Estás sentado na cadeira do cinema onde pacatamente vês o teu filme preferido desta semana.
Estás sentado no sofá da sala a assistir a um programa de televisão do teu agrado.
Estás sentado a jantar, no silêncio da família, mas no rodopio dos acontecimentos dos telejornais.
Nesse mesmo tempo há homens e mulheres que lutam de forma desigual contra bombardeamentos, disparos, raptos, escravatura, abusos das suas integridades.
Estes homens e estas mulheres estão acompanhados pelos seus filhos e filhas que não percebem o que se passa e repetem vezes sem fim “quero um sítio onde não haja guerra”.
Mal vestidos, mal alimentados, com feridas no corpo, com dores de barriga, com dentinhos a nascer, com lágrimas embrulhadas em medo. Os seus pais não podem dar-lhes o que elas mais precisam, paz e carinho.
Grandes e pequenos são todos fugitivos de um lugar desfeito e poeirento. Fogem em condições indignas de qualquer ser humano. Morrem pelo caminho afogados no mar, doentes, desnutridos, mas com os olhos brilhantes de quem vai a caminho do lugar certo para abraçar o seu ou a sua companheira e os seus filhos e qualquer outra criança que a eles se junte, porque perdida.
Chegam à Europa civilizada e encontram a falta de respeito pelos Direitos fundamentais de qualquer ser Humano. Não têm nome, não têm casa, não têm escola, não têm saúde…mas oh defensores dos Direitos Humanos, oh ONU, UNICEF e qualquer outra organização que tenha como lema a defesa dos Direitos Humanos, o que vem a ser isto de levantar muros de arame farpado, de disparar contra as pessoas que querem passar para o lado de lá. Afinal há fronteiras para pessoas!
Qual o país da Europa que não teve gente a sair em grandes grupos para outros países à procura de vida melhor… A memória é curta…
Quem tem o despudor de evitar o contacto com os designados refugiados? Onde está a solidariedade entre os povos? Não é certamente no arame farpado, nos muros de pedra ou nas balas…
Sim, já vimos as condições deploráveis em que vivem e fogem os refugiados. Gostaria de ver os chefes europeus reunidos para decidirem quantos refugiados cada país pode acolher…
Porquê assim e não de outra maneira?
O que está a ser feito em Portugal, país de gente generosa e voluntária?
A nível individual é emocionante saber o que alguns grupos de pessoas têm feito para minorar o sofrimento, mas a nível estatal qual tem sido a solidariedade efectiva?
Como queremos educar as pessoas a serem solidárias, a respeitarem o outro, o diferente, a não terem medo de estender a mão. É preciso avisar toda a gente que do outro lado não está o terrorista, nem o traficante, estará alguém igual a nós, no seu direito à Vida.
Não digam que não há dinheiro, ele existe, mas não para o bem estar de todos, não existe no lugar certo, mas no lugar errado; aqui não há fronteiras nem arame farpado que páre a circulação de bens fugitivos, não da guerra mas da falta de ética.