmente necessário ir envolver-se sozinho na Síria onde nenhum interesse nacional fundamental está em jogo, com o risco aliás de atrair os raio sobre as nossas cabeças? E foi efectivamente isto que se produziu. Agiu como uma criança no jardim zoológico que vai puxar, para se divertir, pelos bigodes de um tigre sem se estar a preocupar de saber se a porta da gaiola está bem aferrolhada .

4- Neste caso é necessário temer que a motivação de François Hollande seja bem mais sórdida. Com a aproximação das eleições regionais, em que arriscava que fosse accionado o desmoronamento da sua cota de popularidade nas sondagens devido a desilusões trazidas por uma política económica desastrosa, tratava-se de se colocar como chefe de guerra que triunfa sobre o teatro das operações externas. E enviar os nossos Rafales descarregar bombas sobre algumas bostas de camelo dispersos no deserto líbio. Isto, por seu lado, é tão eficaz como querer apanhar mosquitos com luvas de boxe. Operação tão grotesca quanto ridícula, como pode atestar qualquer perito militar.

Mas esta “gesticulação” militar tinha sobretudo como finalidade tranquilizar o bom povo e convencê-lo de que se “fazia alguma coisa”. Porque isso permitia difundir magníficas imagens para a televisão dos aviões Rafale que fazem u barulho ensurdecedor descolando de dia ou de noite do porta-aviões Charles de Gaulle. De novo, como não pensar à Tartarin, o célebre caçador de bonés de Alphonse Daudet, cuja divisa era, recrdemo-lo, “fen de brut” “façamos barulho”. Mas o barulhão dos reatores dos Miragens vai ele calar os soluços dos pais das jovens mortos no Bataclan , vítimas da imperícia de um presidente incapaz e inábil?

5- O que aparece como incontestável neste episódio pouco glorioso é que as nossas forças armadas, enfraquecidas pelas punções e pelas sangrias operadas pelos presidentes precedentes, incluindo as realizadas pelo inefável Nicolas Sarkozy, estão incapacitadas de poder intervir, mesmo modestamente, no exterior e de defender eficazmente o território nacional contra um punhado de terroristas, uma dezena, no máximo. Envolver as tropas no solo, o único meio eficaz para lutar contra os djihadistes na Síria? Fora de questão, não há meios.

E aí está o nosso caro presidente embarcado “numa volta dos popotes” no estrangeiro de um novo tipo para pedir humildemente a ajuda dos nossos vizinhos e amigos. Entre os quais, os quais os Estados Unidos, não mostraram nenhum entusiasmo até agora para se envolverem numa nova cruzada contra os ferozes infiéis vindos do Oriente. Compreendemo-los, um pouco. Também não querem atrair complicações e chatices com Daesch, ou EL ou o Califat, qualquer que seja o seu nome. Que os franceses se desenrasquem. Eles só têm que se manter tranquilos. Quem semeia o vento colhe a tempestade.

Em contrapartida, e é uma grande consolação, as declarações de solidariedade não faltaram. E das lâmpadas de cor azul – branco – vermelho acenderam-se pelos quatro cantos do mundo com Marselhesa entoadas à saciedade. É mesmo assim menos complicado do que enviar de soldados e isto vê-se melhor, mesmo de longe, sobretudo na tele.

6- A lição da história é que todo o poder que não está em condições de assegurar a segurança aos seus administrados perde toda e qualquer legitimidade política. O poder de François Hollande deixa assim de ser legítimo. Aguenta-se apenas pela pintura ou pela oxidação. É um governo de falência. A França é aqui vítima das instituições de bronze criadas pelo general de Gaulle para homens políticos da sua estatura. Quando o poder é ocupado por medíocres, como é hoje o caso, estas instituições mantêm-no em estado de coma avançado, ou desempenham o papel de talas que o mantêm no lugar tão bem como mal, em estado de morto ou até em estado de decomposição avançada.

Quando se pensa que este governo conserva à sua cabeça um Primeiro ministro, de aspecto um pouco à Mussolini, em que a sua principal preocupação, na véspera dos atentados, era ligar-se aos “ Republicanos”, uma frente republicana contra a Frente Nacional de Marine Le Pen, o inimigo comum, portador dos miasmas do fascismo mais abjeto. Que visão. Que sentido da história do presente. E dizer que este mesmo governo conserva devotamente no seu seio como Ministro da Justiça, Christiane Taubira, alcunhada “Madame, prisões portas abertas”, a qual não deixou de enfraquecer o nosso direito penal para o submeter à tortura do seu liberalismo jurídico extravagante, completamente deslocado e perverso. Só a sua presença é uma ofensa à nobreza da função que ocupa e à dignidade nacional.

Mas estejamos certos de que François, perito na arte de se acomodar com os restos, sonha imediatamente nas vantagens políticas que irá poder retirar desta tragédia nacional. Para já, a sua cota subiu de alguns pontos. Então, as presidenciais, porque não? Os franceses são tão fáceis de enganar.

* Président de l’Institut de Géopolitique des Populations

Yves-Marie Laulan*, Revista Metamag, VENDREDI 13, DES ATTENTATS QUI VONT HANTER FRANÇOIS HOLLANDE, texto disponível em :

http://metamag.fr/metamag-3383-VENDREDI-13.html

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