HOJE, A ITÁLIA. AMANHÃ SE VERÁ QUEM SE SEGUE – 7. CRISE BANCÁRIA, COMO É QUE O BANCO MAU SE PODE TORNAR NO BANCO BOM, por MARCELLO MINENNA

Falareconomia1

Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

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Hoje, A Itália. Amanhã se verá quem se segue

7. Crise bancária, como é que o  banco mau se pode tornar no banco bom

A formula actual não serve. Serve uma solução que faça chegar o dinheiro às famílias e às empresas.

 Corriere delle Sera

Marcello Minenna,  Crisi banche, così la «bad bank»  può diventare «good bank»

Corriere della Sera, 9 de Fevereiro de 2016

bad bank - III

A  26 de Janeiro o ministro Pier Carlo Padoan “arrancou” à Europa o ok para criar o BAD bank. Para obter o dinheiro necessário para compensar os créditos de má qualidade  o BAD bank emitirá títulos garantidos por outros títulos de dívida, Asset backed securities (ABS): das parcelas de maior risco (a parte do ABS cotada como parte júnior) às  menos arriscados (a parte do ABS com o rating de sénior).

A garantia do Estado poderá ser concedida apenas sobre os títulos de rating sénior e a respeitar em uma  dada  condição: o seu rating (ou seja uma avaliação independente do risco) que esteja sensivelmente em linha com o do Estado italiano (que é BBB). Para chegar contudo a este resultado é necessário que a parcela dita  júnior tenha uma dimensão tal que possa  absorver as perdas dos créditos de má qualidade  que a banca ainda não limpou do seu balanço, sobre os quais ainda “não constituiu provisões” no seu balanço  e que, por conseguinte,  perguntar-nos-emos quem é que compra esta parcela do ABS. Se, com efeito, fosse o mesmo banco que concedeu estes maus  créditos  não haveria aqui nenhuma vantagem patrimonial: mas então  que sentido teria a operação a prescindir do resultado a que se adicione   uma garantia que não é “ajuda do Estado”? Em alternativa para os vender “aos fundos abutre” a parcela  júnior deveria oferecer rendimentos a  dois números e o problema em tal caso seria: quem é que os paga?

A  30 de Janeiro o governador do Banco da Itália Ignazio Visco num debate organizado por  Assiom-Forex pediu que se suspendesse o resgate à Itália. No entanto o valor das acções e das obrigações junior ou ditas  subordinadas no caso de resgate  bancário não é um problema que aparece agora mas que resulta de facto da  comunicação da União Europeia sobre o sector bancário de Agosto de  2013.

Apesar do papel chave dos bancos para a produção industrial italiana, não se compreende qual tenha sido até agora a estratégia de governança,  salvo  a exigência de evitar custe o que custar a intervenção directa  do Estado; mesmo quando esta teria sido considerada  natural como é  o caso para o  banco Monte dei Paschi, uma vez que foram vendidos as obrigações Monti.

Mas evitar a intervenção do Estado não quer dizer evitar uma implicação da poupança nacional. Monte dei Paschi, por exemplo, efectuou aumento de capital para 9 mil milhões, que agora se volatilizaram. Com o resgate dos  4 bancos em Novembro foram fixadas a nível zero as acções e as obrigações subordinadas no montante de  5 mil milhões.

Estimam-se em  20 mil milhões de euros   as  obrigações subordinadas nas mãos dos aforradores  e em média, hoje, o nosso   sistema  bancário  contabilizou  as suas  perdas sobre os seus 350 mil milhões de créditos de má qualidade  apenas em  60% do seu valor. Supondo que haverá ainda cerca de  50 mil milhões  de perdas “a colocar ” nos balanços  isto significará uma receita menor para o Tesouro Público de 20 mil milhões, porque contabilizar  as perdas gera para os bancos um crédito fiscal futuro. Poder‑nos‑íamos  tranquilizar  pensando que estes créditos fiscais aumentam o património bancário; actualmente estão para lá  dos 10% do património de vigilância. É pois uma magra  consolação, se pensarmos  que sobre este ponto há um inquérito europeu por  presumidas  ajudas de Estado. Se o resultado   do inquérito for positivo, os bancos terão necessidade de outros 50 mil milhões.

 A decisão de não intervir diretamente na economia não protege por conseguinte o contribuinte,  enquanto que se  abdica da  possibilidade de ter o controlo directo  sobre quanto (e quando) a poupança nacional será implicada. Sobre a oportunidade de uma intervenção (in) directa pela parte do  Estado sobre os bancos, merece que se faça uma  reflexão.

Na minha opinião o mau banco deve ser tornado mais eficaz  prevendo a cessação  de um mix de créditos bons e maus. Assim o risco da carteira de  créditos cedida pelos  bancos seria  atenuada e  o BAD bank seria mais sólido porque os juros obtidos pelos  activos  bons sustentariam os juros  passivos a pagar sobre os ABS. O Estado poderia limitar-se a garantir (às condições de mercado) esta parte do ABS  que está no meio do conjunto de parcelas, tranches,  entre os títulos de notação sénior e os de notação júnior (títulos mezzanine). Isto melhoraria ulteriormente a qualidade do crédito do ABS  e reduziria igualmente os juros a  pagar relativamente à dimensão da parcela do ABS de notação  júnior, resolvendo os problemas de apetência  desta parte do ABS. Em suma a parcela dita  júnior e a garantia do Estado constituiriam para o banco uma espécie de “parcela de perdas” não ainda   contabilizadas  sobre os créditos de má qualidade  com indiscutíveis benefícios patrimoniais para o banco. Evidentemente, a dimensão da parcela dita júnior, o custo da garantia sobre a parcela  mezzanine  e os rendimentos do ABS  estariam calibrados relativamente às características do mix de créditos bons e maus que constituem a base do  ABS

Além disso, a parcela dita  mezzanine  e a sénior  seriam admissíveis para o  quantitative easing do  BCE de acordo com quanto está previsto na decisão n. 45 do 2014.

Esta via poderia libertar gradualmente nos balanços  pelo menos  100 mil milhões  de velhos créditos e dar  espaço aos novos, conduzindo-se assim para os  investimentos que reforçariam o papel dos bancos no relançamento da economia italiana

Este comboio  não está perdido: trata-se de utilizar  espaços de manobra  já definidos pelas  instituições europeias. Para subirmos a  bordo são necessárias uma mudança de estratégia e uma diferente abordagem técnica dos problemas.

Marcello Minenna, Corriere della Sera, Crisi banche, così la «bad bank»  può diventare «good bank». Texto disponível em:

http://www.corriere.it/economia/finanza_e_risparmio/notizie/cosi-bad-bank-puo-diventare-good-bank-f25ba9e6-ce75-11e5-8ee6-9deb6cd21d82.shtml

 

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