EDITORIAL – USAR OU NÃO USAR BURCA

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Os atentados de ontem em Bruxelas deixaram horrorizados todos os seres viventes que não estejam totalmente embrutecidos. O que se passou pode ser considerado como a expressão do horror/terror puro e duro, desde sempre a arma dos poderes absolutos (alguns agora chamam-lhes totalitários) que têm como objectivo manter-nos a todos suspensos e trémulos, à espera de que nos caia em cima outra barbaridade. Pergunta-se, o que querem eles? Eles, os que estão por detrás destes atentados…  Um pouco de reflexão chega para compreender que os personagens que intervieram directamente nesta tragédia, e nas outras semelhantes que a antecederam, fizeram-no em estado de completa alienação. E que por detrás deles estão outros, sem quaisquer escrúpulos, com objectivos muito próprios. Dizer isto não é, de modo nenhum, afirmar que não se tratam de criminosos que é preciso localizar e pôr em estado de não continuarem a agredir-nos, tanto os intervenientes directos como os que estão por detrás. Estes estão mais longe da identificação, o que só agrava a situação em que nos encontramos.

Entretanto, continua a discussão sobre as atitudes a tomar em relação às ameaças do Daesh. Para além das respostas directamente securitárias, há quem preconize outras, como a rejeição do multiculturalismo. Ontem ouvimos na televisão uma figura da nossa política (salvo erro, João de Deus Pinheiro) rejeitá-lo, referindo que, tal como os ocidentais quando visitam ou se fixam em países onde predomina o islamismo têm que acatar as imposições locais, nós, os países ocidentais também devemos impor as nossas leis e costumes aos naturais daqueles países que nos visitam ou aqui se fixam para trabalhar e viver. Respondendo a uma pergunta sobre a admissibilidade do uso da burca, incluiu o seu uso no conjunto de costumes que não devia ser admitido, aqui no Ocidente.

Não vamos emitir opinião sobre se o uso da burca é dignificante ou não para quem a usa. E concordamos que há usos e costumes que não respeitam os direitos das pessoas, mulheres e homens. Todas as desigualdades entre as pessoas são de rejeitar em democracia. Mas a liberdade individual tem de ser respeitada. Se uma mulher, de modo livre, sem ser por imposição familiar, religiosa ou de outra natureza, optar pelo uso da burca, teremos nós, ocidentais, o direito de lhe impor que não a use? Por lhe tapar a cara, e dificultar a sua identificação? Não será que assim estamos a ficar ao nível dos países e povos que proíbem a aparição de mulheres em público sem tapar a cabeça? Ou que pura e simplesmente não a admitem?

O uso da burca não pode ser posto ao nível da mutilação genital feminina, da poligamia ou da guerra santa. Os usos e costumes não devem ser classificados como melhores ou piores segundo a sua proveniência. E é indispensável reconhecer que o terrorismo tem muitas causas, cujas origens não derivam das diferenças entre raças e religiões, mas sim do egoísmo e dos preconceitos de quem delas procuram tirar partido.

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