A VIOLÊNCIA E OS IDOSOS por Luísa Lobão Moniz

olhem para  mim

A violência e os idosos.

A sociedade para se sentir mais organizada precisa de categorias para agrupar as diferentes realidades, assim a palavra idoso serve para definir uma pessoa com 60 ou mais anos de idade.

Não se percebe então porque é que a idade da reforma seja cada vez mais alta, 67 ou 70 anos.

Ora, quanto a mim, todos nós somos idosos a partir do momento em que o tempo começa a contar para nós, para nos situarmos na recta da Vida.

Hoje em dia´, são várias as notícias que aparecem na comunicação social relativamente aos idosos, e o mais assustador é que muitas são por motivos de violência. E falar-se de violência e de idosos é falar-se de violências múltiplas: psicológica, económica, física, abandono, indiferença….

Vários estudos revelam que a violência contra os idosos não se verifica apenas nas classes sociais mais carenciadas, a violência percorre todos os estratos sociais.

Muitas das famílias em que se registam violências contra os idosos têm uma relação afectiva muito frágil, os vínculos afectivos são muito ténuos, e é pouco comunicativa entre os seus elementos familiares.

Muitas vezes as vítimas, os idosos, têm uma relação de inter dependência com os filhos, relativamente à habitação, ao dinheiro, ao desemprego. Alguns dos filhos destes agregados familiares abusam do álcool ou da droga. Maltratam os pais porque a reforma é baixa e não dá para as despesas. Alguns destes idosos são doentes e por isso são mais um encargo para a família.

Não têm conta as camas dos hospitais, e de lares, ocupadas com idosos que não recebem qualquer visita dos familiares.

A população, na Europa, tem vindo a envelhecer. Muitos são os factores que levaram a esta situação, um deles é o facto de se viver mais tempo, e bem, devido às descobertas científicas a nível da saúde, ao facto de haver meios que possam fazer com que a mulher opte por ter filhos ou não, à situação económica das famílias e porque não, o pessimismo que grande parte das populações tem em relação ao futuro.

A sociedade não estava preparada para esta situação e nesta crise em que todos vivemos, independentemente da idade, vemo-nos confrontados com agregados familiares alargados, sem espaço físico confortável para todos os seus elementos; sem privacidade, com filhos desempregados que voltaram para casa dos pais, agora acompanhados pelas famílias que construíram.

Avós, filhos e netos a viverem momentos de tensão no tempo, no espaço e no dinheiro…com a violência ao virar da esquina.

O relatório da APAV de 2015, apresentado no dia 28 de Março, relata que há mais queixas de pessoas, com mais de 65 anos, que são agredidas pelos filhos.

Em 2015, 819 pessoas contactaram a APAV por violência por parte dos filhos. Três pessoas com 65 anos, ou mais, são vítimas de violência, por dia.

Este fenómeno não é novo, mas é cada vez mais frequente a sua denúncia que provavelmente poderá ser consequência de uma maior publicidade contra a violência nas pessoas mais velhas da família.

Tendo em conta o número de pessoas que recorrem à APAV, por dia, são agredidos” três pessoas com 65 ou mais anos, três crianças e jovens e mais de 14 mulheres, entre os 18 e os 64 anos..” podemos mesmo dizer que a família se tornou o local mais violento da sociedade.

As mulheres continuam a ser mais representativas no grupo das vítimas do que os homens.

Há tanto para reflectir e mudar. É preciso não esquecer que as crianças aprendem por imitação…

Quero acreditar que estes casos de violência são minoritários, mas preocupantes, relativamente ao total de famílias.

Acabar com a violência dentro das famílias está, também, nas nossas mãos.

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