PORTUGAL NA GRANDE GUERRA: PECADOS ORIGINAIS DA REPÚBLICA – por José Goulão

A participação de tropas portuguesas na Primeira GImagem1uerra Mundial foi consequência directa de pecados originais da República e que tiveram consequências nefastas, as maiores das quais foram, ao tempo, a perda de 25 mil vidas portuguesas completamente inocentes e, posteriormente, o advento e instauração da “longa noite” fascista.

Já em 1871, nas reprimidas Conferências do Casino, Antero de Quental advertira, sem que o poder o ouvisse, que a estreita mentalidade nacionalista e as colónias eram males graúdos de que Portugal padecia. Veio o ultimato e essas duas doenças alimentaram um fogo-fátuo de que o republicanismo oficial se aqueceu ideologicamente com dose letal de oportunismo. Quando a guerra chegou, os republicanos oficiais cederam ao inglês, afinal como D. Carlos se submetera “à querida tia”, e as colónias voltaram a servir de pretexto como em 1890 tinham contribuído para o jogo de propaganda que levou à engorda do Partido Republicano.

Para a História ficou o sacrifício inútil de tantos homens em nome de interesses que não eram os seus. A mentalidade que lhes impôs a guerra era a mesma que mantinha a repressão contra os desfavorecidos, nas fábricas e nos campos, como se não tivesse havido 1910. A mesma que, meio século mais tarde, voltou a socorrer-se da juventude como “carne para canhão”, ao som do nacionalismo aberrante então em gesta pelas colónias.

Em tantos recantos de Portugal – mesmo que a lei do tempo tenha levado já o derradeiro sobrevivente – ainda hoje está viva a memória oral dos que escaparam dos campos da morte na Flandres, quantos deles regressados muitos meses após o armistício, depois de chorados e simbolicamente enterrados. Enfim, mais um entre tantos sacrifícios nacionais em vão, e que prosseguem, sempre em nome de interesses que não são os dos portugueses.

José Goulão

 

 

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