PRÉMIO PRITZKER PARA A ARQUITECTURA QUE INCLUI A COMUNIDADE NO PROCESSO por Clara Castilho

Alejandro Aravena ganhou o Pritzker 2016 para a arquitectura social. Este prémio, considerado o “nobel” da arquitectura existe há 38 anos. Dois portugueses já o receberam: Siza Vieira, no ano de 1992, com o Pavilhão de Portugal na Expo’98 e Souto Moura, com o estádio municipal de Braga.

Num vídeo onde explica as suas ideias, Alejandro Aravena afirma que a sua filosofia de trabalho é incluir a comunidade no processo.

Quando lhe foi pedido para construir alojamento para 100 famílias no Chile há dez anos, Alejandro Aravena procurou uma inspiração fora do comum: a sabedoria das favelas e dos bairros de lata. Em vez de construir um edifício grande com unidades pequenas, construiu meias-casas flexíveis que cada família podia expandir. Era um problema complexo, mas com uma solução simples, uma solução a que ele chegou ao trabalhar com as próprias famílias. Com um quadro de ardósia e fantásticas imagens das suas criações, Aravena explica-nos os projectos em que o repensar com sensatez levou a um bonito “design” com um grande benefício.

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Alejandro Aravena é chileno, tem 48 anos e obras também nos EUA, China e Suiça. Construiu, através do atelier “Elemental”, mais de 2.500 unidades de habitação social, envolvendo-se em políticas públicas habitacionais e tomando as regras do mercado como uma oportunidade de gerar um impacto real de grande alcance.

favela de Paraisópolis, em SP -

O júri destacou sua capacidade de ampliar o campo de ação do arquiteto para alcançar soluções que permitam melhorar os contextos urbanos e fazer frente à crise mundial de habitação. E ressaltou: “Alejandro Aravena sintetiza o renascimento de um arquiteto mais socialmente engajado[…]. Ele tem um profundo conhecimento tanto da arquitetura como da sociedade civil, algo que se reflete em seus escritos, seu ativismo e seus projetos. O papel do arquiteto está agora sendo desafiado a servir a necessidades sociais e humanitárias maiores, e Alejandro Araven tem respondido a este desafio de modo claro, generoso e pleno”, e “A equipe ELEMENTAL participa de todas as etapas do complexo processo de proporcionar moradia aos necessitados: engajamento com políticos, advogados, pesquisadores, moradores, autoridades locais e construtoras para obter os melhores resultados possíveis para o benefício dos moradores e da sociedade.”

Aravena é também professor convidado em várias universidades de diversos países, e publicou alguns livros, como Los Hechos de la Arquitectura (1999), El Lugar de la Arquitectura (2002) ou Material de Arquitectura (2003), além de uma monografia sobre o trabalho do atelier Elemental.

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