EU IA NA MESMA! por Luísa Lobão Moniz

olhem para  mim

É minha convicção que a transmissão de valores se faz por imitação dos mais novos pelos mais velhos ou por oposição.

Os valores são adquiridos na prática, do dia a dia, de comportamentos vários.

Os valores não se impõem, mas podem-se substituir…

No dia 25 de Abril de 1974, a ditadura foi substituída pela Democracia. A partir de então tudo se vivia de acordo com a noção de liberdade ou de liberdades -liberdade popular, liberdade individual, liberdade de escolha, liberdade de expressão do pensamento, liberdade de dizer não, liberdade para decidir o fim da guerra colonial, liberdade de devolver ao Povo a sua vontade expressa pelo voto.

As pessoas decidiam sobre o seu futuro que adivinhavam ser melhor que o presente. A organização familiar transformou-se pelo reconhecimento do género feminino como elemento activo nas decisões familiares, na independência da mulher relativamente ao marido.

Na Escola, os directores e reitores deixaram de ser nomeados para serem votados pelos seus colegas…na Escola tanto comportamento foi modificado e entendido como mais adequado para as crianças e para a sociedade… Tem sido um trabalho árduo e muitas vezes incompreendido pela sociedade e pelo Poder.

Vivemos em Democracia é verdade, mas quem tem a principal palavra é o sistema económico e financeiro e os sistemas educativo e de saúde dependem mais dos mercados do que das vivências de cidadania vividas na Escola.

O presente é feito do passado que vai engrossando em cada dia que passa. O passado é tanta mudança social, económica, cultural, religiosa que não cabem todas no presente. `preciso a sua evocação para que se torne num passado próximo para se ter conhecimento dessas mudanças e o que elas representam no dia-a-dia do presente.

Amanhã é feriado. É o dia da Revolução dos Cravos, da Liberdade, é o dia 25 de Abril.

Televisões, rádios, jornais, revistas, encontros, manifestações, comemorações não se cansam de passar a música emblemática do 25 de Abril, a Grândola (Grandóla, como dizem muitas crianças…) cantada por Zeca Afonso.

As escolas mantêm a tradição de ensinar aos alunos o que foi e que significado tem hoje a Revolução de Abril.

Mas que difícil que é! Em muitas escolas não se vive em cidadania, ensina-se o que é, enquanto conceito.

O quê?  haver escolas só para rapazes e escolas só para raparigas? Não pode ser, eu ia na mesma…,aluno no 4º ano.

Na reflexão desta criança está demonstrado quão diferente é a vida em Ditadura ou em Democracia. A separação de rapazes e de raparigas, nas escolas, era o melhor que o Poder tinha para oferecer à sociedade que acatava esta separação sem a questionar, dando chão para que o Povo fosse oprimido.

Eu ia na mesma. O “eu” é importante, tão importante que se assume com vontade própria.

Sexta feira numa escola na Azambuja:

-O que é a liberdade?

– É ter vontade própria.

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