CRÓNICA DE DOMINGO – Em 1914, o primeiro filme de Charlot exibido em Portugal- por Carlos Loures

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Não ponho as mãos no fogo pela veracidade  da efeméride, mas diz-se que foi em 28 de Fevereiro de 1914 que Charles Spencer conhecido como Charlie Chaplin, nascido em Londres no dia 16 de Abril de 1889 (morreu na Suíça em 25  de Dezembro de 1977) o Charlot como era conhecido  em Portugal, estreou o seu primeiro filme- Between showers  O Chapéu de Chuva (1914).

Já aqui contei, aliás como nesse dia de Natal, reunida a família, não por devoção religiosa, mas porque «era costume», desligado o som da televisão, estranhando a insistência com que o ecrã era ocupado com excertos de filmes chaplinescos, ao ligarmos o som, fomos surpreendidos pela noticia da morte de um homem que as três gerações presentes – meus pais, minha mulher e eu, meus filhos, admirávamos muito. Costumo dizer que esse acontecimento agravou a minha aversão pelo Natal – uma «quadra»em que o mais asqueroso frenesim consumista, a mais hipócrita solidariedade humana, a mais falsa piedade pelos deserdados da sorte, atinge níveis nauseantes- as luzinhas coloridas, os malditos chocalhos, os malditos jingle bells, os «portuguesíssimos» Ho! Ho!Ho! dos gordos contratados para desempenhar o papel de Pai Natal, porque a necessidade obriga, por vezes, as pessoas a fazer tristes figuras.

Charlot representou muitas vezes o papel desses humilhados e era amado porque, pobre, vagabundo, sem dinheiro, botas de solas rotas, nos vingava mostrando o ridículo da burguesia reinante, mas que em 1929 iria provar do seu próprio veneno. Chaplin ensinou-nos mais sobre a fragilidade moral do capitalismo do que muito0s revolucionários encartados. O garoto de Charlot, O imigrante, A quimera do ouro, O circo, Tempos Modernos, O grande ditador… foram lições de Ciência Política. E não só, a sua arte  de representar influenciou sucessivas gerações de actores a ter graça, fazendo  muitas vezes as lágrimas correr. Mostramos uma parte deste filme apenas por se dizer que foi o primeiro (ou um dos primeiros- o primeiro terá sido Making a Living daquele que muitos críticos o maior artista cinematográfico de todos os tempos.

              

 

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