Faz hoje oitenta anos, no dia 26 de Abril de 1937, Guernica, uma pequena cidade basca foi totalmente destruída pela aviação alemã, pela Divisão Condor, os voluntários germânicos que o louco e criminoso Adolf Hitler enviou em auxílio de uma das mais repugnantes figuras da História contemporânea – Franco.
Poder-se-á dizer que o crime de Hiroxima e Nagasáqui foi mais condenável. Talvez. Mas esse facto não apaga a ignomínia do cobarde ataque a um alvo sem valor estratégico. A nossa homenagem consiste em não voltar a contar o que se passou e que o grande Pablo Picasso plasmou no seu famosíssimo quadro.
Lembramos o crime de Guernica com um poema de Carlos de Oliveira e um quadro de Dorindo Carvalho.
Entre Duas Memórias (1971)
O incêndio desce
O incêndio desce;
do canto superior direito;
sobre os sótãos,
os degraus das escadas
a oscilar,
hélices, vibrações, percutem os alicerces;
e o fogo, veloz agora, fende-os, desmorona
toda a arquitectura,
as paredes áridas desabam
mas o seu desenho
sobrevive no ar; sustém-no
a terceira mulher; a última; com os braços
erguidos, com o suor da estrela
tatuada na testa.(Carlos de Oliveira) **
in «Entre Duas Memórias», 1971
do canto superior direito;
sobre os sótãos,
os degraus das escadas
a oscilar,
hélices, vibrações, percutem os alicerces;
e o fogo, veloz agora, fende-os, desmorona
toda a arquitectura,
as paredes áridas desabam
mas o seu desenho
sobrevive no ar; sustém-no
a terceira mulher; a última; com os braços
erguidos, com o suor da estrela
tatuada na testa.(Carlos de Oliveira) **
in «Entre Duas Memórias», 1971

