CONTOS & CRÓNICAS – AS MÁS LÍNGUAS – por CARLOS REIS

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5 A

 

Somos um povo vil e mesquinho.

Pobre Maria Luís! Então uma pessoa que perde subitamente o seu emprego, tem de ir para a segunda plateia trabalhar a dias e vê o seu ordenado fortemente abatido (e com despesas fixas para pagar, evidentemente) numa data de euros Não pode então procurar emprego, um outro emprego? Porquê? Quantos portugueses e portuguesas não têm de o fazer também, quando um ordenado não chega para alimentar a família?

(Ah, mas acumula emprego e ainda por cima com uma empresa daquelas, que compra as misérias e as dívidas dos outros – uma empresa afinal séria e que ajuda, é verdade, que talvez pouco produza, mas pelo menos não desgasta material, por essa mesma razão – e isso não pode ser, não é justo, é vergonhoso, não ético, tá-tá-tá, etc.)

Não é justo? A pobrezinha nem contrato vai ter, aquilo é com recibos verdes, trata-se de um trabalho precário!

E depois (são mesmo uns merdosos e uns maldosos, esta escória de Esquerda!) a pobre e inocente senhora que não vai, sequer, roubar postos de trabalho a ninguém. Só a deixam trabalhar dois ou três dias por mês, em part-time, imagine-se, coitada.

Nem sei como se pode aguentar uma coisa destas. Uma exploração, é o que é, desta multinacionais que pagam à hora, sem contrato nem horário e aposto que nem décimo terceiro mês tem, ou férias, sequer.

São mesmo uns más línguas! Uns invejosos! Não podem ver uma camisa lavada a ninguém, é o que é.

Carlos

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