A Finlândia, outra vítima do euro – por Laurent Herblay

Falareconomia1

Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

 

A Finlândia, outra vítima do euro

Laurent Herblay

 

Com a preferência de Alexis Tsipras para as poções amargas impostas pela manutenção no euro em vez de reencontrar uma política monetária adaptada ao seu país, o debate sobre a pertinência da moeda europeia faz-se mais discretamente. No entanto, as provas dos seus prejuízos acumulam-se, como na Finlândia.

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É The Economist quem retoma o tema “o inverno económico Finlandês” num texto recente e que sublinha o papel desta construção monetária artificial e nefasta que é o euro. Certamente, não se poderiam reduzir as dificuldades do país apenas à responsabilidade desta torre de Babel monetária: também há que olhar à crise da Nokia (que representava um quarto do crescimento do país no seu zénite) ou aos efeitos da baixa do preço das matérias-primas sobre o vizinho Russo, cuja saúde económica tem um efeito directo sobre o de Helsínquia. Contudo, a comparação entre os resultados económicos da Finlândia (no euro) e a Suécia (fora do euro) é impressionante. Desde 2007, o PIB da Finlândia recuou de mais de 7%, não conseguindo reencontrar o seu nível de PIB de antes da crise, quando o da Suécia progrediu de cerca de 9%, um diferencial de 16%!

Para países tão próximos, uma tal diferença é impressionante. A Finlândia afixa um preço do trabalho 10 à 15% superior ao dos seus principais parceiros comerciais. O país toma a mesma direcção que os países da zona euro: baixa do défice (2 pontos do PIB daqui a 2019), e reforma do mercado de trabalho, promovida pelo antigo Comissário europeu, o ministro da economia, Olli Rehn, na mesma via que o projecto de lei El Khomri-Manuel Valls, permitindo a cada empresa passar acordos com os seus assalariados, com até mesmo a supressão de dias feriados. Para The Economist “se o país tivesse conservado a sua própria moeda, o longo e duro ajustamento para reduzir os seus custos teria podido ser atingido mais facilmente permitindo à sua moeda depreciar-se”, uma questão que se debate cada vez mais na Finlândia.

É infelizmente um debate que a preferência da Grécia para a prisão europeia em vez da independência tem travado ainda mais. No entanto, apesar do julgamento negativo de muitos “Prémio Nobel da Economia*”, os destinos cruzados da Finlândia e da Suécia trazem-nos uma nova prova da nocividade do euro.

* Prémio Nobel do Banco da Suécia em ciências económicos em memória de Alfred Nobel, de acordo com o mesmo método que os prémios Nobel, a economia não faz parte da lista inicial.

Laurent Herblay (son site), La Finlande, une autre victime de l’euro. Texto publicado por Agora Vox e disponível em:

http://www.agoravox.fr/actualites/europe/article/la-finlande-une-autre-victime-de-l-178263

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